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Blog de Martabellini
 


Desqualificando os outros?

 

 

Passei um pouco pelos Blogs de Maringá e outros. Praceei (andei pelas praças)... Li no Blog do Messias Mendes que o prefeito de Maringá desqualificou o PT no chá das 6 horas quando atende as pessoas dos bairros de Maringá (e os empresários, a que horas atende?)

Ta na Bíblia:

Ah! Quem desqualifica aos outros a si quer qualificar!

Ou em Matheus:

Hipócrita! Antes de falar da trava dos olhos dos outros, tire a trava de seu olho.

 

Ta na sociologia de Pierre Bordieu:

Os intelectuais que desqualificam os outros para se qualificarem, são impostores, pois quem sabe das coisas não precisa desqualificar os outros para  fortalecer a sua teoria.

Ta em Freud (o Sigmund):

Cuidado! Quando você critica os outros, uma ponta sua é que está aparecendo.

Escrito por martabellini às 15h16
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Feliz aniversário, Julia!

 



Escrito por martabellini às 14h37
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Modesta proposta

 

Modesta Proposta é o nome do livro de Jonathan Swift, de 1729. Publicado pela Editora da Unesp, 2005. É o autor de As viagens de Gulliver. Quando eu era criança, acreditava que existia o país dos homens gigantes. Hoje, eu sei, após mensalões, mensalinhos, compras de laptops sem licitação pela Câmara dos Vereadores de Maringá, privatização de lixo e saúde, há mesmo é o país de homens pequenos. MAS, voltando ao livro Modesta Proposta, Swift descreve um país (a Irlanda, onde nasceu) onde as crianças pobres deviam ser servidas de antepasto às pessoas, pois não devem ser fardos para a cidade e seus cidadãos. Bebês pobres devem ser grelhados para não atrapalhar a vida no país. Hoje, de certo ainda comemos muitas crianças. Nas fábricas de tênis na Indonésia, de fome, diarréia, de descaso e de indiferença no Brasil e muitos outros países, inclusive os EUA.

Pensando em Swift descrevo uma cidade – lá no sul do Brasil – sem alarme e com certa pretensão tecnológica, a despeito das crianças e suas escolas, da privatização da coleta do lixo e da saúde, um grupo de vereadores se deu ao luxo de comprar sem licitação e com superfaturamento um monte de laptops. Deu uma CPI. Nada, nem ninguém fez algo errado. Ninguém é responsável pelo superfaturamento. Nem os vereadores que usam os tais laptops, nem o presidente da Câmara de Vereadores, nem o funcionário que fez a compra. País sinistro, cidade estranha. Como na Irlanda, aqui nesta cidade do sul maravilha se come a erva pública sem pesar algum. Na Irlanda comiam criancinhas. Que a moda não volte.



Escrito por martabellini às 14h36
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Não tem nada a ver

Mas minha filha insiste em rir disto:

http://www.youtube.com/watch?v=G3qu3dYG89k



Escrito por martabellini às 23h00
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Eu, grisalha

 

Bom, gente... uma notícia: estou grisalha. Cortei até no talo meus cabelos, fiquei tosada como uma ovelha. Uma ovelha feliz! E daí eu pude ver meus cabelos brancos.

Já os pintei de cor de rosa, azul e vermelhos. Agora to feliz com aquele brilho branco!

 

Segundo a Carla Rodrigues, do Blog Nominimo (link ao lado deste) as mulheres usam henna desde o ano 3.400 a.c. para esconder os brancos. Hoje uma associação norte-americana de cabeleireiros especializados em tintura diz que 35% das mulheres entre 18 aos 60 anos pintam os cabelos. A maioria começa aos 30 e pára aos 50 por vários motivos: estão cansadas de pintar os cabelos, está caro, os maridos gostam delas como elas são...

 

Eu sei lá por que desisti da tinta. Para mim, que os cortei ontem, está ótimo. Minhas alunas, amigos e outros acham que estou louca. Algumas amigas gostaram. O fato é que odeio ficar loura. O vermelho desbota e sobra um louro aguado. Meus cabelos sempre foram pretos. E me ver loura é demais! Não há cultura feminina que tolera isso.

 

Fui assistir ao filme O Diabo veste Prada só para ver a Maryl Streep de fios brancos. Adorei! Fashion demais!

 

Maryl Streep, O diabo veste Prada



Escrito por martabellini às 00h14
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Como era gostosa a minha Maringá

 

 

Já era previsível. Todos sabíamos que a volta dos irmãos Barros, do PP, na prefeitura de Maringá seria para botar fora o público e impor a privatização ou privataria. Privatizar seria sinônimo de economizar, MAS vindo de onde vem significa lucrar. E lucro é para alguns, não para a cidade. Hum... Os amigos empresários é que lucram. Os trabalhadores...ah, estes só atrapalham, podem ser fuzilados, teremos outros, e outros, mais outros. Mão de obra barata é que não falta, só não pode ser pública. Mãos à obra! Como Freud explicaria esta volúpia? Este prazer em devorar as coisas públicas, em tragar, sorver o erário público? Glup, glup, arghhhh, que gostoso comer! Comer os caminhões do lixo e implantar a privatização do lixo por caminhões privados pagos com a erva pública. Depois, de sobremesa, vão comer a saúde. O Secretário veio para Maringá com esta missão: preparar o cardápio privatista! Hum, hum... comer, comer a saúde!

 

Como era gostosa a minha Maringá!

 

O que fazer senão uma tentativa de entender o orgasmo da privatização?! Fui reler o livro do Erich Fromm, Anatomia da Destrutividade Humana.



Escrito por martabellini às 23h52
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Manual prático de Do-In

 

Lacroix

 

Como estou nesta semana falando de livros, fica aqui uma sugestão. É o livro sobre o Do-in; Manual Prático de DO-IN de Gerard Edde, Editora Record. É chamado de acupuntura sem agulha. Faço muito na nuca, meu lugar prefeito de tensão.

 

Você pode aprender a fazer a massagem no trânsito de Maringá, sobretudo, quando você é sabotada pela Avenida Horácio Racanello. Fica ali parada, neste horrível horário de verão (verão sem rio, lago ou praia)... então, faça massagem do-in no dedão da mão.. bem no V da mão. Você pode fazer massagem na nuca depois que vê os preços das mercadorias para este natal.

Para aplacar sua fúria quando vê centenas de árvores cortadas pelo prefeito e sua ONG amiga, não se preocupe: faça massagens na barriga. Aplaca os vômitos provocados pelo ódio que você sente ao saber que os cortes das árvores são votos na urna do prefeito.

 

Se a costureira de cortinas que a loja lhe indicou (aquela que não deu nota fiscal ) errou na medida e não lhe traz a cortina de volta, não se preocupe, faça massagens no rosto.

 

O livro diz o seguinte: “Aquilo que está velho ressurgirá .... o eterno retorno é o movimento do Tao...”

 

Se nada adiantar, faça a coisa ocidental certa: denuncie o prefeito e sua ONG ao Ministério Público, denuncie os comerciantes à Receita Estadual, pique as mangueirinhas que a ACIM (associação dos comerciantes) enrolou nas árvores; leve sua costureira ao PROCON.



Escrito por martabellini às 10h43
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Cecilia (nascida em 7 de novembro) homenageada pela Laura

Veja http://lauravive.blogspot.com/

 



Escrito por martabellini às 13h56
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Forte contravenção

 

 

 

...foi o que fiz hoje: comprei uma manta de um vendedor da Paraíba que despenca os estados todos, cai em Maringá e tem suas mercadorias confiscadas pelo Secretário Boeira. Depois que o secretário disse que os meninos fazem “forte contravenção” (pleonasmo) e confiscou as mantas do pessoal, eu jurei que ia comprar algo deles só para ajudar. Eu tenho um grande problema mental: gosto de pobres. Gosto daqueles que são injustiçados, daqueles que são confiscados de seus direitos. Isso sempre me dá problema. Mas, devo ser retardada mesmo. Onde o secretário vê forte contravenção, eu vejo seres humanos trabalhando neste infeliz país tropical. Por falar nisso: fui comprar peças para fazer cortinas para minha biblioteca. A loja não me deu a nota fiscal. Fico ali, olhando, observando: isso não é, também, forte contravenção?

 

Meu pai foi comerciante lá em Porto Ferreira, SP. Ficava fulo da vida quando eu falava em notas fiscais. Algo mudou da década de 60/70 para cá?



Escrito por martabellini às 13h44
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Do Blog do Claúdio Eugenio Luz

Ilustração Tráfego, Biratan.

Serve ao tráfego de Maringá.



Escrito por martabellini às 00h57
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Mais Jan Saudek



Escrito por martabellini às 00h52
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Para quem tem acima dos 50 anos

 

Mario Quintana

 

... um livro bom de se ler é o de James Hilman, psicólogo junguiano. O título: A força do caráter e a poética de uma vida longa. Editora Objetiva. Está falando da velhice. Hilman diz que na velhice substituímos o Cogito de Descartes, Penso, logo existo, por Fico irritado, logo existo. A fúria na velhice é um fenômeno regular. Sem ela, diz Hilman, nem Marx, nem Doroty Parker, nem Swift teriam escrito uma palavra. Seja por causa do desejo celular de viver ou por impaciência de ainda estarem vivos, os velhos se irritam mais. É o jogo da impaciência e da paciência.

 

Sabe aquele exercício que nosso terapeuta fazia com a gente? Aquele de saber falar não àquilo que não queremos fazer? Pois é: isto vem com a velhice. Muitos não entendem o que ocorre. Eu, por exemplo, estou afinando as garras. Não quero algo, não temo mais: digo NÃO. Tem alguém querendo ser orientado em um tema. Eu não gosto e indico outro professor. Pronto. Tem alguém me chavecando para escrever algo que não sinto nenhum tesão. Não escrevo.

 

Outra coisa que ocorre: se estou em um grupo alguém começa a falar de outra pessoa não presente, fico furiosa e vou embora. Não me interesso mais. Síndrome Oliver Sacks, o neurologista escritor.

 

Faz parte de nosso acabamento humano. Acabado em inglês significa finish line, linha de chegada. Acabamento também significa lixar, polir, brilhar. É expor seu estado de caráter. É não deixarem acabar com você, mas você deixar-se polir.

 

Yeats: “Rezo [...] para parecer, embora morra velho, Um homem tolo e apaixonado”.

 

Este texto é uma homenagem tardia neste mês de novembro aos mais velhos vivos e mortos, aos meus amados amigos da década de 70/80: Paulinho já morto, Marta Saia, Siri, Fran, Cida Bragione, Tarso, Sueli (mais jovem do que eu, mas velha na irritação), esta galera que habita meu coração e que dá saudade.



Escrito por martabellini às 00h31
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Compulsão por livros, por discursos...

 

 

Muitos livros. Este é o meu problema. Compro livros por compulsão. Comprei três livros da Editora Parábola. Os três sobre produção de discurso. Análise da conversação, um dos livros, parece ser uma obra clássica de como falamos. Outro livro que comprei, da Editora Contexto chama-se Discurso político. Vale a pena ler. Patrick Charaudeau descreve o ethos, uma das dimensões do orador (no caso, do estudo do autor, o político). É a dimensão que permite ao orador parecer, como diz Charaudeau, “digno de fé”, fidedigno, ponderado, sincero e amável. São categorias da retórica aristotélica retomadas no século XX por muitos estudiosos. Estou há dois anos tentando estudar isso tudo, o que está sendo delicioso!

 

Assim, com a cabeça nos livros e o pé na terra, fui fazer a feira da semana no lugar mais turístico de Maringá, a Feira dos Pequenos Produtores. Lá, entrei meu colega Professor E. que está estudando os diferentes discursos. Cheguei à feira às 18 horas e saí de lá as 21h30. Conversamos e rimos muito. Contou-me sobre as análises dos discursos dos políticos de Maringá, estes discursos já renderam monografias, dissertações de mestrado e doutorado. Viva a linguagem!

 

O discurso do prefeito de Maringá já foi, também, objeto de dissertação. Depois que ouvi o colega E. iniciei minha cruzada analítica das falas do prefeito. Por ora, tenho o seguinte: O Ethos é o de chefe-soberano que se direciona ao cidadão tomando uma posição acima dos conflitos. Para Charaudeau, é o chefe que se recusa a polemizar, quer elevar-se acima de tudo que pode produzir conflitos (para ele estéreis); toma atitudes de silêncio para tentar banalizar os adversários e encerrá-los em papel de comentaristas da vida política. Atenção blogueiros de Maringá! Cuidado com esta estratégia! Outro detalhe da construção do ethos do prefeito: ele deixa seus camaradas construírem a imagem boa dele (ver vereadores). Vou continuar esta cruzada. Uma dimensão sintática: o prefeito abusa dos ONDE, AONDE, PORQUÊS. Um abuso duro de engolir para quem gosta da língua culta.

 



Escrito por martabellini às 23h10
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Coisas interessantes

 

 

Os dois pingüins homossexuais. No Blog do Santos Passos. http://santospassos.blogspot.com/

 

 

O comentário de Marcelo Coelho do filme O ano em que meus pais saíram de férias.

 Sobre a obesidade e fantas mas obesos e o Lula de roupa nova do povo.

http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br

 



Escrito por martabellini às 17h49
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Viva o cinema 1 por Contardo Calligaris (Folha de São Paulo de 2/11/06)

 

 

Sempre “apanho” a coluna do Contardo às quintas. O comentário dele chega hoje, domingo. Ele fala de cinema. Eu gostei, pois estou em uma fase de assistir filmes. Na década de 70, em Ribeirão Preto, SP, ia às sessões de arte: Kurosawa, Bergman ...Em São Paulo estendi este sabor ao teatro.  O que nos diz Contardo? Veja abaixo.

 

Nunca sentimos tanto a unidade por trás da variedade das culturas: é graças ao cinema.


CHEGA AO fim a 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Fui convidado a fazer parte do júri. Funciona assim: concorrem ao prêmio os filmes de diretores "jovens" (a obra deve ser seu primeiro ou segundo longa-metragem), os votos dos espectadores da mostra selecionam 15 finalistas, entre os quais um júri de sete pessoas escolhe qual ou quais premiar.


Desde domingo passado, assisto a três ou quatro filmes por dia. Na minha adolescência, passava as tarde de sábado no cineclube do meu colégio e assistia a dois filmes. À noite, quase sempre, ia ao cinema. Mas era só um dia por semana.
Guardo com carinho os diários do meu pai; são quase 60 volumes, de 1936 a 1994. A partir do fim dos anos 40, em média três vezes por semana, meus pais iam ao cinema, anotavam o título, o diretor e os atores principais, atribuíam uma nota ao filme (de zero a dez) e escreviam brevemente por que tinham gostado (ou não). Quando me dou o prazer (um pouco doloroso) de ler os diários, sempre me surpreendo com essas anotações: há filmes que eles adoraram e que eu presumia que eles tivessem detestado.
Imaginava que eles reprovariam aqueles filmes que falavam de uma experiência próxima de minhas inquietudes e (portanto, eu supunha) afastadíssima da visão do mundo de meus pais; ora, tanto "Juventude Transviada" quanto "De Punhos Cerrados" ganharam um 9. Ou, então, pensava que eles não gostariam de narrativas inovadoras, pouco convencionais; ora, "Fellini 8 1/2" também ganhou um 9.

 
Há uma entrada, de 1974, que é enigmaticamente sintética. Apenas o título e a nota, sem comentário nem nome do diretor e dos atores: "C'Eravamo tanto Amati - 10".
Para quem tinha vivido a resistência antifascista, o filme de Ettore Scola ("Nós que Nos Amávamos Tanto") era um balanço que deixava sem palavras.
O cinema é uma arte maravilhosa: um filme consegue nos envolver numa história e num mundo (semelhantes ao nosso ou radicalmente diferentes dele, tanto faz) muito mais rapidamente que a leitura de um romance. Além disso, o cinema conseguiu ensinar sua linguagem a seus espectadores de maneira, por assim dizer, indolor: todos entendem e reconhecem campos e contracampos, inversões temporais e deslizes da realidade ao sonho. Ninguém precisou estudar dicionário, gramática e sintaxe: a narrativa era imediata e magicamente acessível.



Escrito por martabellini às 17h31
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 Viva o cinema 1 por Contardo Calligaris (Folha de São Paulo de 2/11/06)


Graças ao cinema, qualquer sujeito da segunda metade do século 20 se apaixonou, comoveu-se, indignou-se por uma diversidade inédita de histórias. Com isso, nunca como hoje tivemos uma consciência da unidade por trás da multiplicidade das culturas e dos destinos. Nunca como hoje tivemos a sensação de que a imensa variedade das experiências humanas (misérias e grandezas, sonhos e pesadelos) é apenas um repertório de vidas que poderiam todas ser as nossas -a ponto que, por um instante, numa sala escura, sentimos facilmente seu gosto.
Não é louco pensar (com otimismo) que os conflitos que se exacerbam hoje (entre culturas, religiões e mesmo entre os que têm mais e os que não têm nada) sejam sobressaltos penosos, que resistem à rápida expansão do sentimento de uma comunidade de destino. Na aceleração dessa expansão, o papel do cinema foi e é crucial.
Claro, nas próximas semanas, comentarei os filmes que mais me tocaram. Mas, desde já, gostaria de organizar uma sessão dupla. Um dos filmes é egípcio, "O Edifício Yacoubian", de Marwan Hamed; o outro é norte-americano, "Shortbus", de John Cameron Mitchell (espero que logo entrem em cartaz).

 
O filme egípcio é o retrato de um mundo dilacerado entre a nostalgia de um passado tradicional, a corrupção de uma plutocracia com ares de democracia e a tentação do fundamentalismo como forma de vingança. O filme americano é o retrato de uma geração perdida na procura impossível (e cômica) do orgasmo e do amor perfeitos. Pois bem, eu sonho com uma cabine em que sentassem para projeção dupla os governantes dos países ocidentais (a começar pelos EUA) e as elites políticas e religiosas dos países islâmicos. Na verdade, seria bom que os povos também assistissem: é minha proposta para começar a resolver o conflito que assola o começo deste século.


De todas as soluções propostas nas últimas décadas, é a menos estapafúrdia. Prova disso: com esses filmes ou com outros, ela já está acontecendo.



Escrito por martabellini às 17h30
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