Do Blog do Santos Passos
Igreja da Estupidez Universal

Acabo de voltar de uma delegacia de polícia (9/5/07). Uma e meia da madrugada. Eram 11 e pouco da noite quando recebi telefonema angustiado de minha cunhada. Sua filha, intérprete, estava trancada em uma sala do principal templo da Igreja Universal em São Paulo, na Avenida João Dias. Acompanhava uma jornalista canadense que veio ao Brasil para cobrir a visita do Papa e quis fazer matérias sobre outras religiões. Foram até o templo com a intenção de entrevistar algum bispo, coisas assim. A canadense começou a gravar (só áudio) e logo foi agarrada pelos cristãos-universais. Minha sobrinha foi também agredida e colocada em uma sala. Conseguiu ligar para a polícia e para a mãe.
Na delegacia, uma equipe de uns dez cristãos-universais filmava tudo. Mas já não eram os que haviam agredido a jornalista e sua intérprete. Eram outros. Eles são organizados. Ficamos lá algum tempo. A jornalista queria seu equipamento de volta. Os universais queriam apagar tudo que havia sido gravado.
Não sei quem tem razão, do ponto de vista jurídico. Isso só vai ser resolvido logo mais, durante o dia, com exame de corpo de delito e coisas do gênero. Agora, do ponto de vista – como direi – cristão, até eu, ateu praticante, fico triste ao constatar que essa tal de Igreja Universal do Reino de Deus só não pode ser chamada de máfia por respeito às máfias.
Não é à toa que o Brasil está mergulhando nisso.
Escrito por martabellini às 19h49
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Do Millôr
Não gosto da direita, porque ela é de direita, e não gosto da esquerda porque ela é de direita.

Escrito por martabellini às 19h40
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Mais do que uma visita religiosa, uma visita de negócios

Ver BBC do Brasil, por Denise Bacoccini
Renúncia fiscal das igrejas deve ficar perto de 1 BILHÃO em 2008
O economista Marcelo Néri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que o Estado subsidia as igrejas por meio da isenção fiscal.
“A renúncia fiscal de alguma forma é um subsídio, porque a igreja faz o que o Estado não faz”, diz o economista, autor de um estudo que analisa as doações às igrejas. Segundo Néri, a isenção fiscal a entidades religiosas perpetua a influência religiosa nas comunidades mais carentes, justamente as que mais contribuem com os dízimos. Dados da Receita Federal mostram que a atividade religiosa gerou uma receita de R$ 9,1 bilhões em 2004 (último dado disponível), com uma renúncia fiscal equivalente a R$ 554 milhões naquele ano. “O dízimo é pago principalmente pelos pobres em áreas onde há forte ausência do Estado – classes C e D, que vivem nas periferias das grandes cidades. Com a renúncia fiscal, o Estado não só subsidia, como incentiva esta atividade”, afirmou em entrevista à BBC Brasil. É justamente nestas áreas, diz o economista, que as igrejas estão crescendo mais. Além de atuarem como substitutos do Estado, Néri diz que as igrejas fazem concorrência predatória nas áreas em que atuam, por não pagarem impostos. “É uma concorrência predatória, como a do setor informal”, compara. “Só que, neste caso, com a concordância do Estado”, afirma. Como exemplo, ele cita o caso de um salão de festas de uma igreja e um outro de uma empresa de buffets: o espaço alugado pela igreja não paga imposto, enquanto o da empresa privada paga, mesmo que os dois tenham sido alugados com a mesma finalidade de promover uma festa particular. “É importante discutir o princípio da justiça tributária”, diz Néri.
Escrito por martabellini às 12h59
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Papaboys na Itália (ver BBC Brasil): cruzada antipiercing

Na sede da associação Papaboys (10 mil filiados), num bairro próximo ao Vaticano, eles já acumulam mais de mil piercings de formatos, cores e tamanhos diferentes – troféus da empreitada evangelizadora. “Vamos derreter tudo e criar um coração em homenagem a Maria, mãe de Jesus”, disse à BBC Brasil Daniele Venturi, presidente da associação. “Queremos que esses jovens encontrem o caminho da verdade". Os papaboys caminham pelas ruas da cidade, durante o dia ou à noite em busca de possíveis “alvos”. “Me dá teu piercing em troca de um rosário. Vamos rezar juntos”, diz um deles durante uma dessas peregrinações. “Para que colocar mais um peso na cabeça? Larga este ferro. Te liberta”. Classificada pela imprensa italiana de cruzada contra o piercing, a iniciativa causou polêmica no país, gerando debates na televisão estatal. (ver texto integral BBC Brasil)
Comentário: anti gay, antipiercing, anti sexo antes do casamento, anti uso de camisinha, anti aborto.... Virgem Maria!
Poderia ser anti máfia, anti pobreza, anti pedofilia, anti Berlusconi, anti ignorância científica, anti discriminação étnica....
Escrito por martabellini às 12h45
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O brasileiro após o aumento dos salários dos deputados

Escrito por martabellini às 17h39
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Dia 10 de Maio: aniversário da mocinha cidade de Maringá!
Hoje, dez de maio, a cidade de Maringá faz 60 anos. Uma jovem senhora conservadora faz aniversário. O prefeito e vereadores fizeram do dia uma pizza mezzo calabreza mezzo queijo. Enfim, pizza. Feriado com desfile de manhã e trabalho para os comerciários das 13h às 19h. Os comerciários (sic) têm que ganhar com as vendas para o Dia das Mães, domingo.
Na TV deste feriado bem maringaense, a mídia dá o tom do espetáculo enchendo-nos de imagens do Papa Bento XVI. Jovens católicos estão no Pacaembu cantando, louvando. Os deputados brasileiros estão bem mais felizes: saquearam no$$o dinheiro ontem no meio do barulho da visita do Papa. Para aumento de salário de professores há a LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. Para o aumento dos deputados, senadores, ministros e presidente há a irresponsabilidade legalizada. No total de vencimentos cada senhor destes ganhará R$100 mil reais, o maior “saque” de todo o planeta!
Aqui na porta de casa, operários terceirizados pela SANEPAR, companhia de saneamento e água do estado do Paraná, derrubam árvores para passar o encanamento.
Voltando aos documentos dos católicos, foi proposta, nesta visita do Papa bento, a isenção de impostos para a Igreja. Mais dinheiro no$$o. Depois disso, há o PAC, Plano de Aceleração do Crescimento deste País. O Guido Mantega esqueceu de incluir neste plano a expulsão destes deputados para uma ilha qualquer do mundo, quiças, perto de ursos. Só desse jeito, o país crescerá.
Brasiu!

árvore derrubada pela Sanepar

Escrito por martabellini às 16h47
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Dez anos sem Callado por Carlos Heitor Cony
Folha de São Paulo, 10 de maio de 2007

Diego Rivera
Rio de Janeiro - Quando voltou de Londres, onde trabalhou na BBC durante quase toda a 2ª Guerra Mundial, Antonio Callado estava faminto de Brasil. Viu os bombardeios da cidade, o desmoronar de um mundo velho e achava que o pós-Guerra seria a oportunidade histórica para o Brasil deslanchar em termos de desenvolvimento social e material. Pesquisou nossos índios, trazendo-os para sua literatura. Durante o regime militar, foi preso diversas vezes e proibido de escrever em jornais. Mas não perdeu a sua fé no Brasil. Sendo o único inglês da vida real, na definição de Nelson Rodrigues, ele confiava que um dia as coisas melhorariam, os homens melhorariam. Cinqüenta anos depois, em 1997, três dias antes de sua morte, aos 80 anos, ele deu uma longa entrevista à Folha, confessando o desmoronar de suas esperanças. Não chegou a viver a era Lula - seria uma desilusão a mais. Foi um dos desabafos mais cruéis do nosso tempo, sobretudo por vir de um homem culto, sem ambições pessoais, autor de "Quarup", um dos romances mais importantes de nossa literatura. Guardo de sua entrevista uma frase que volta e meia gosto de citar: "A humanidade perdeu a sua âncora moral". Callado estava longe de ser um moralista. Como Montaigne, Pascal e santo Agostinho, dava ao homem a possibilidade de transcender seus objetivos materiais e elevar-se a um estágio superior à condição humana. Trabalhei muitos anos ao seu lado. Quando pedi demissão do jornal do qual ele era o diretor de redação, Callado se demitiu comigo. Na prisão em que estivemos juntos, ele passava o tempo lendo Proust. Se o Brasil tivesse uns cem Callados, certamente seria um país bem melhor, digno da esperança que ele cultivou durante toda a sua vida, até às vésperas de sua morte.
Comentário: Lembro-me desta entrevista e do último texto de Antonio Callado na Folha. “Querer lutar pela América Latina é como ARAR o mar” disse Callado, parafraseando Simon Bolívar. Vendo Lula, sua coalização, sua oposição, ouço Antonio Callado a dizer: [...] é como arar o mar!
Escrito por martabellini às 16h02
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DEputados não se aguentam!
Aumentaram seus salários em 28%!

E nós que pagamos o pato!
Escrito por martabellini às 22h33
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Escrito por martabellini às 22h30
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Out door falacioso
O senador maringaense que substitui Alvaro Dias, do
Centro Supeior de Ensino de Maringá apostou neste out door

MAS, após a palavra EDUCAÇÂO faltou a palavra
PRIVADA. o senador em questão representa o ensino privado....
junto com o Codem, a Acim etc
foto: do Blog do Rigon.
AFF!
Escrito por martabellini às 22h13
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Lula dá 10 anos para faculdades privadas saldarem dívidas fiscais de mais de R$ 1 bi.

O chamado PAC da educação é uma mãe para as faculdades privadas do Brasil. O governo Lula resolveu dar um prazo de dez anos para que essas instituições de ensino saldem suas dívidas atrasadas com a Receita Federal. O juro cobrado será a taxa Selic, de 12,5% ao ano. Uma condição difícil de ser encontrada na natureza por um cidadão comum. [...] Como se observará na exposição de motivos assinada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Haddad, não se fala no tamanho da renúncia fiscal do projeto. O valor da dívida de impostos atrasados das cerca de 2.000 faculdades privadas no país passa de R$ 1 bilhão, segundo ouvido dentro do próprio governo.
[...] Toda vez que o governo socorre maus pagadores de impostos está dando um tapa na cara dos bons pagadores. Promove-se um incentivo para a sonegação. Pagar para quê? Daqui algum tempo o governo me salva. No caso das escolas superiores privadas, a idéia é ajudá-las e em troca de um incremento do número de alunos matriculados por conta do crédito educativo Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, o Fies, e do aumento de bolsistas que conseguem vagas pelo Prouni (Programa Universidade para Todos, destinado a alunos carentes).
[...] O que dizer desse PAC da educação de Lula? É uma escolha clara do governo do PT pelo ensino privado e uma obsessão por colocar um grande número de gente em faculdade para ter uma estatística para mostrar mais adiante numa campanha eleitoral.
Comentário de Roberto Romano: No Brasil, tanto capitalismo quanto comunismo são, perdoe o leitor, avacalhados sempre. Ou seja, como diz Fernando Rodrigues, tanto o lucro quanto a "revolução" não devem conter riscos próprios, mas apenas empregando-se o cofre da viúva (na expressão de Elio Gaspari). Firmas que deveriam operar em sentido capitalista, tornam-se cartórios com "processos" , "protocolos", etc.. Empresários da universidade privada (coloque-se toda a polissemia do termo) nada fazem para melhorar o padrão de pesquisa e de ensino, mas adoram "mamar nas tetas do governo", como os seus similares da indústria e do comércio (a referência às tetas vem do economista Delfim Netto, não suspeito de esquerdismo). Enquanto empresários, no mundo todo, arriscam seu patrimônio e capitais em seus empreendimentos, os do Brasil nada arriscam seriamente. Note-se a quantidade de firmas falidas, com os seus donos ricos, ricos, mostrando as faces amadeiradas em colunas sociais, sendo recebido por autoridades civis, eclesiásticas, militares... com honras. Brasiu....
Escrito por martabellini às 22h08
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Escrito por martabellini às 21h50
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Do Blog do Josias
Em sua penúltima gafe, Bush ‘alveja’ Elizabeth 2ª

Eis a penúltima de George Bush: o presidente norte-americano recebeu na Casa Branca a rainha britânica Elizabeth 2ª. Saudou-a com um discurso. Lero vai, lero vem, sapecou:
"O povo americano tem o orgulho de receber Vossa Majestade novamente nos EUA, uma nação que a senhora conhece muito bem. Afinal de contas, já jantou com 10 presidentes norte-americanos. Ajudou nossa nação a comemorar o bicentenário em 17...” Ao pressentir que estava na iminência de atribuir à rainha uma idade superior a 200 anos, Bush deu meia volta: “...em 1976."
Sob risos, Bush olhou para a visitante. Simpática como só as rainhas sabem ser, Elizabeth retribuiu o olhar. E Bush, sorrindo amarelo: "Ela me lançou um olhar que só uma mãe lança a uma criança."
É certo que Sua Alteza, já entrada em anos, é uma senhora provecta. Mas daí a aumentar-lhe a idade de 81 anos para mais de dois séculos é algo que só “uma mãe” poderia tolerar. Assim mesmo uma “mãe” muito consciente da condição algo abobalhada do “filho”.
Escrito por martabellini às 11h23
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Sociedade civil condena assassinato de jornalista
Folha de São Paulo. Folha RIBEIRÃO 08/05/2007

Botero
ANJ diz que Barbon Filho foi vítima de "covardia"; OAB vê crime de lesa-democracia
Em 2003, jornalista revelou um esquema de exploração sexual de menores que envolvia cinco vereadores e quatro empresários locais.
Entidades que representam jornalistas, meios de comunicação e sociedade civil condenaram o assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, em Porto Ferreira (SP). Barbon Filho morreu na madrugada de domingo após ser atingido por dois tiros de espingarda calibre 12 na noite de sábado, quando estava com amigos em um bar. Os criminosos chegaram ao local de moto e fugiram sem ser identificados.
Em 2003, ele denunciou um esquema de exploração sexual de menores na cidade envolvendo cinco vereadores, quatro empresários e um garçom - o único que ainda está preso. Para a ANJ (Associação Nacional de Jornais), foi "um covarde crime por encomenda".
Comentário
Sempre disse aos meus alunos que Porto Ferreira, cidade onde nasci, era a única no Brasil que prendeu vereadores corruptos. Não é que agora vejo esta notícia? Os vereadores de Porto Ferreira viveram mais de 20 anos nessa gandaia com meninas pobres. Porto Ferreira, SP, chamada a encruzilhada do progresso pela elite local, agora se chama encruzilhada. Depredada pelos políticos locais, teve as margens do Rio Mogi Guaçu arrasadas, Fundos de Vale doados para a população pobre em troca de votos, teve a Nestlé que explorou mais de 50 anos a cidade e fechou a fábrica provocando um desemprego infernal. A cidade é a encruzilhada da cocaína que vem da Bolívia. Miséria, tráfico e política se misturam e dão o tom deste assassinato.
Ah! Entre os vereadores havia um diretor de escola pública, um bancário....
Escrito por martabellini às 11h03
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Frase do Dia do Blog Panorama  Na política é difícil distinguir os homens capazes dos homens capazes de tudo. (Henri Béraud)
Escrito por martabellini às 14h32
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Angeli - Folha de São Paulo
Escrito por martabellini às 14h22
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Do Blog de Roberto Romano
Escrito por martabellini às 14h22
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UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO PARANÁ: A DESTRUIÇÃO REQUIÂNICA DE UM PATRIMÔNIO PÚBLICO INCALCULÁVEL 1

Publico o texto do Professor Marcos Danhone Neves com três recortes, pois, pela UOL, o espaço do Blog é reduzido. Acresço ao texto, a subserviência de nossos administradores ao REI.
A Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência do Paraná vem denunciando, há mais de dois anos, a política sistemática de destruição das Universidades Públicas Estaduais levada adiante pelo governador Roberto Requião de Mello e Silva. Essa política é unificada, pois recapitula o governo anterior, de Jaime Lerner, o qual, por sua vez, recapitulava o primeiro governo Requião no início da década de 90 do século passado. Esse também recapitulou a política agressiva de seu antecessor (e aliado de ocasião) imediato: o então governador Álvaro Dias.
No governo Requião anterior, desse século, as Universidades passaram por uma agressão extrema quando sofreram vários atos arbitrários sucessivos: i) uma reposição salarial docente diferenciada, insuficiente e discriminatória; ii) um rebaixamento do degrau salarial entre a classe de professor associado e titular; iii) uma proibição sistemática de saídas de pesquisadores para o exterior, seja para participação em eventos, seja para a realização de cursos de doutoramento e/ou estágios de pós-doutoramento; iv) uma dotação orçamentária insuficiente para a Fundação de Amparo (Araucária) que quase nada pode amparar ou fomentar; v) e, finalmente, o tiro de misericórdia: a aprovação e execução de um PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) para as funções técnicas e administrativas que culminaram com salários superiores àqueles dos docentes (exemplo básico: um professor auxiliar entra na Universidade ganhando exatamente a metade de um seu colega, também ingressante, exercendo a atividade de técnico de nível superior, sem mestrado).
Não bastasse essa política extremamente hostil, com uma defasagem salarial que chega a 54% para a categoria mais básica (professor auxiliar), o governador, através de seu Secretário de Planejamento, anuncia à categoria docente, uma “política de governo” que reporá os salários na base do IPCA (se houver folga na Lei de Responsabilidade Fiscal), ou seja, míseros e inqualificáveis 6,5% (seis vírgula cinco por cento).
Escrito por martabellini às 14h16
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UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO PARANÁ: A DESTRUIÇÃO REQUIÂNICA DE UM PATRIMÔNIO PÚBLICO INCALCULÁVEL 2

Marcos Danhone Neves
Escrevi anteriormente que as Universidades Públicas do Paraná estão minguando. Só na Universidade Estadual de Maringá, 175 (cento e setenta e cinco!) professores deixaram seus cargos nos últimos quatro anos. Mais de duas centenas deixaram o regime de tempo integral e dedicação exclusiva (outras centenas preparam-se para fazer o mesmo nos próximos meses, especialmente após o anúncio do índice de correção salarial). Na conta da Secretaria da SBPC-PR, só na UEM, quatro mestrados tiveram (ou estão na iminência de terem ...) seus conceitos rebaixados pela CAPES (um deles, inclusive, com risco de ser extinto).
De toda a tragédia que se abate sobre as universidades, talvez a que mais incomoda a classe docente é aquela em que jamais tivemos, num único governo, tantos colegas egressos de nossas academias ocupando cargos vitais na administração pública, a saber: a presidência da Fundação Araucária, a Secretaria de Planejamento e a Secretaria de Ciência e Tecnologia. Esses colegas, quando ainda faziam parte da base docente, sempre militaram em movimentos responsáveis, inclusive, por um sem-número de greves necessárias para que os trabalhadores da educação superior tivessem seus direitos e conquistas respeitados. No entanto, esses mesmos colegas, são aqueles que, hoje, aparecem para anunciar as “políticas do governo”, destruindo para sempre a confiança daqueles que neles votaram (seja para reitor – caso do atual presidente da Fundação de Amparo e da Secretária de Ciência e Tecnologia; seja para Deputado Estadual – caso do atual Secretário de Planejamento) esquecendo-se que, depositários de uma dignidade inencontrável, deveriam retornar, urgentemente, ao lugar de onde partiram para o reencontro com a coragem, a honestidade e a altivez acadêmica [muito acertada a decisão da categoria, em Assembléia geral do Sindicato, de chamar uma Audiência Pública para que esses personagens expliquem-se sobre o atual estado de coisas envolvendo as IES estaduais].
As Universidades Públicas do Paraná estão perigosamente à deriva. Abandonadas pelos gestores de políticas públicas saídos de seu próprio interior, a agonia ocorre de forma lenta, mas inexorável.
Escrito por martabellini às 14h15
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UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO PARANÁ: A DESTRUIÇÃO REQUIÂNICA DE UM PATRIMÔNIO PÚBLICO INCALCULÁVEL 3
Marcos Danhone Neves
O que parece um descaso, na verdade, trata-se de uma política muito bem orquestrada pelo Governador Roberto Requião de Mello e Silva e seus asseclas e passa pelos seguintes e tenebrosos passos:
- sucateamento salarial (sem reposição de perdas);
- precarização do trabalho docente (fomento de mudança de regime de tempo integral e dedicação exclusiva para contratos T-40, T-24, T-12 horas);
- fomento da evasão docente qualificada (principalmente a de doutores, para cair o custo da folha de pagamento);
- destruição de dezenas de programas de mestrado e doutorado;
- facilitação, pelo sucateamento do sistema público de ensino superior, da concorrência por parte da iniciativa privada;
- centralização, na capital do Estado, da pesquisa de qualidade, mas bancada pelo sistema federal;
- crescimento medíocre do orçamento da Fundação de Amparo, inviabilizando projetos promissores e incentivo a bolsas de pós-graduação.
Boa parte desse programa de destruição já foi testado no primeiro governo Requião (o do século passado), aperfeiçoado no segundo (o desse século) e, finalmente, em vias de conclusão no terceiro (e último?!?) governo.
Um governador que se notabilizou por receber o maior salário entre os governadores de todo o país (mais de R$ 22.000,00/mês); de empregar mais de quarenta parentes, num nepotismo inimaginável e odioso; de, num gesto de pequena grandiloqüência diante das câmeras de TV, comer sementes produtoras de biodiesel; de barrar o direito de ir-e-vir de pesquisadores do Estado; de sortear patrimônio público – um ônibus – entre deputados que participam de sua “escolinha [sic] de governo”; de destratar a dignidade de mulheres em discursos impublicáveis, etc., demonstram, em tudo, uma arrogância que tem feito colapsar todo um patrimônio que jamais deveria pertencer aos caprichos de um político cujo comportamento já cansou a opinião pública.
Enquanto escrevo essas linhas, mais professores-doutores (capacitados em longos anos e com recursos públicos) evadem-se das Universidades Públicas do Paraná, ou mudam de regime de trabalho, buscando a justa gratificação por uma vida dedicada à docência, à pesquisa, à cultura. Abatidos por uma série de atos que beiram a tirania; acossados por traições de colegas hoje ocupando importantes cargos da administração pública; e esquecidos pela opinião pública (essa última, abatida, por sua vez, pela doutrinação e pela propaganda política regada generosamente pelos nossos impostos duramente pagos), os docentes das Universidades Públicas, patrimônio incalculável do Estado do Paraná, despedem-se, esvaziando, diuturnamente, a qualidade adquirida ao longo de décadas. Da luta que caracterizou mais de trinta anos de resistência contra o arbítrio, restaram apenas poucos murmúrios daqueles que escolheram o silêncio como forma de protesto e, principalmente, como forma de mostrar, no futuro, o que representou a sucessão de governos que sempre fomentou o processo de destruição do saber sistematizado no Estado do Paraná.
Por todos os motivos expostos, só nos resta exclamar, diante dos inúmeros e grotescos “obrigados” com que o governador agradece a todo o silêncio popular, a frase: “Prossegue e nos destrói! De Nada, Requião de Nada”! Faz da tua história a lápide que não verás!
Escrito por martabellini às 14h14
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A vinda do Papa Bento Ratzinger

Salvador dali
O peso das falas das TVs contém uma força de persuasão na construção da imagem do Papa Bento XVI e produz no auditório uma outra imagem do conhecido Ratzinger. Desde a retórica aristotélica à pragmática contemporânea, esse processo da construção da imagem de si em um discurso é designado pelo termo ethos. Ethos é como representamos o orador (no caso aqui as TVs constroem o orador, o Papa). Ethos não representa somente o orador, somente o que ele enuncia, mas também as posturas como sorrisos, mãos que gesticulam, o tipo de andar, os olhares. O bom funcionamento do discurso (ou as interações verbais) dependem também das posturas adotadas pelo orador. As TVs estão fazendo isso para o Papa. Ele é mostrado como uma pessoa sorridente, que diz que mudou depois de ser transformado em Papa, vem visitar o Brasil dos pobres e desvalidos, vai canonizar um santo da América Latina, enfim, é outra pessoa. Não é o ethos do Cardeal Ratzinger que analisava documentos da Teologia da Libertação expurgando os pecados desta corrente. Não é o mesmo cardeal que destruiu a Teologia da Libertação expulsando ou condenando ao silêncio os teólogos da libertação. É um Papa que vem ao Brasil, terra brasilis, desesperançada, pronta para receber um salvador. Um auditório passivo. Ontem vi pela TV cenas de corais, cantores que vão cantar para o Papa. Perdoem-me os queridos amigos católicos, mas me pareceu a cena da primeira missa no Brasil. Nós, colonizados, adorando o colonizador.
Escrito por martabellini às 11h24
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