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Blog de Martabellini
 


Gosto do insólito

 

 

Há alguns anos atrás eu mantinha os canais pagos. Tinha dois preferidos: Canal Casa (o programa Casas Insólitas) e o Animal Planet. Casas insólitas mostrava pessoas raras fazendo casas mais estranhas ainda. Eu sempre gostei de casas malucas. Quando eu era criança ia, com meu pai, em fazendas entre Porto Ferreira e Descalvado, SP, e via as casas grandes. Misteriosas, bonitas... Depois, em Ribeirão Preto, sempre procurava morar em “repúblicas” esquisitas. Me dava mal em apartamentos. Moro, hoje, em uma casa mais ou menos insólita, feita pelo meu amigo arquiteto Valter Dubiela. Ele fez algumas coisas que gosto para a casa: curvas, cacos (mosaicos), biodigestor, captação de água de chuva etc. Em São Carlos, SP, morei em um sobrado de 1950, chique, com paredes que pareciam conchas do mar. Gosto de pessoas insólitas também. As vezes, elas me intimidam, mas são interessantes. Outro dia, vi no Canal Rede Minas, uma mulher de cabelos bem curtos com um jeito insólito. Alguns blogs são assim também. Algumas garotas que pintam os cabelos e os recortam são insólitas. Tenho um amigo físico que, creio, é insólito também. Sabe latim, algo do grego, é super professor, dá aulas magníficas e é um alegre esquisito. Quando a gente se encontra na universidade, conversamos horas sobre nossos livros de cabeceira, Paul Tillich entre eles. Meu grande problema em ser insólita é que eu me envolvo com debates políticos, brigo com políticos, critico-os e, embora eu tenha sido criada por um pai malufista, que foi vereador em Porto Ferreira, SP, odeio a direita (mas amava meu pai).

Hoje é sábado e, como dizia Vinícius de Moraes, porque hoje é sábado, uma música insólita. Robert Crumb e sua banda do magnífico Blog da Beth Salgueiro. E Bom fim de semana para todos!

Robert Crumb & His Cheap Suit Srenadres

I Want a little Girl

http://images.bethsalgueiro.multiply.com/song/1/349/full/U2FsdGVkX1,CDAOAKIdOVEyYkzqlQQojVAvuSbaQ6Vq,,bvtG3Fe4CiXTz7I1vAC/R.%20Crumb%20%26%20His%20Cheap%20Suit%20Serenaders%20-%20I%20Want%20A%20Little%20Girl.mp3



Escrito por martabellini às 08h03
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Velhice chegando?

 

 

Meu médico perguntou o que eu mais queria fazer (ele é homeopata). Eu disse timidamente que queria lavar meus cachorros, ficar em casa sem muito lance. Estou de licença e ainda assim estou pondo em dia anos de trabalho acumulado (artigos, livro que escrevo, dissertações que corrijo...). Deixei de ver ou ouvir a CBN, coisas que gostava. Odeio ouvir o Sardenberg da CBN. Já briguei com ele em 2003 quando enviei um e-mail corrigindo-o. Estes analistas de Bagé são um uó, como diz a Mary. Estou brigando muito com meus orientandos. Parece que não enfrentam os livros, escrevem muito mal e eu surto. SURTO mesmo. Recebi uma carta dizendo que minha carteira de motorista vencerá dia 29/10. Puxa, que preguiça fazer outra. Decidi que não vou mais pintar os cabelos. Meus colegas e amigos estranharam. Acostumaram-se com os vermelhos. MAS, eu quero ver quem está debaixo dos vermelhos. Tanto trabalho. Queria parar tudo e me mudar de cidade. Adoro a universidade, gosto de cidade, mas 20 anos aqui não tiraram a minha saudade de São Carlos... Como se aposentar em Maringá? Aqui é a terra do trabalho, money, correria. Nem em São Paulo eu corria tanto. Eu ia ao teatro, ao cinema, aos museus. Sinto um certo incômodo em Maringá. Eu penso que é o excesso de lojas e a lacuna cultural. Pode ser saudade da diferença. Em São Paulo gostava das ruas cheias de artistas, livrarias, nordestinos, ingleses blá blá blá. Meus amigos que se aposentaram foram embora. Primeiro, foram embora aqueles que, sob um salário baixo de dar dó na era Requião de 1990, fizeram outros concursos. Eu também fiz, passei e não fui. Depois os que se aposentaram e mudaram-se de lugar. Uns para a praia, outros para o morro... To inquieta. Creio que um dia desses me decido por um lugar. Ou não.

Love of my life

Fred Mercury

http://images.bethsalgueiro.multiply.com/song/1/229/full/U2FsdGVkX1.AGItUoM5zdWmxghELrTiYEkJIcBlFh0hpraBlnrYdnD9BNEauAx0Z/Fred%20Mercury%20-%20%20Love%20of%20my%20life.mp3



Escrito por martabellini às 19h11
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Mentes brilhantes...

 

Do Blog Mamocos. Quando li isto deu urticária. Que qualidade de pensamento! Que lógica! Que inteligência! Que presença de espírito! Que coisa fofa! Que maravilha! Que bujizinho este vereador!

 

 

Veja só o saber do nobre vereador Dorival Dias (PSDB). A discussão era sobre uma alteração na lei que dispõe sobre o Passe Livre do Estudante do município, proposta pelo vereador Humberto Henrique (PT). O passe, tal como está, é pago proporcionalmente, todos os meses. Até dezembro e janeiros, durante período de férias a TCCC recebe da Prefeitura o montante em torno de R$ 300 mil. A alteração previa que fosse pago o realmente gasto a cada mês. Ao final de cada mês, a empresa informaria os gastos que seriam ressarcidos pelo Executivo, de acordo com a Lei. A vereadora Edith Dias (PP) disse que a alteração iria prejudicar o município e, portanto, votaria contra o projeto, porque a TCCC já teve gastos então tinha direito de ter lucros também. Pedindo a palavra o líder do Prefeito na Câmara disse que iria votar contrário também porque antes era a população quem pagava o passe do estudante agora é a Prefeitura. Que mente brilhante... Isso é que argumento consistente! Eu aguento isso! A vereadora Edith tentou corrigir a falta de tato para discursos do colega e disse que o município pagando, também é dinheiro da população que paga seu imposto. Marly Martin, vereadora pelo PFL, justificou seu voto favorável ao projeto e ainda acrescentou que se o Prefeito paga valores a mais do devido pode ser indiciado por improbidade administrativa.



Escrito por martabellini às 18h44
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Sexta-feira, dia bom

 

...começa a preguiça. Marina Lima para ajudar. Fullgás. Saudade de São Carlos, SP. Alô, Siri, alô, Fran, alô, povo bão!

 

http://images.bethsalgueiro.multiply.com/song/1/128/full/U2FsdGVkX191PeVaTdUfz74EzRLxlxENcesNA4A.Ed3HTuMdnImaSsxrx22HPEQQ/Marina%20Lima%20-%20Fullgas.mp3
Marina Lima - Fullgás

 

MEU MUNDO VOCÊ É QUEM FAZ

MÚSICA, LETRA E DANÇA

TUDO EM VOCÊ É FULLGÁS

TUDO VOCÊ É QUEM LANÇA

LANÇA MAIS E MAIS

SÓ VOU TE CONTAR UM SEGREDO

NÃO NADA, NADA DE MAL NOS ALCANÇA

POIS TENDO EM VOCÊ MEU BRINQUEDO

NADA MACHUCA NEM CANSA

 

ENTÃO VENHA ME DIZER O QUE SERÁ

DA MINHA VIDA SEM VOCÊ

NOITES DE FRIO

DIA NÃO HÁ

E UM MUNDO ESTRANHO PRÁ ME SEGURAR

ENTÃO ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ, É LÁ

QUE EU VOU ESTAR, AMOR ESPERTO

TÃO BOM TE AMAR

 

E TUDO DE LINDO QUE EU FAÇO

VEM COM VOCÊ, VEM FELIZ

VOCÊ ME ABRE SEUS BRAÇOS

E A GENTE FAZ UM PAÍS.



Escrito por martabellini às 11h03
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Insisto: Jabor é um chato narcisista

Ôps, puxei o Jabor, veio o FHC (rsrsrsrs)

 



Escrito por martabellini às 10h43
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Agora voto em Lula 1

 

Chico de Oliveira entrevistado por Flavio Aguiar e Gilberto Maringoni, Carta Maior

 

Para sociólogo filiado ao PSOL, campanha pelo voto nulo é um equívoco. Um futuro governo Alckmin representaria um aprofundamento das privatizações de FHC. No caso de Lula, “apesar de não esperar alterações na política econômica, há espaço para mudanças”, diz ele.

SÃO PAULO – Chico de Oliveira, 72 anos, é um dos mais respeitados sociólogos brasileiros. Pernambucano de Recife, ele é professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da mesma faculdade. É autor, entre outros, do hoje clássico “Crítica à Razão Dualista/O ornitorrinco” (Boitempo). Co-fundador do PSOL depois de ter deixado o PT no ano passado, Chico fala nesta entrevista dos impasses do governo Lula, das diferenças de projetos entre as candidaturas do PSDB e do PT e explica porque, depois de votar na senadora Heloísa Helena, agora vai de Lula. A seguir, os principais trechos de sua entrevista.


Carta Maior – O que está em jogo nestas eleições?
Chico Oliveira – Há duas coisas em disputa. Há uma corrida feroz em direção aos fundos que o Estado ainda controla, como os recursos do BNDES e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O BNDES é o maior banco de investimentos do mundo e deixa bem para trás o Banco Mundial. O Estado orienta os fundos de pensão. E há disputa pelos benefícios gerados a partir da dívida pública, que beneficiam cerca de 20 mil famílias, segundo pesquisa do professor Márcio Pochmann, da Unicamp. Essas 20 mil famílias lucram com a dívida pública, mas não a gerem. Que gere é o Estado. A diferença maior entre as orientações de Lula e de Alckmin, em termos amplos, é que o segundo promoveria uma privatização acelerada do que resta de ativos em mãos do estado. Lembremo-nos que, segundo os levantamentos de Aloysio Biondi, em dez anos, entre os governos Collor e FHC, privatizou-se cerca de 15% do PIB.

CM – Mas não há uma continuidade do projeto do governo FHC na gestão Lula? Qual a disputa real?
CO – A continuidade faz parte da disputa pela hegemonia na sociedade. Se nos lembrarmos da lição gramsciana, hegemonia é 80% consenso e 20% violência. Há um projeto em andamento na sociedade, que atrai os setores do topo e os setores miseráveis e o povão. Se Lula tem esse projeto político na cabeça, trata-se de um gênio político. Eu acho que ele não tem, pois age muito mais por intuição do que por planos pré-definidos. Ele atua levando as práticas do movimento sindical para uma esfera maior. Como se trata de disputa de hegemonia e não de uma revolução, é natural que ele não queira acirrar os ânimos em muitas situações de conflito. Ambos – PT e PSDB - têm projetos capitalistas, mas diferentes em sua forma.



CM – A elite não tem como suportar a chegada do povo sequer aos jardins da casa grande, não?


CO – Não, porque construímos um país de desigualdade abissal. Com uma situação dessas, só é possível exercer a dominação de classe sem mediações. Por isso nós tivemos, na média, durante o período republicano, um golpe ou tentativa de golpe a cada três anos. As próprias classes burguesas estão a uma distância muito grande do povo. Nessa situação, o sistema político e os partidos perdem totalmente seu sentido. Isso explica muito a aliança de Lula com Jader Barbalho, os elogios feitos a Delfim Neto e outros. É claro que os movimentos circunstanciais explicam esse tipo de aliança. Mas ela está construída num projeto mais amplo. Talvez o projeto não esteja pré-definido e venha sendo construído pelo Lula intuitivamente. Quando ele afirma ficar chateado pelo fato de os ricos não gostarem dele, está expressando esse projeto de hegemonia, de ligar dois extremos sociais. A aproximação com o Jader está dentro disso.

CM - Como o sr. vê a mudança tática que o Lula fez nas duas últimas semanas de campanha? Ele conseguiu sair do terreno que o Alckmin queria colocar o embate – o do moralismo – e passou para o da política, através do debate das privatizações.
CO – Sem dúvida ele é um tático muito bom, não sei se é um estrategista. Não sei se ele tem, alguma coisa mais consistente por trás. Se tiver, repito, trata-se de um gênio político. Mas acho que tudo funciona através da intuição.



CM – Com tudo isso, por que considerar a possibilidade de se votar em Lula no segundo turno?


CO – Acho que a reeleição é uma nova eleição. Os espaços que tínhamos em 2002, de outra forma, voltam a se apresentar, como a questão das privatizações. Esse era um tema proibido durante o governo Lula e ainda mais na era de FHC. Os que dissentiram foram marginalizados. Por que esse tema volta agora a ser central? Por que se abre uma nova disputa. Por isso, eu considero a possibilidade de se votar em Lula. Várias forças que atuaram dentro do PT voltam a ter chance de disputar esse governo. Estou disposto a voltar a correr esse risco, embora o governo não me agrade, seja capitalista e poderia ter avançado muito mais.



Escrito por martabellini às 10h41
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Agora voto em Lula 2

Continua a entrevista com meu sociólogo preferido, Chico de Oliveira. 72 anos, dono de uma lucidez, de luz e de intelecto. Ave, Chico!



CM – Como o sr. vê a campanha pelo voto nulo?


CO - Acho um equívoco e não por questões morais. Há um espaço que pode se alargar. Há diferenças entre o governo Lula e um possível governo Alckmin. Não espero mudanças na política econômica, ela continuará mesma. Mas há uma pequena chance de mudança. Por isso voto em Lula agora. E devemos usar oportunisticamente o fato de Lula precisar de votos agora, para colocar reivindicações que seu governo soterrou. Temos de atacar pelo lado social.

 

CM - O sr. filiou-se ao PSOL e seu partido tem outra posição...
CO - Há um equívoco no PSOL neste caso. Votei no primeiro turno em Heloísa Helena. Mas logo ela começou a desandar. Ela perdeu o voto de minha mulher quando, numa entrevista para a Globo disse, sobre o tema do PCC, que multiplicaria por dez o número de prisões. Minha mulher virou-se para mim e disse: “Aqui acabou meu apoio”.

 

CM – Que mudanças o sr. Espera de um futuro governo Lula?
CO - Se depender apenas das forças que apóiam Lula e da dinâmica que ele ganhou em quatro anos, não haverá mudança. Dependerá de nós, de um impulso vindo de fora.Há uma crença arraigada no Brasil de que é nos manches do estado que as coisas se solucionam. Em parte é verdade. Mas para se realizarem mudanças reais é necessário ativar a sociedade civil. Temos de incentivar muita coisa para influir. Não gosto muito de usar a expressão “movimentos sociais”, porque, fora o MST, não sei onde eles estão. Temos literalmente de encher o saco de um segundo mandato de Lula. Não podemos deixar em paz um próximo governo Lula. Se ele conseguir realizar seu projeto hegemônico com as orientações atuais, o futuro será sombrio. Teríamos de construir uma plataforma mínima, com alguns pontos básicos, como dar ao Bolsa-família o status de emenda constitucional e entrega-la à Previdência social, um dos órgãos públicos mais sérios deste país. Nas privatizações, há que se auditar e reestatizar algumas atividades. Mas eu não quero colocar condicionalidades para a votar em Lula, porque ele não vai ligar para isso. Precisamos é de uma pauta para orientar nossa ação.



Escrito por martabellini às 10h40
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VOTEM

Diga lá:

Quem vai derrubar Lula pimeiro?

Veja,

Isto É,

Globo/CBN,

Folha de São Paulo?

Estadão?



Escrito por martabellini às 19h03
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Patrulhamento

 

Blog da Beths

 

Luis Nassif, do Blog http://luisnassif.blig.ig.com.br/

descreve as patrulhas dos anônimos em seu Blog. São patrulhas de “corajosos anônimos” que querem que você diga aquilo que eles querem ouvir. Há uma coisa chata que é, como chama Nassif, a direita inculta e a esquerda nervosa.  No meu caso, tenho recebido anônimos de direita inculta. Se eu disser que há buracos na cidade, logo vem a ladainha: você é parcial, e os buracos do PT?  EU NUNCA ouvi uma bobagem desta. Você CONSTATA que há buracos na cidade e é chamada de parcial? Ora, é só cair em um buraco e vocês já saberão o que é ser parcial quando pagarem o borracheiro como eu paguei. A agressividade é algo próprio das mentes curtas, do pavio curto, daquele que lê, mas não pensa. Se eu estou contra o GOLPE do PSDB nestas eleições não significa que sou a favor de dossiê, de mensalão. Caraca! Que santa burrice!

Sobre os anônimos agressivos (além de diempax para eles) recomendo o Nassif: Diz o Nassif:


Quem são? Lá sei eu. São dois valentes anônimos que pululam em tantos blogs, cobrando coragem alheia, patrulhando, tentando ganhar pelo elogio ou intimidar pela insinuação. Da mesma maneira que seu avesso do avesso. Não há diferença entre a esquerda xiita e a direita inculta. Se você escreve o que querem ler, torna-se o orgulho da categoria; se não escreve, é o jornalista vendido. Da mesma maneira, com o mesmo estilo, a mesma agressividade do seu avesso do avesso.

É evidente que há uma enorme massa de leitores incomodados com a parcialidade da cobertura jornalística. Mas, em relação aos militantes, a parcialidade é dos dois lados.

Se sai uma capa da “IstoÉ” atacando José Serra, pouco importa se está bem fundamentada ou não. Na mesma hora espalha-se pela net a celebração por parte dos lulistas, a indignação dos anti-lulistas, com a mesma rapidez com que se espalha a indignação dos lulistas e a celebração dos anti-lulistas com as capas da “Veja”. E ambas são filhas do mesmo tipo de jornalismo.



O problema não é ser anti ou pró-Lula ou Serra. O problema é o estilo, o patrulhamento, a desqualificação é atitude torpe em si. Os que atacam Lula hoje em dia, se permitem toda sorte de arbitrariedades porque há um inimigo a ser destruído. Os que o defendem, se permitem toda sorte de manipulações, porque há um inimigo a ser derrotado.



Os que defendem o procurador Mário Avelar são os mesmos que atacavam Luiz Francisco e Guilherme Schelb; os que defendiam Luiz Francisco e Guilherme são os mesmos que atacam Mário Avelar. E os três, Luiz Francisco, Schelb e Mário Avelar, são filhos de um mesmo processo espúrio, aproveitador, manipulador.

Enquanto não se entender que os métodos é que devem ser combatidos, independentemente do lado que se esteja, não haverá avanço na disputa política. Continuaremos sendo um país de golpistas, quando oposição, de contemporização, quando governo.



PS - O Blogueiro não tem controle sobre a maneira como mudam as páginas do Blog. Aliás, não tenho a menor idéia sobre como as páginas mudam. Presumo que depois de uma determinada quantidade de matérias, a página vire. O comentário sobre a matéria da CartaCapital foi postado ontem à noite. Quem não tiver encontrado, basta clicar no primeiro link, depois da "Página Principal", lá em cima da home. Ou então, para facilitar, clicar aqui.



Escrito por martabellini às 18h57
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Do Blog A feminista, da Mary, ex-segundo sexo, um dos meus prediletos entre os favoritos (todos)

 

Eu queria dizer algo sobre horário político, ainda que eu não assista. Vejo só no final de semana mesmo. Mas é que o programa do Alckimin está tão equivocado. E a gente nota mesmo como o PSDB é um partido de quadros e entende o que o inestimável FHC quer dizer com se aproximar do povo. Porque em todo o programa eu notei que eles querem se aproximar do povo. Mas eles fazem isso subestimando o povo. O que é um erro. E um absurdo. E etc. Então num dos programas dele, sobre saúde*. Aí ela começa e entrevista um nordestino que mora em São Paulo. E o nordestino diz que tem certeza que o Geraldo fará pelo Nordeste e blá. Tudo bem. Ele precisa de fato dos votos do NE. Mas. O nordestino que ele entrevistou é advogado. E tem pinta de classe média. A gente sabe o que ele quis. Pretendeu não ser preconceituoso. Afastando a imagem do pau-de-arara. Mas é *o* tiro pela culatra. Porque dá a impressão que ele caga pros pau-de-arara**. Tem nojo de pobre. Então ele NÃO consegue falar com o eleitor que tá buscando. Daí ele começa a dizer que vai construir tipo um posto de saúde multi-especializado. Diz que vai ter ginecologista, cardiologista, endocrinologista, médico que cuida dos olhos. Eu quase caí da cadeira. Veja bem. Ele e a equipe dele consideram que pobre é BURRO. E que não sabe o que é oftalmologista. Daí traduz pra ficar compreensível. E afasta de vez. Porque é elitista. Subestima. E blá.

 

*E eu nem vou entrar no mérito dessa coisa do lugar-comum do discurso dele. Falo no rodapé mesmo. Porque ele começou dizendo que a saúde vem em primeiro lugar e que não se pode deixar pra amanhã. E explicou que saúde é um projeto pra ser construído passo a passo. Eu não sei como alguém tolera. Sinceramente. Tudo nele é assim. Bandido tem que ser tratado como bandido, ele vive dizendo. Alguém discorda? Alôou. Uma hora ele falou que saúde é médico, enfermeira. Tava esquecendo dessa.

**E no mesmo dia no programa do Lula apareceu um lavrador falando tudo errado e tal.

E o Roberto DaMatta ficou gagá de vez. Coitado. Matusquela geral.

 



Escrito por martabellini às 15h18
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Quinta-feira com CONTARDO CALLIGARIS 1
Folha de São Paulo
O Piauí é aqui

 

A condição básica de uma convivência democrática é que se goste da vida concreta

CHEGOU ÀS bancas o primeiro número da revista "Piauí". Li de cabo a rabo, numa noite.


Aprendi tudo sobre Salem, nossa antepassada etíope de 3,3 milhões de anos atrás. Acompanhei Roberto Jefferson no dia das eleições e conheci o poema que, nessa ocasião, ele declamou junto com o pai, Roberto Francisco.


Entendi que há uma luta entre as baianas do candomblé e as neo-baianas, que vendem acarajé evangélico. Soube dos comentários dos ex-presidiários do Carandiru sobre a morte do coronel Ubiratan.

 
Conheci Fernando Henrique Freire, degustador de café; conheci José Cândido Sobrinho, que, há vinte anos, defende seus direitos trabalhistas contra a massa falida dos Diários Associados; soube que, no Pará, há policiais militares que montam búfalos reluzentes.
Li uma grande reportagem sobre como se trabalha (e por quanto) no telemarketing; outra sobre o engenheiro brasileiro seqüestrado no Iraque. Li o diário de uma jovem imigrante "ilegal" em Nova York.


Soube o que fez e pensou o jornalista Ivan Lessa, ao estar de volta ao Rio de Janeiro, depois de 28 anos de ausência. Aprendi como vive e trabalha Guilherme Guimarães, o estilista das noivas, e como foi que um jornalista americano tornou famoso um tal de Fidel Castro.


Soube também que Bertold Brecht não era "flor que se cheire". Li sobre o papagaio, animal nacional, sobre o turismo na Molvânia (que não existe, mas poderia existir) e sobre o hipopótamo. Também li uma breve ficção de Rubem Fonseca.
Um leitor dirá: "Legal, você se divertiu à beça, mas, logo neste momento da vida nacional, cadê as coisas "sérias", cadê a política?". De fato, a revista oferece um portfólio de fotografias de homens políticos, surpreendidos naqueles instantes em que, por acaso ou por descaso, suas máscaras vacilam.



Escrito por martabellini às 15h01
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Quinta-feira com CONTARDO CALLIGARIS 2

Folha de São Paulo
O Piauí é aqui


Mas, para nosso leitor hipotético, isso não bastará. Ele insistirá na sua exigência, parecido com aqueles pacientes que, no consultório do terapeuta, sentem-se envergonhados ao falar das "bobagens" de seu dia-a-dia, como se seu cotidiano concreto não merecesse sua própria atenção e ainda menos a atenção do terapeuta.
Ora, na "Piauí", não há editoriais nem opiniões. Pela qualidade e pelo charme dos textos, a "Piauí" rivaliza com a "New Yorker", que a inspira.
Mas, embora eu seja um leitor inveterado da revista nova-iorquina, foi lendo a "Piauí" que entendi a relevância secreta do "novo jornalismo": ela não está no "subjetivismo" do repórter (que manifestaria seus estados de ânimo), mas no interesse pela vida concreta.
Não sei por que os colegas escolheram "Piauí" como título da revista, mas pensei o seguinte: não sei quase nada do Piauí, sei apenas que a capital é Teresina e acho o nome familiar e bonito (me faz pensar numa mulher simpática e conversadeira).
Agora, graças à "Piauí", sei que, desde 2005, em Teresina, há adolescentes praticando o badminton. É uma notícia sem importância? Não concordo, pela mesma razão pela qual acho que a chegada da "Piauí" é um evento político.

 
Os colegas da "Piauí", sem dúvida, acharão essa afirmação bombástica e retórica, mas fazer o quê? Aqui vai: a curiosidade e o carinho pelo cotidiano são os alicerces de qualquer política que não seja só vociferação. A condição básica de uma convivência democrática é que se torne relevante a variedade das vidas concretas, que são nosso Piauí, nossas terras desconhecidas ou silenciadas.

 
A "Piauí" nos traz esse Piauí, pelo Brasil afora. Considere "As Torres Gêmeas", de Oliver Stone. Alguns desdenharam o filme porque esperavam algo diferente: interpretações, quem sabe conspiratórias, dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 ou meditações sobre a perfídia da Al-Qaeda ou do atual governo dos EUA, tanto faz.
Ora, Stone contou a história de dois policiais enterrados nos escombros e da espera de suas famílias. Ele chamou isso de "As Torres Gêmeas", como se, naquele evento que alterou a cara do mundo, os fatos mais importantes fossem duas vidas concretas, duas vidas que, em geral, ninguém vê. Essa é a grandeza do filme.
"A Vida que Ninguém Vê" (editora Arquipélago), aliás, é o título de um livro imperdível de Eliane Brum, jornalista (hoje, da revista "Época").
É uma coletânea de relatos da vida cotidiana e miúda, escritos em 1999, para o jornal "Zero Hora". Eliane Brum é uma extraordinária repórter do Piauí de todos os dias.

 



Escrito por martabellini às 15h01
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Jabor, o bufão

 

Recebi e repasso.

 

Carta Aberta a Arnaldo Jabor

 

Quase perfeitíssimo truão,

 

Primeiramente, atente ao substantivo, e não desconfie de insulto. Os bobos da corte são, historicamente, mais que promotores de fuzarca ou desvalidos a serviço do entretenimento. Os realmente talentosos urdiam na teia das anedotas a crítica a seus senhores monarcas, traduzindo pela ironia a bronca popular.

 

Era o caso do ácido e desengonçado Triboulet, vosso patrono, uma espécie de grilo falante capaz de estimular as consciências de Luís XII e Francisco I. Tantos outros venceram no ofício, como o impagável Cristobal de Pernia, uma espécie de conselheiro extra-oficial de Felipe IV.  

 

Neste Brasil da pós-modernidade globalizante, el rei Dom Fernando Henrique Cardoso reviveu a bufonaria. No entanto, empregou-a de modo diverso, quase sempre como dissimulação hilariante para desviar atenções de sua ética de conveniência mercantil, tão bem definida por Dom José A. Gianotti, seu filósofo e encanador.

 

O ex-monarca utilizou ainda sua trupe de falastrões para promover a alienante festa pública sugerida por Maquiavel.  Portanto, nunca é exagero te parabenizar pelo empenho profissional.  Há anos, na ribalta televisiva, te devotas a divertir e iludir os "psites do sofá", mesmo depois que o tiranete a quem servias foi apeado do trono. Sempre diligente, conclamas e incitas, rebolando patranhas tal qual histriônico cabo de esquadra do restauracionismo.

 

Recentemente, contudo, causou-me espanto tua fúria salivante para edulcorar a participação do embusteiro Geraldo Alckmin no embate contra o grisalho herói de todos os sertões.

 

Como é próprio de teu ofício, fizeste rir ao embaralhar significados, ao abusar das hipérboles, ao exceder-se nos adjetivos impróprios, ao viajar na maionese das idéias desconexas.

 

No entanto, truão Jabor, prosperou aqui a dúvida. Que quiseste dizer com o clichê "choque de capitalismo"? Seria referência ao rombo de R$ 1,2 bilhão legado pelo embusteiro alquimista ao ressabiado governador Lembo? Ou seria apenas ironia herdada de teus predecessores, na profecia zombeteira de um novo "que comam brioches"?

 

Destacam-se também, como enigmas, tuas dupletas acres de escassa teoria. São os casos de "socialismo degradado", "populismo estatista" e "getulismo tardio". Eita, nóis! Que essas vigarices binárias nos viessem, ao menos, com sal de fruta. Né? Ora, de qual "socialismo" tratas? Será que resolveste, no supletivo dos sexagenários, estudar a industrial cultural e as idéias de Adorno? Hum... Pouco provável.

 



Escrito por martabellini às 14h53
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Jabor, o bufão 2

(continuando)

 

 

No que tange ao termo "populismo", arrisco uma resposta. Tu o compraste na escribaria de ordenança dos novos donatários. É coisa do bazar de tolices de Civita e Frias Filho. Acertei? Diga aí...

 

Mas o que queres dizer com "getulismo"? Pelo que percebi, escapa-te o fenômeno à compreensão histórica. Tratas daquele do Departamento de Imprensa e Propaganda?  Ou te referes àquele das necessárias justiças trabalhistas?

 

Outros exageros me encafifaram em tua anedota de encomenda. Tratas lisergicamente de um São Paulo "rico", como se construído dos empenhos da malta quatrocentona. Em teus seminários de apedeuta, desapareceu o povo. Evaporaram-se João Ramalho, Bartira, Tibiriçá, Anchieta, tantos mamelucos arabizados, tantos avós europeus aqui remixados, tantos irmãos nordestinos que ergueram nossos arranha-céus. Teu São Paulo mítico, tristemente, não admite a antropofagia.

 

E tem mais... Em tua pregação, o embusteiro Alckmin surge como legítimo herdeiro da alva elite construtora do progresso. Nesse delírio pós-positivista e lombrosiano, não há rastro da gestão criminosa dos privateiros tucanos, dos sonegadores dasluzeiros, dos pedageiros corruptos e dos sócios do marcolismo.  Não te rendeste ao excesso? Ai, ai, ai...

 

Agitando guizos, executas tua prestidigitação. Empregas, em simultâneo, o sapato pontudo para alojar sob o tapete o sacrifício juvenil na Febem, as nove centenas de contratos irregulares e o estupendo assalto ao tesouro da gente bandeirante. Não exageraste? És bufão ou advogado, truão Jabor?

 

Entre tuas deformações, tão valiosas ao ofício, suponho até mesmo a cegueira de um olho. Ignoras o júbilo de milhões de vassalos não mais famintos, agora metidos a escrever o próprio nome. Vê, quanto atrevimento! Tampouco registras a voz de ameríndios e afro-descendentes, agora perigosamente mais próximos de ti, a tomar lugar nos bancos das universidades. Não enxergas a energia elétrica nos grotões nem o canto de esperança dos humildes da terra, fortalecidos em cooperativas de produção.

 

Depois, qual demiurgo de botequim, dizes que o nasolongo Alckmin é "incisivo", enquanto o outro te parece "evasivo". Ladino que és, julgas os combatentes pelo aspecto cênico e não pela natureza das idéias. No caso do embusteiro alquimista, excedes ao elogiar o espantalho bélico, aplicadíssimo ao método de stanislavskiano. Ora, magnífico truão, todos vimos que o herói de todos os sertões é adepto de outra técnica. Pisa o palco de Brecht, revelando-se como realmente é, antes que se mistifique no papel de fundeiro de microfone.

 

Cantaste, portanto, a vitória do "limpinho", do "sem barba", do malcriado que imita Tyson. Como líder de torcida, vibraste na platéia, tuas pernas flácidas saltitando de contentamento, as mãos agitando invisíveis fitas coloridas. Ah, mas perdeste a razão...

 

Depois, destilaste teu parvo sarcasmo sobre o "povo", sobre a "mãe analfabeta" do operário e sobre os "pobres", em suma, sobre esses todos do "lado de cá". Na piada rancorosa, revelaste um desprezo moldado para a auto-proteção.



Escrito por martabellini às 14h50
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 Jabor, o bufão 3

(continuando)

 

 

Sabes o quanto é doloroso viver deste lado da linha, no território dos anônimos, dos que sofrem e trabalham de verdade. 

 

Se há dialética nesta missiva, agrego teus motivos. Sabes o valor de uma adoção real, ainda que precises caminhar de quatro, atado à coleirinha de el rei. Sabes o quanto é estratégica essa assepsia, esse descontato com o ímpio das ruas, dos campos e das construções.

 

Assim, me permito uma visita a teu passado. Tua obra "séria" resultou, caro truão, em enorme fracasso. E, disso, bem sabes. Por um tempo, tuas ventosas de sanguessuga agarraram algumas tetas públicas. Desse modo, pudeste alimentar teus espetáculos de terceira categoria, ainda que fizessem rir quando a intenção era pretensiosamente induzir à reflexão.

 

Incerto dia, pobre de ti, todo o oportunismo de parasita foi castigado, de modo que te encontraste novamente vadio, mergulhado na mais profunda frustração. Naquele momento, julgo, buscaste inspiração em Triboulet...

 

Na Vênus Platinada do decrépito Marinho, iniciaste tua pândega panfletária, calcada na manipulação marota de cacos de idéias. Nada por inteiro. Coerente para quem, por natureza, carece de  integridade.

 

Esse flashback permite, portanto, compreender melhor o roteiro cínico. Tanto faz se teu senhor largou o reino às escuras, se destacou piratas para pilhar o patrimônio público, se foi incompetente até mesmo para empreender no capitalismo que tanto celebras. Às tuas costas, no tempo, estende-se a terra arrasada pela peste do egoísmo, habitada de fariseus neoliberais e de peruas ridículas e mesquinhas. Por meio da ruidosa retórica de falso indignado, desvias o olhar público dessa paisagem da tragédia.

 

Para seguir o ato farsesco, fazes descer o pano da falácia sinistra do golpismo lacerdista, da distorção, da maledicência e da espetacularização do rito inquisitório. Simulas ver aqui, em alto grau, o que ignoras ali. Na telinha da "Grobo", distribui sofismas, injetas no sangue de Otello a desconfiança, patrocinas a intriga nacional. 

 

Poder-se-ia encontrar em ti o personagem Sacripante. Uma observação acurada, entretanto, revela mais um Silvério dos Reis das artes cênicas. Certa vez, me disse Henfil: "o pior humorista é o que vende sua comédia aos canalhas que fazem o povo chorar". Simples, didático, serve à elaboração de um código de ética de tua categoria.



Escrito por martabellini às 14h49
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Jabor, o bufão 4

(continuando)

 

 

Pois, tua notícia deturpada do embate, devotado truão, mostrou-se cômico engodo. Foi lá, teu embusteiro "truco-lento" dar com as fuças na parede. Saiu do campo laureado e enganado, pior que Pirro. Este, menos imbecil, admitiu que a vitória contra os romanos fora uma tragédia, o prólogo de sua ruína.

 

Portanto, o exemplo da derrota também te serve. Decisivamente, ainda que te gabes, jamais superaste Paulo Francis, o bobo da corte mais destro nessas artes de sabujo-rabujo. E se cultivas alguma pretensão de hegemonia, te sugiro mover o pescocinho atrofiado. Pilantrinhas peraltas, como Mainardi e Azevedo, emparelham já contigo, disputam hidrofobicamente a suprema magistratura da bufonaria. 

 

E, percebe truão, que a dupla tonto-fascista não te fica a dever: são também inescrupulosos, traiçoeiros e carregam a poderosa energia do ressentimento, sem contar que igualmente migraram do fracasso profissional para a aventura mercenária midiática.  

 

Por fim, adorável truão, ajusta o relógio da tua soberba. Não é hora de celebrar a ignomínia convertida em comédia.  Nem é momento de levantar a horda de rufiões da "ética" para cantar a vitória restauracionista. Para além dos simulacros do teu moralismo cínico, lambuzado de paroxismos impróprios, exercita-se o sabre do julgamento público, implacável, aquele cuja lâmina é afiada pelo tempo. Subiram os letreiros... Perdeste o charme. Perdeste a graça.

 

Mauro Carrara - Jornalista

 

 

Nota de Boca de Mídia sobre o autor:

 

Mauro Carrara é jornalista, nascido em 1939, no Brás, em São Paulo. É o segundo filho de Giuseppe Carrara, professor de Filosofia em Bologna, e de Grazia Benedetti, uma operária e militante comunista de Nápoli. O casal chegou ao Brasil em 1934, fugindo da perseguição fascista. Mauro foi para a Itália em 1959, por sugestão do amigo dramaturgo G. Guarnieri. Em Firenze, estudou arte, ciências sociais e comunicação. De volta ao Brasil, passou dois anos na Amazônia. Ao atuar na defesa dos povos indígenas, foi preso pelo regime militar. Libertado, voltou à Itália. Como free-lancer, produziu reportagens para jornais como L'Unita e Il Manifesto. Com o primo Antonino, esteve no Vietnã, no início da década de 70. Em 1973, no Chile, juntou-se à resistência ao golpe contra Allende. No Brasil, como clandestino, aproximou-se do cartunista Henfil, cujos trabalhos traduziu para uma revista alternativa italiana. Na década de 80, prestou serviços para a ONU em países como China, Iraque e Marrocos. Nos anos 90, assessorou ONGs brasileiras, especialmente na área de Direitos Humanos. Ainda atua na área de comunicação e relações internacionais.



Escrito por martabellini às 14h48
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Que ego, hein?

 

 

Recebi esta notícia. Álvaro Dias pode ser indicado para o Ministério da Educação se a gestão for a de Alkmin. Nem sei o que comentar, estou com preguiça para ampliar a análise, MAS que o Ego dele irá ficar inchado, ah, isso irá.

 

A notícia:

http://www.odiariomaringa.com.br/coluna.php?id=9

O Diário do Norte do Paraná, Maringá, 17 de outubro de 2006 - Dia a dia

  

Campanha

Senador Álvaro Dias, do PSDB, passou o dia ontem em Maringá, visitando rádios, TVs e jornais. Em todo lugar que foi, Álvaro questionou como o PT está gastando tanto dinheiro na campanha de Lula "se o partido estava quebrado".

 

Conta "Se Alckmin for eleito, quero saber de quem os credores do PT vão cobrar a conta pelo apoio", sapecou.



Ministro E ele deixou escapar uma boa, durante entrevista ao programa Dia-a-Dia, na Cultura AM: se Alckmin for eleito presidente da República, Álvaro Dias será ministro.

Matos Ele disse que caso Alckmin seja presidente "são grandes as chances" de seu suplente, professor Wilson Matos, assumir a cadeira de senador.



Educação Se isso ocorrer, ele será o ministro da Educação. Pouca gente se lembra que Alvaro Dias é professor.

 



Escrito por martabellini às 13h07
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A cidade está sendo desmontada ou de buracos e dolomita

 

 

O leitor já está às tampas comigo porque falo dos buracos. É verdade, estou repetitiva. MAS, todo dia, ou melhor, cada dia que passa as ruas por onde passo estão piores. Vou reclamar para quem? Para o bispo? Ora, o bispo apóia o prefeito ao que tudo me indica. A cidade já se parece com o final da gestão de Jairo Gianotto: tudo largado, árvores sendo cortadas em troca de votos, calçadas sujas e estragadas, buracos, crateras nas ruas, hospital municipal em frangalhos, uma imundície só. Para compensar esta erosão pública, o prefeito faz comício na praça da catedral, faz recantinhos de ginástica para idosos...faz a política da migalha. Imaginem, até caçar os nordestinos que vendem redes, esta administração caçou! As árvores que ainda não foram cortadas são emporcalhadas com a estética horrorosa das mangueirinhas que os empresários insistem em dar aos olhos famintos dos consumidores de final de ano. A cidade de Maringá tem como atrativo suas árvores (e não suas lojas como pensam os empresários), sua limpeza, sua manutenção...Aliás, tinha, não? Mas, ao que tudo indica vai piorar. Cidade, pólo turístico? Turismo se faz até nas cidades degradadas pelo potencial natural (praias, montanhas, rios) e isso nós não temos aqui. Lojas atraem turistas? Não, lojas atraem consumi