Comam soja, seus trouxas! 1
Do Blog de Marcelo Leite, link neste Blog

Reproduzido do artigo de Morton et al. na PNAS
O periódico científico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, PNAS, publica eletronicamente hoje um artigo de pesquisadores americanos, britânicos e brasileiros mostrando que a expansão do cultivo de soja está, sim, diretamente relacionada com o desmatamento na Amazônia. O artigo de Douglas C. Morton, Ruth S. DeFries, Yosio E. Shimabukuro, Liana O. Anderson, Egidio Arai, Fernando del Bon Espirito-Santo, Ramon Freitas e Jeff Morisette, promete a revista, poderá ser encontrado aqui.
Para quem não sabe, é uma briga velha e encarniçada. Os latifundiários da soja que operam em Mato Grosso, Estado campeão de desmatamento, sempre alegaram que não convertem diretamente mata em lavoura, mas sim que compram áreas de pastagem abertas anos ou décadas antes. Essa desculpa ganhou certa respeitabilidade acadêmica com um estudo de Antonio Salazar Pessoa Brandão, Gervásio Castro de Rezende e Roberta Wanderley da Costa Marques, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Agora, os especialistas de três países - entre eles do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) - dão o troco: com base em dados de satélite sobre vegetação e outros colhidos no chão, ao longo de quatro anos, concluem que 5.400 km2 foram diretamente convertidos em campos agrícolas, sem o estágio pecuário, com um pico de 23% do desmate estadual em 2003. Traduzo aqui o resumo (abstract) do artigo:
Escrito por martabellini às 14h13
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Comam soja seus trouxas! 2
A agricultura intensiva mecanizada na Amazônia brasileira cresceu mais de 3,6 milhões de hectares (ha) entre 2001 e 204. Não havia [ainda] sido quantificado se essa expansão da terra cultivada resultava do uso intensificado da terra anteriormente aberta para criação de gado ou de desflorestamento novo, o que tem implicações importantes para a dinâmica futura do desmatamento, fluxos de carbono, fragmentação florestal e outros serviços ecossistêmicos. Combinamos mapas de desmatamento, pesquisas de campo e informação de satélites sobre fenologia da vegetação para caracterizar o destino de grandes áreas abertas (>25ha) como área cultivada, pastagem de gado ou mata secundária em crescimento nos anos após o desmate inicial em Mato Grosso, o Estado brasileiro com a mais alta taxa de desmatamento e de produção de soja desde 2001. Em todo o estado, a conversão direta de floresta em área cultivada totalizou >540.000ha entre 2001 e 2004, alcançando 23% do desmatamento anual de 2003. A área cultivada abrangeu em média duas vezes o tamanho das aberturas para pasto (tamanhos médios de 333ha e 143ha, respectivamente), e a conversão ocorreu rapidamente; >90% dos desmates para cultivo foram semeados no primeiro ano após o desflorestamento. A área desmatada para cultivo e o preço médio anual da soja no ano da abertura da floresta estiveram diretamente correlacionados (R2 = 0,72), sugerindo que as taxas de desmatamento podem voltar para níveis elevados observados em 2003-2004, no caso de uma retomada dos preços do grão em mercados internacionais. Pastagens permanecem como o uso dominante da terra após a derrubada da floresta em Mato Grosso, mas a importância crescente da conversão maior e mais rápida de floresta em terra cultivada define um novo paradigma de perdas florestais na Amazônia e refuta a alegação de que a intensificação agrícola não leva a novos desmatamentos.
O artigo foi apresentado à PNAS por Ruth S. DeFries, recém-eleita para a Academia de Ciências americana (NAS). O envio de artigos é uma prerrogativa de membros da NAS que contorna o usualmente acidentado e demorado processo de revisão por pares (peer review) - basta dizer que o artigo foi apresentado em 27 de julho e publicado um mês e pouco depois, rapidíssimo para um periódico científico. Mas o estudo vem chancelado por um comentário elogioso de Carlos M. Souza Jr., do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), um especialista na área.
Escrito por martabellini às 14h12
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Candidato raundap

Tem coisa que pega, pelo menos na minha cabeça. Alguém no Toscorama usou o termo “raundap” para designar o sangue de um político e eu gostei. Candidato raundap ou Osmar Dias é, para mim, o candidato do Porto Paranaguá. Candidato não da cidade Paranaguá, é do porto. Não é candidato das cidades do Paraná. Nem de Curitiba, nem de Maringá. O porto precisa ser aberto para a soja transgênica (a soja da Monsanto) e é isso. Não é preciso uma tese sociológica para verificar isso. MAS, uma boa tese seria explicar o porquê de tanto Osmar em Maringá. Ei, você aí: me explica isso!
Escrito por martabellini às 14h07
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Cidades pequenas e não tão pequenas assim

Ontem tomei café em um bar e tinha restos de jornais do dia. Não convém dizer a fonte. Era um jornal da cidade. A página que li dizia: prefeito recebeu mais de 1000 pessoas. Li a notícia. Dizia o mesmo: prefeito recebeu 1000 pessoas na prefeitura. Ele, o prefeito recebe 15 pessoas por dia às quintas. Fiquei saboreando o café fazendo contas. Toda quinta multiplico por 4 quintas, em tantos meses....desisti da matemática e troquei por uma questão sociológica. Por que ele recebe as pessoas? O que dizem as pessoas? Quem são as pessoas? Por fim, substituí a pergunta sociológica por uma qualquer: E DAÍ? Pois é! E, daí que ele recebe 1000 pessoas? Às vezes, eu recebo 10 alunos. Outras 15, nos dias em que dou aula o número se eleva. MAS, e daí, eu dizer isso para vocês? É a mesma lógica da notícia do jornaleco: você não tem nada para dizer, mas tem página para encher.
Outra coisa que tenho pensado há 20 anos aqui em Maringá. Aqui as pessoas adoram citar alguém “famoso” como item simbólico seu. Por exemplo: meu vizinho é o médico tal. Meu irmão trabalha com o doutor advogado X. Quero meu cabelo igual ao da deputada Y (louro e mechado). O doutor fulano bateu nas minhas costas. Pierre Bordieu (eu também cito) diz que isto se constitui em capital simbólico: “sou advogado” (algumas muitas pessoas falam adEvogado uhuguhg), sou irmão do doutor, sou irmã da deputada, sou filha da senadora.... BEM, eu esqueci porque isto me irrita tanto.
Escrito por martabellini às 13h54
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Ainda bem que pneus não votam

Obcecada pelo excesso de buracos nas ruas e avenidas desta cidade, volto com a lengalenga: se pneus votassem, o prefeito estaria fora do governo.
Escrito por martabellini às 13h23
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Lenhadores, machados e outros pirados mais

A cidade que sobrou dentro dos buracos recebeu a visita de lenhadores e seus machados tecnológicos. Por onde passam sobram troncos das árvores plantadas há mais de 30 anos. Fazem um rastro de formigas (com desculpas às formigas) cortadeiras, espécie ONG fong. Isto é ONG abatedouro, ONG TÔ nem aí co verde, ONG vem que eu quero mais. Dá arrepio. Nem o Sexta–feira 13 serrou tanta coisa nos seus inúmeros filmes. Já sei, a espécie chama-se ONG Sexta-feira 13. Serra (não o do PSDB) o resto da cidade. Alguém aí: tem passagem para onde?
Escrito por martabellini às 23h47
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Há uma cidade nos buracos

Era uma vez uma cidade chamada Maringá. Ela desapareceu dias atrás, mas ao que tudo indica há sobreviventes. Já chamaram o exército de Brancaleone; chamaram, também, a manteiga Aviação. Os moradores que sobreviveram estão soterrados nos buracos das outrora ruas e avenidas. Há muitos barros sobre os maringaenses. Começou com um buraquinho, depois vieram mais 2 ou 3, depois eles se juntaram e formou-se um buracão. As árvores que sobraram estão enfeitadas com plásticos que no Natal se acenderão. Espera-se que as árvores acesas não caiam e torrem os pobres moradores soterrados.
Escrito por martabellini às 23h38
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Quarta, quinta e sexta na Idade Média

Desde ontem estou participando do V Ciclo de Estudos Medievais na Universidade estadual de Maringá. Coisa fina. Eu achava que o evento era para doutos na área e eis que descubro que nossas heranças medievais mesmo no Brasil século XXI são tantos. Vou, um dia destes, fazer comentários mais temáticos sobre este belo evento. Ontem eu estava postando alguma coisa, mas um erro da UOL levou meus textos para o beleléu. Hoje a coisa voltou ao normal: Times New Roman, fonte 12.... Ufa!
Escrito por martabellini às 23h28
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Quinta com CONTARDO CALLIGARIS

Av. Faria Lima, Berlim Leste
Graças a uma nova lei da Prefeitura de São Paulo, logo viveremos felizes em Berlim Leste
MINHA PRIMEIRA viagem a Berlim foi no começo dos anos 70, com um grupo de amigos militantes de esquerda.
Para quem vinha da Europa Ocidental, Berlim Leste era estranhamente monocromática. No fim do dia, a débil iluminação urbana instaurava uma penumbra amarela e opressiva: era a Viena de Orson Welles no "Terceiro Homem", sem o charme do claro-escuro. Pensávamos: os "camaradas" não vão desperdiçar watts para dar à cidade um ar de festa, precisam construir o socialismo e deixar a força para as fábricas. Não é? Alexanderplatz, com a sua Fonte da Amizade Internacional e o palito da torre da TV, parecia-nos sinistra.
Mesma coisa com Unter den Linden, apesar de nossas lembranças literárias. Alguém comentou: "Se ao menos houvesse letreiros luminosos e anúncios publicitários". Era uma constatação envergonhada: afinal, aquela iluminação parcimoniosa e a "sobriedade" da paisagem urbana deviam ser um ato de acusação contra a frivolidade do Ocidente. Ali, o pessoal se dedicava a uma tarefa séria e grande: tratava-se de construir uma sociedade em que cada um pudesse cuidar não do que ele tinha ou não tinha, mas de sua "essência". Nós, "alienados", sentíamos nostalgia da proliferação de outdoors e holofotes da Kurfürstendamm.
Voltamos para o Oeste no meio da segunda noite, com uma sensação de derrota, e ficamos passeando e conversando ao redor da estação do metrô Zoo, até o dia nascer. Era um bom lugar para meditar sobre a leviandade do Oeste, onde nos sentíamos em casa, e a tristeza do Leste, do qual acabávamos de fugir (como muitos alemães, mas sem correr os mesmos riscos). De um lado, uma idéia e um projeto só. Do outro, uma confusão de objetos e superfluidades. Descobrimos que, entre Alexanderplatz e Zoo, preferíamos Zoo, com sua mistura de desejos de consumo e vidas perdidas. Anos mais tarde, ao chegar ao Brasil pela primeira vez, a iluminação duvidosa das ruas evocou, na minha memória, a penumbra de Berlim Leste. Com esta (grande) diferença: a alegria que pipocava nas luminárias caóticas de barzinhos, armazéns e propagandas vistosas, embora curiosamente "démodées". Aparte: a escuridão das ruas não era sinal de escassez, mas de menosprezo pelo espaço público (as ruas eram escuras, mas as casas dos amigos que me hospedavam brilhavam como árvores de Natal). Pois bem, o prefeito e a Câmara dos Vereadores de São Paulo acabam de aprovar uma lei para melhorar a paisagem urbana. A partir de janeiro, sem mais nem menos, "fica proibida, no âmbito do município de São Paulo, a colocação de anúncio publicitário nos imóveis públicos e privados, edificados ou não". A maioria dos comentaristas aplaude: a ganância da iniciativa privada parará de desfigurar nossa cidade. Entendo, mas fico perplexo. A Folha de quarta-feira retrasada publicou, em primeira página, a fotografia de um trecho da avenida Faria Lima em seu estado atual e uma fotomontagem da prefeitura que mostra o mesmo trecho assim como será, uma vez a lei entrada em vigor: é a Faria Lima de Berlim Leste. Se a lei não instaurar apenas um rápido intervalo para reinventar uma nova e melhor presença de holofotes, letreiros e outdoors, viveremos em Berlim Leste, com a desvantagem de não ter um sonho (ou pesadelo) utópico para justificar a monocromia e a penumbra de nossa cidade. Tudo bem, quando a gente não agüentar mais, restará passear pelos shopping centers, que permanecerão como ilhas de uma estética que não despreza o caleidoscópio desordenado dos desejos que é nossa "essência", fútil, mas (é sua vantagem) volúvel e plástica.
Ninguém parece se preocupar com a perda cultural que seria produzida pelo sumiço das propagandas. Somos uma sociedade de indivíduos. Não temos em comum nem uma fé nem uma tradição coesa.
Compartilhamos dois repertórios: o de nossos sonhos (as ficções, as músicas etc.) e o de nossos desejos desordenados, cujos caminhos coletivos aparecem, por exemplo, nas mil seduções dos anúncios que decoram o espaço no qual vivemos juntos. Se você não acredita que esse segundo repertório possa ser uma parte relevante de nossa cultura e de nossa história comuns, faça uma experiência simples: folheie com amigos o maravilhoso "Almanaque dos anos 70", de Ana Maria Bahiana (Ediouro).
Escrito por martabellini às 23h22
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Escrito por martabellini às 23h25
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Mil desculpas:
mas as letras estão saindo fora da norma e eu não consigo acertá-las. Problemas com o chip na frente da computador...
Escrito por martabellini às 23h24
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Um dia bom

Fui assistir as apresentações de trabalhos e a palestra do V Ciclo de Estudos Antigos e Medievais do Paraná e Santa Catarina na Universidade Estadual de Maringá. Coisa fina mesmo. Hoje a noite a palestra foi sobre cinema e medievo. Muito BOM! A tarde assisti uma boa apresentação sobre São Tomás de Aquino e leitura. Em outra oportunidade vou falar sobre o que ouvi ou vou pedir ao José de Arimatheia, o autor, da Universidade Estadual de Londrina, que escreva para este Blog. Finesse!
Escrito por martabellini às 23h03
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Povo? Para quê povo?

Li, agora a noite, no Blog do Mamocos sobre a votação do Plano Diretor na Câmara de Maringá. A Câmara, mais uma vez, faz o que o prefeito quer e se submeteu ao Secretário Guatassara Boeira (aquele que confiscou as redes dos trabalhadores nordestinos aqui em Maringá e os acusou de fazer forte concorrência com o comércio da cidade, ou forte contravenção, quá quá quá). O Secretário lembra-me o General Figueiredo, o presidente, que preferia o cheiro de cavalo a de gente. Mandou ver: POVO? Que povo que nada e mandou os vereadores votarem e eles votaram...
Plano Diretor e a Participação Popular ( Do Mamocos)
O debate sobre o projeto do Plano Diretor foi quente. O primeiro vereador a usa a tribuna foi Valter Viana. O vereador afirmou não ser possível aceitar que um projeto tão importante venha para ser votado em REGIME DE URGÊNCIA. Foi sucedido por Mário Verri que iniciou falando de sua conversa com o secretário Guatassara Boeira: ...eles não se entendem dentro da Prefeitura. Segundo Verri, Boeira não pretendia enviar o projeto para ser votado hoje. Parece então que lá existe falta de diálogo e imposição. Vereador Humberto Henrique confirmou a fala do super secretário Boeira de que deveria enviar o projeto original e considerou um desrespeito à população a atitude do Executivo. A vereadora Marly Martin, na mesma linha criticou o regime de urgência. Ao falar da necessidade de um espaço para discussão do projeto do Plano Diretor, John a interrompeu para dizer que ela (Marly) estava em campanha, mas, havia acontecido "até" Audiência Pública. Não deu outra - amor antigo -, Marly detonou: "... eu sei que houve audiência e eu participei o senhor é que não estava."
O REGIME DE URGÊNCIA foi aprovado com 11 votos favoráveis. A Comissão de Políticas Gerais se pronunciou contrária ao mérito da matéria do projeto. A justificativa da base do prefeito é de que haveria um prazo até 10 de outubro para a aprovação do projeto sob pena de punição por improbridade administrativa para o Executivo e também ao presidente da Câmara. Contudo, a falta de participação popular, argumento da oposição, também pode acarretar no mesmo crime administrativo. A falta de Participação Popular, devidamente justificada, garante legalmente, a prorrogação do prazo estabelecido por ser uma exigencia incondicional do Estatuto da Cidade e garantia constitucional.
Escrito por martabellini às 22h32
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Deu a louca no inglês?

Li, hoje, na Folha de São Paulo: “Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia”
O governo inglês, por meio de David Miliband, secretário de Meio Ambiente britânico, divulgou na semana passada no México um plano para transformar a floresta amazônica em uma grande área privada. O anúncio foi feito em um encontro realizado na cidade de Monterrey, segundo informou o jornal "Daily Telegraph". O evento reuniu os governos dos 20 países mais poluidores do mundo.
A proposta inglesa, que conta com o aval do primeiro-ministro Tony Blair, visa a proteger a floresta, segundo Miliband. O próprio político admitiu que a idéia está em seu estágio inicial e que será preciso discutir as questões de soberania da região com o Brasil. O plano prevê que uma grande área da Amazônia passaria a ser administrada por um consórcio internacional. Grupos ou mesmo pessoas físicas poderiam então comprar árvores da floresta.
Escrito por martabellini às 16h42
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Declaração de voto 1

Fico vagando, quando estou muito aflita, pelos Blogs. Como se andasse pelas ruas de Londres sob o fog ou vagasse pelo interior dos livros de Agatha Christie. Se ouço rádio fico irritada com a felicidade tucana de quase todos os comentaristas. Até parece que os políticos de direita se converteram em santos. Leiam esta declaração de voto. É do Blog
http://marcuspessoa.blogspot.com/2006/09/declarao-de-voto.html
(este artigo é dedicado à Mary)
[atualizado] Senti-me na obrigação de declarar meu voto para a reeleição de nosso eneadáctilo presidente. No momento em que a lambança de Berzoini e cia. abre nova temporada de martelagem da idéia mentirosa de que "este é o governo mais corrupto da história", é preciso tomar partido. E não é, claro, pelo armagedon prometido pelo Mingau de Chuchu.
Lula não é nem de longe o presidente dos meus sonhos. Já demonstrou que não tem lá muito espírito republicano, e agora deu pra investir numa imagem de "pai dos pobres" que é uma caricatura de Getúlio. E ele não é Getúlio, que com todos os seus defeitos mudou a cara do país. Lula é uma decepção, afinal, como ele mesmo disse, "não tinha direito de errar", e errou, muito.
Mas eu rejeito a lógica binária, o preto no branco. A decepção é grande porque esperávamos muito dele. No entanto, o governo é de razoável pra bom, dá pra passar de ano, embora talvez fique de recuperação (segundo turno). Preciso citar os dados? Crescimento de emprego e renda, principalmente dos mais pobres, diminuição drástica da miséria absoluta, inclusão de milhares de jovens de baixa renda no ensino superior, competente gestão macroeconômica (diminuição do crescimento da dívida, recorde na balança comercial), combate implacável à corrupção.
"Combate à corrupção, como assim?" Bem, já falei o que penso do mensalão neste artigo no Bombordo. É um escândalo localizado, cujo montante desviado é pequeno comparado aos demais, e que pela posição proeminente dos petistas envolvidos tomou uma dimensão que não tem, e não reflete a posição institucional do governo.
A corrupção existe em qualquer governo do mundo, e reconhecer isso não é capitular à sua existência. O Estado brasileiro é uma máquina imensa, tem muitos operadores de baixo escalão, e a corrupção é endêmica há muito tempo.
Escrito por martabellini às 15h25
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Declaração de voto 2

(continuando)...
O principal é saber se o governo toma providências contra ela. E sobre isso, posso citar a carta branca que Paulo Lacerda ganhou para que a Polícia Federal investigasse todo e qualquer esquema de corrupção no governo, mesmo envolvendo aliados do presidente. O atual Procurador-Geral da República tem uma atuação independente, não é um engavetador-geral como Geraldo Brindeiro, indicado por Fernando Henrique. E posso também falar do ótimo trabalho de Waldir Pires na Controladoria Geral da União, que investiu na transparência dos gastos governamentais.
Então, antes de virem com patacoadas do estilo "os lulistas desculpam a corrupção", leiam estes argumentos, tá? Eu sei que a novela dos escândalos na TV é palpitante, mas também é pulp fiction da pior qualidade. Não é por aí que vai se entender o Brasil.
O que eu vejo, agora, é que muitos amigos progressistas ou de esquerda, que iam votar nulo ou em Cristovam Buarque, estão reavaliando suas posições e devem votar no molusco mesmo. Eu também já flertei com ambos os votos, e sei que Cristovam é uma pessoa de bem, mas é muito fácil pra nós, intelectualóides em escritórios refrigerados, dizer "não vou me misturar com isso", criticar Paulo Betti e cia., e na prática abdicar de ter voz ativa nos destinos do país. Sim, porque votar nulo ou em Cristovam é deixar de votar no menos pior e permitir que o muito pior vença.
Essa eleição tem um caráter plebiscitário e a direita já percebeu isso, seu discurso é "Alckmin ou o caos". E o plebiscito nem é sobre o governo Lula, mas sobre concepções diferentes de governar.
Ignorem as teorias conspiratórias sobre Opus Dei e etc e se concentrem no principal, o que efetivamente Alckmin faria se fosse eleito. Os sinais são claros: desmonte do Estado ("forte ajuste fiscal"), criminalização dos movimentos sociais, fascismo penal ("leis mais duras"), subserviência aos interesses dos Estados Unidos ("acordos bilaterais"), e uma gestão macroeconômica entregue na mão dos tecnocratas que quebraram o Brasil no governo Fernando Henrique. Dêem como certas, reformas previdenciária e trabalhista duríssimas, menor combate à miséria, volta da penúria nos orçamentos nas universidades federais, etc. Alckmin é a direita da direita.
Por isso, achei que deveria me posicionar assim, publicamente, sob o risco de ser carimbado de "petista" (o que deixei de ser há mais de dez anos, quando me desfiliei). O mundo está em transformação, e o Muro de Berlim caiu sobre um monte de certezas que tínhamos. Mas eu não fiz como certos porra-loucas que passaram da ultra-esquerda para a ultra-direita, sem escalas. Eu ainda acho que o país tem jeito, e não é com o Plano Armagedon que lhe é apresentado pela oposição.
PS: sobre o fascismo penal, leiam este este artigo de André Kenji, sobre o tenebroso Secretário de Segurança Pública de São Paulo. http://andrekenji.com.br/weblog/?p=577
PS 2: após o "debate" da Rede Globo, fico cada vez mais convencido de que votar em Cristovam Buarque é votar em Geraldo Alckmin, não há diferença alguma. O senador do PDT foi de uma sabujice incrível, praticamente fazendo jogo de equipe com o ex-governador tucano. Aparentemente, ele está cavando uma vaga de ministro numa possível equipe do Chuchu.
Não tenho como dizer o mesmo de Heloísa Helena, que, apesar de toda a deficiência de seu programa, mostrou-se igualmente crítica ao PT e ao PSDB. Só me resta respeitar a sua candidatura, apesar de, em outros momentos, ela ter dado a impressão de mimetizar o discurso pseudo-moralista da oposição de direita.
por Marcus Pessoa, às 04:23 -
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Comentários (67)
Escrito por martabellini às 15h24
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Lula dependerá da generosidade da esquerda

Lula expulsou o Babá, a Heloisa Helena e o João Fontes por votarem contra a Reforma Previdência, a primeira reforma que fez em seu governo e a primeira tacada contra os trabalhadores. O maldito deputado professor Luizinho, vulgo Cabo Anselmo (que não ganhou em São Paulo e era previsível sua derrota), ajudou nesta terrível empreitada que até os tucanos amaram. Fez a política que o FHC não conseguiu fazer. Amarrou os outros deputados e estes ficaram quietinhos sob sua batuta. Entre estes, um deputado no qual sempre votei e deixei-o de lado nestas eleições, o Dr Rosinha. Lula demitiu o Cristóvão Buarque por telefone. E deu no que deu, este apoiará o Geraldo, tenho certeza. Foram ficando à sua volta os amigos sindicalistas, aliás, os mais burros. Que, por sua vez, como burros e arrogantes que são, fizeram a burrice de cair na cilada do PSDB do dossiê contra o Serra. O que farão as pessoas de esquerda, agora? Tenho certeza que votarão em Lula. A esquerda, pode não parecer, é generosa. Apanha dos próprios colegas e ainda assim os auxilia. Já sei que muitos amigos que saíram do PT votarão no Lula no segundo turno. Generosos amigos!
Uma felicidade: o inescrupuloso professor que bateu em professor em Brasília para garantir seu apoio à Reforma da Previdência, foi varrido do cenário da Câmara dos Deputados. É o Professor Luizinho...que agora fará parte da Disney World com Huguinho e Zezinho, os sobrinhos do Pato Donald. Vida longa à Disney!
Escrito por martabellini às 11h19
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Em São Paulo, picolé de chuchu caiu no gosto do povo

Sem graça, arrogante, mulher que ganha 400 vestidos chamada de Lu Daslú... e Geraldo Alkimin ganha em São Paulo e no estado todo. Alkimin arrasou a universidade pública no estado. A Unesp, por exemplo, não tem contratação de professores há anos...mas quem liga para universidades públicas? Geraldo fez discurso contra a corrupção, não falava de qual corrupção. Poderia ser a de sua Caixa Econômica Estadual... As acusações genéricas deram tanta volta que desaguaram no dossiê. Aí, sim, que o insosso Geraldo dançou sobre as cabeças dos sindicalistas e do presidente Lula. No debate Geraldo fez aliança com o Buarque. Os dois quase deram as mãos. Se o Geraldo ganhar quem volta para o Ministério da Educação: Cristóvão ou o ex-ministro do FHC que quase privatizou as universidades federais? Guilherme Fiúza do Blog Nominimo faz uma análise interessante. Se quem está na frente das pesquisas não ganha, se quem fala em corrupção sem dizer nada e o discurso pega, se quem não tem carisma e ganhou em São Paulo, sobra uma única explicação singela: picolé de chuchu caiu no gosto do povo em São Paulo!
Escrito por martabellini às 11h01
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E, agora, José?

Agora, vamos para o segundo turno. Vamos ver o debate, quem nos convence mais. Para onde migrarão os votos do Cristóvão Buarque? Uma boa parte irá para o Geraldo, sem dúvida. Outra parte talvez migre para o Lula. Os votos do PSOL e PSTU? Com certeza, uma boa parte anulará. Outra parte votará no Lula? Será? Não sei como o Lula e os petistas costurarão apoio a quem expulsaram do PT. Vamos ver os acontecimentos já a partir de hoje, segunda-feira.
Escrito por martabellini às 10h03
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