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Blog de Martabellini
 


Debate na TV, fim da política etc

Tirei o dia para terminar as tarefas de publicação. Estou tão atrasada com estas tarefas! Fico corrigindo dissertações, teses e meus escritos vão para o brejo. Depois somos chamados de professores improdutivos. De manhã o Blog não estava no ar. Reclamar com a UOL? Deixei de lado, pois precisava fazer outras coisas. De modo que já é tarde para falar sobre o debate de ontem na Globo. Ouvi a Lucia Hipólito. Não me convenceu. É uma incógnita saber se foi bom ou não para o Lula não ter ido. Penso que ele ficou com medo. MAS, até eu ficaria. Seriam três contra um, ele. E todos falando de mensalão, de sanguessuga e Operação Tabajara. Vi um pouco do debate. O Lula mesmo não estando lá teve sua participação garantida: todos fizeram perguntas a ele. Poderiam ter feito por celular. O Alkimin, ou melhor, Geraldo, como ele agora quer ser chamado, se comportou como um político bem tradicional: postura de voz, entonação, corpo ereto. A Heloisa dá nos nervos quando usa seus diminutivos. O Cristóvão foi bem. Entre os três destacou-se, talvez porque eu seja professora.

Tô aqui pensando com meus botões: se você fosse o Lula, você iria ao debate? Pelos princípios democráticos, deveria ter comparecido, mas pela situação atual...

A idéia de que o Lula tem votos do povão porque faltam estudos a esse pessoal é burra. A noção de que o povo é pragmático (ouvi na CBN nacional) é preconceituosa, pois a classe merdia vota nos barros, nos alquimins, nos ....por puro pragmatismo. E por que o povão não pode ser pragmático? Ou seja, por que não pode querer mais salário, mais bolsa família, mais isso, mais aquilo? Êta, elite besta, só ela pode querer! Eu odeio a elite! Odeio esta arrogância.

Minha queda para votar no Lula acaba quando me lembro da Reforma da Previdência, dos 11% descontados do salário quando eu estiver bem velha, com osteoporose, com câncer talvez.... na fila do SAS (SUS para professores). Morro de medo de a velhice me apanhar com estas doenças duras. Vou assinar já um documento pelo direito à eutanásia. Assim deixo a cota inteira do salário para o estado. Na semana que vem preciso ir ao médico, para tomar umas fluoxetinas porque já vem de longe minha irritação com quase tudo.



Escrito por martabellini às 18h40
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Quinta feira com Contardo Calligaris

Um filme de amor

 

 

 

O interesse pelo vídeo de Cicarelli revela que somos sobretudo frustrados no amor

À FORÇA de receber links para o vídeo de Daniella Cicarelli, acabei dando o clique e assisti ao filme.

 
São quatro minutos e meio, editados a partir de duas horas de gravação e entrecortados por subtítulos, que introduzem diferentes momentos do convívio do casal. Os subtítulos são em castelhano.

 
Normal, visto que os fatos aconteceram na Espanha, e o "paparazzo" era espanhol. Mas as frases, numa língua estrangeira e próxima, facilitam, para o espectador brasileiro, uma atitude irônica e zombadora, como se pertencessem a um português macarrônico.
De fato, nas conversas destes dias, o vídeo é sempre evocado com um tom maroto e, sobretudo, burlesco.

 
À primeira vista, o cômico parece servir para que o espectador esqueça a posição (incômoda e envergonhada) que ocupa: a de uma criança com o olho colado no buraco da fechadura ou, pior, a de um adulto salivando à vista de frutos proibidos.
Digo logo: suspeito que o cômico, neste caso, proteja o espectador de um outro incômodo, maior e, de certa forma, mais triste.
Falando em frutos proibidos, é importante salientar que o vídeo não é nada "ousado". Um sujeito que estivesse procurando por pornografia na internet certamente o descartaria sem hesitação e encontraria, com facilidade, imagens bem mais explícitas.
Alguém dirá que o interesse pelo vídeo depende unicamente do fato de que uma "celebrity" seria assim "exposta". Os títulos (infames) que acompanhavam os e-mails com o link iam nesse sentido. Algo assim: olhe só, Fulana está "dando" na praia... Ou seja, os brasileiros seriam fascinados pela "descoberta" de que uma "celebrity" e um lindo moço se desejam, beijam-se, acariciam-se etc. Essa cena nos ofereceria a certeza confortante de que os deuses do Olimpo não são muito diferentes da gente. Seria um pouco como uma foto de Lula ou de Alckmin mordendo um sanduíche cheio de mostarda e ketchup ou entrando com urgência num banheiro. "Te peguei!".
Pois é, não acredito em nada disso.


Por duas razões.

 
Primeiro, o vídeo nos mostra um casal que não tem nada de "jet-set". Eles não estão num iate na Sardenha nem numa enseada de sua ilha privada. Estão numa praia qualquer.
Tomam um refresco, comem um sorvete, tiram aquela foto que todos já tiramos, esticando o braço e recuando as cabeças para pegar o sorriso dos dois. Há um momento em que a moça puxa os cotovelos do moço para que ele a abrace; o gesto é comovedor de tão familiar.


Segundo, o distanciamento (facilitado pelos subtítulos irrisórios) mostra o seguinte: o espectador se arma de uma boa pitada de cômico para encarar uma visão que, sem isso, poderia magoá-lo (em geral, rir é um jeito de afastar de nós algo que preferimos ignorar). E acontece que, neste caso, o que queremos afastar certamente não é uma extravagância sexual, explícita ou implícita, pois o vídeo não é de sexo; é um vídeo de amor, um excelente vídeo de amor. Ele poderia ou deveria ser proposto como exemplo nas escolas de cinema, não por suas qualidades técnicas, mas porque é raro que os cineastas consigam mostrar tão bem os gestos do desejo entre duas pessoas que se gostam muito e que se amam (que seja por uma semana, um ano ou uma vida, tanto faz).
A delicadeza dos beijos, dos toques, dos abraços do casal falam de um momento de felicidade amorosa que é o verdadeiro "escândalo" do vídeo. É contra essas imagens de amor que o título chulo e os subtítulos irônicos protegem o espectador, guiando-o para que se convença de que ele está assistindo a alguma devassidão ou se divertindo ao constatar que uma "celebrity" fez "aquilo" que nem a gente.

 
Sem esse desvio da atenção, o vídeo seria, para quase todos os espectadores, tocante e talvez intoleravelmente triste. Por quê? Simples: alguns podem ser frustrados no sexo, outros podem ser invejosos e estar a fim de dar um pontapé nos pedestais que eles mesmos erigem, mas muitos sentem a falta da delicada intimidade do desejo sexual quando ele acontece entre dois que se gostam e se amam -muitos são frustrados no amor.
Com a ajuda de título e subtítulos, em suma, o tom burlesco dos comentários destes dias serve para que a gente não perceba o que, de fato, o "paparazzo" filmou: uma cena que, ao ser enxergada, produziria em nós a descoberta dolorosa de nossa carência. Pois não se trata de um momento de sexo, mas de uma tarde de amor.


Escrito por martabellini às 18h54
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Minha Universidade, às vezes, me assusta

 

Ontem e hoje, quinta-feira, participei de bancas de qualificação de mestrado e outras tarefas que me deixaram longe do Blog (e com saudade, eta vício!). Hoje, de manhã, cheguei à UEM e o comentário era uma carta que o nosso sindicato havia divulgado em rede/internet. A carta dizia e mostrava que o candidato a reitor, Professor Décio, tinha cheques na “praça”, isto é, cheques que não foram pagos por falta de fundos. EXPLICO: aqui na Universidade, em Maringá, estamos tendo eleições para reitor, hoje. A carta foi divulgada ontem a noite conforme me disseram. Eu não a recebi por e-mail. Li-a hoje na hora em que me dirigi ao local da votação. OCORRE que o tal boletim do Sindicato – Sinteemar – é uma fraude. Alguém escreveu o boletim com o logotipo do sindicato, alguém entrou na Acimnet – Associação Comercial de Maringá e surrupiou as cópias dos cheques e elaborou o boletim. ACONTECE que usaram o e-mail errado do sindicato. Puseram no boletim e-mail do provedor hotmail e o sindicato tem provedor próprio.  Além do mais, para acessar a Acimnet, é preciso cadastro de firma. Quem o tem? O sindicato não tem isso.

Por onde passei hoje na UEM era uma revolta grande. A elaboração do “dossiê” supostamente do sindicato cheira também uma Operação Tabajara. Burrice. Burrice, pois é fácil localizar o(s) autor(es) de tamanha xucrice. O maior problema é que uma Universidade deveria dar o exemplo de boa conduta para a cidade. Maringá vive uma onda de problemas: vereadores que estão na mira do Ministério Público, deputado na lista dos sonegadores (conforme Revista Veja), prefeito que faz obras sem licitação, centro de estudo superior que não aceita aluno surdo... e, agora, a  universidade, a boa universidade pública que aparece com este escândalo inútil para o bom andamento do ensino, pesquisa e extensão. Para mim, que não fiz parte de nenhuma chapa, vejo este episódio como prática de um local que parece não tem lei, não tem ética e não tem moral. Maringá precisa buscar sua civilidade e o pessoal que fez o boletim também. Pena que esta civilidade para os fraudadores do boletim tenha que vir com a prisão. Que venha a prisão, então.



Escrito por martabellini às 18h49
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Debate na TV no Paraná

Assisti no início. Depois apaguei. O candidato do PV arrasou: questionado pelo Osmar Dias, do PDT (e vota no Alkimin aqui no Paraná e não no Cristóvão, de seu partido) sobre o problema da aftosa no estado. Que legal: o candidato, Mello Viana, do PV respondeu: A agricultura do Paraná foi tomada pela monocultura da soja. Dizem, disse ele, que o Paraná exporta muita soja. Mas, não é Paraná, são três produtores que fazem isso. Mais: esta soja é exportada para a Europa e Canadá para fazer comida de cães, porcos, gatos .... A cara do Osmar Dias fechou mais do que já é fechada: ele é um dos homens da soja no estado. E, como disse alguém do Blog Toscorama, deve ter “raundap” nas veias. Parabéns ao Mello!

Segundo minha filha que terminou de ver o debate na TV, o candidato do PPS, Rubens Bueno teve o melhor desempenho (uma pena que se aliou ao PFL). O candidato do PSOL estava até bem; parece ser novo em debate. O candidato do PT, Flávio Arns, muito discreto. O Requião fala bem. Quem tem dúvida? O perdedor, para mim, foi o Osmar Dias. Ele parece ser incisivo nos programas, parece ser debatedor, mas foi fraco. Queria falar contra o Requião, mas como ele é candidato da soja, ficou dividido entre atacar e plantar o grão.

Veja no Blog O segundo sexo (aqui ao lado, nos links, neste Blog), o que viu a Mary ontem em São Paulo.



Escrito por martabellini às 13h08
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O telefone toca

Música preferida do Ministro Marcos Aurélio.



Escrito por martabellini às 12h35
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A direita está forçando a barra

 

Os tais grampos que o Ministro Marcos Aurélio de Mello disse ter encontrado lá no tribunal superior eleitoral não existem. Ele disse isso antes do dossiê. E, embora a própria empresa afirme que não encontrou nada, a polícia federal também não, ele continua insistindo na existência da escuta. Ele faz isso por quê? Para mim, ele faz isso para sabotar a eleição para presidente. Para o Elio Gaspari, Folha de São Paulo, faz porque gosta de ser visto pelas luzes da mídia. Pus o bom comentário do Gaspari aqui neste Blog. A Folha ou a Falha de São Paulo é tucana e manda ver no dossiê e se esquece da falha do ministro Mello. Dá raiva ver e ouvir o ministro. De fato, a direita não tem jeito (e nunca terá). Não que eu ache o PT um partido de esquerda. Não é, em minha opinião. Penso mesmo que a metáfora da lateralidade – esquerda, direita – se esgotou para indicarmos partidos conservadores e reacionários e dos trabalhadores. Novos partidos devem ser analisados pelo programa: qual programa está ao lado dos trabalhadores e qual está contra.

 

O que estou escrevendo hoje é: há, sim, uma força de direita (PFL, PSDB, ministros, deputados, empresários etc e tal) balançando a árvore petista para ver se caí mais um idiota que se seduz por dossiês. Fico mesmo pensando que este dossiê foi produzido pela direita que levou aqueles homens sem cérebro a comprá-lo. Alguns petistas pensaram que pelo fato de estarem no “miolo” do poder ninguém fosse pegá-los. Ai, que raiva da burrice!

Figura: do Blog Macrospio.blogspot.com (de Portugal)



Escrito por martabellini às 12h04
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XÔ!

 

Não voa, mas tem dados alguns passos largos.

 

Charge capturada do Blog da Gloria



Escrito por martabellini às 23h16
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Heloisa e seus bichos

Foto capturada do Blog da Laura



Escrito por martabellini às 23h14
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Blogagem ética

A Laura deu o start: hoje, dia de blogagem ética. É o seguinte: um alerta entre os blogueiros, leitores e outros para o voto ético. Tenho amigos, como já disse, que votarão em um dos três candidatos. Os que votam em Lula e seus candidatos têm lá suas razões. Há os que votam na Heloisa e outros no Cristóvão.

Eu vou e volto dentro e fora de mim com esta questão. Creio que já optei pelo nulo, embora goste da Helo com seu gato e cachorro. Gosto do Cristóvão. Minha questão é a seguinte: fora candidatos corruptos! Xô, direitosos....

 



Escrito por martabellini às 23h12
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Todas as pessoas que conheço – que foram ou ainda se sentem de esquerda – estão ali à espreita. É a semana decisiva. Eleição a vista. Tenho amigos que votam no Lula, no Cristóvão e na Heloisa. E amigos que votam nulo. MAS, ninguém vota no Alkimin. Cruz credo! A direita fica também na tocaia: não sabe se fica alegre com o crescimento do Geraldo; tem medo de antecipar a festa. Os comentaristas ficam naquela: também estão à espreita do acontecimento. Lula ganha ou não? Esta é a questão.

Encontrei um amigo meu lulista. Não perguntei nada sobre o dossiê. Amigo, vou mantê-lo. Tá todo mundo quieto... esperando a reação da massa. Esquerda, direita, centro e nós também.

P.S. cartola mágica: do Blog do Josias.



Escrito por martabellini às 22h59
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Até as urnas: quem irá pegar quem?

Ufa! Estamos chegando no fim.



Escrito por martabellini às 19h05
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Hospital Municipal é a cara de Silvio Barros

 

 

(para os colegas de outros lugares, estamos falando de Maringá e da destruição dos serviços públicos da saúde na cidade pelo PP.

A nossa cara é de palhaço, com perdão aos palhaços).

 

Escrito por Andye Yore, 24 de setembro de 2006

Blog Toscorama

 

Incompetência e descaso com o contribuinte. Essas são características aplicáveis tanto ao prefeito Silvio Barros quanto ao Hospital Municipal de Maringá. Acabei de chegar do hospital onde passei mais de duas horas aguardando o atendimento de minha esposa que passou mal com problemas de pressão alta e dores no peito. O péssimo atendimento não é novidade para ninguém, especialmente para mim que já fiz reportagens no hospital tanto em horário comercial quanto em finais de semana.

Após o registro no balcão com a atendente Raquel, fomos encaminhados para uma mesa no lado de dentro onde deveria estar uma enfermeira que prestaria o primeiro atendimento. Acontece que a tal Ezilda (nome informado por um dos vigias) estava do lado de fora do hospital fazendo não sei o que. Cerca de cinco minutos depois aparece a moça, entra pela porta aonde chegam os pacientes que vem nas ambulâncias em casos se emergenciais. Ela pega a ficha e encaminha minha esposa para uma sala e diz que eu teria que esperar na recepção. Após questionar sobre os médicos de plantão, fui informado de que estavam a doutora Lúcia e o doutor Adolfo. Porém, somente a doutora Lúcia estava atendendo e ninguém soube informar o motivo do outro médico não estar atendendo.

Do momento que chegamos até irmos embora foram 2h10. Quase me contagiei com a disposição de Raquel em atender quem procurava o balcão... típico caso de servidor desmotivado que não faz direito seu compromisso e nem busca outro tipo de trabalho.


Para piorar ainda mais o quadro, um bêbado ficava passeando pelo corredor do hospital em meio aos pacientes e os banheiros do hospital, tanto na parte interna quanto na parte da recepção, estão com as luzes queimadas e ficam na escuridão.
Se alguém acha que exagerei no começo do texto, qual o perfil de um prefeito que deixa qualquer pessoa de sua cidade passar por um situação lamentável como essa?
Felizmente, nosso caso não foi tão grave. Imaginem a situação de pessoas humildes em situações graves...





Escrito por martabellini às 10h27
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Bruna Surfistinha critica Cicarelli

Fim de tarde, nada para comentar...

La Cicarelli, belíssima

 

La Bruna

 



Escrito por martabellini às 18h48
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Marcos Aurélio de Mello manso e falante, mas socando

 

 

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Marcos Aurélio de Mello, é analisado por Elio Gaspari. Eu disse aqui neste Blog, durante a semana do dossiê, que achava estranho, mas nem tanto, que um ministro ficasse repetindo palavras pró impeachment ao presidente Lula. Elio Gaspari escreve sobre isso hoje, domingo, 23 de setembro, na Folha de São Paulo. O comportamento do Ministro Marcos Mello revelou uma raposa com pele de cordeiro. Astuto, falando mansamente, insinuando....nada próprio para um ministro que prega a moral contra gente imoral. Leiam o que diz Gaspari.

 

 

Lula não é Nixon, Mello não é Bob Woodward


O PRESIDENTE DO Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio de Mello, precisa conter a devoção que tem pela voz do doutor Marco Aurélio de Mello. Sua comparação das malfeitorias petistas com o caso Watergate é curiosa para um cidadão, impertinente para um magistrado, absurda para o presidente de um tribunal eleitoral.
Numa entrevista aos repórteres Luiz Orlando Carneiro e Tales Faria, o ministro produziu uma salada. Perguntaram-lhe se via "semelhanças" entre os dois casos e ele disse:
"Não, não vejo.... É algo muito pior! Não há comparação. Aquela escuta foi realmente muito terrível. Mas, agora, o que temos é uma somatória de desvios de poder."
Se o ministro acredita que o caso do PT é realmente "muito pior", mistura duas equipes de tabajaras, uma americana e outra brasileira, associando um episódio passado (a renúncia do presidente Richard Nixon) e uma crise recente (o envolvimento de Lula nas malfeitorias petistas).


A associação é capenga. Nixon encrencou-se quando dois assessores testemunharam que havia usado a Presidência para obstruir o trabalho da Justiça. Foi a pique quando teve que entregar as fitas das gravações clandestinas que fazia no Salão Oval. (Ele não foi o primeiro. O grampo presidencial tornara-se rotina nas reuniões de John Kennedy e nos telefonemas de Lyndon Johnson.)


Há uma diferença essencial entre o Watergate e as malfeitorias petistas: ninguém provou (ainda) que Lula obstruiu investigações policiais ou a ação da Justiça. A idéia de "pior" sugere um nível de malfeitoria que não chegou (ainda) ao campo das provas. O que vem a ser um "desvio de poder", não se sabe, mas até onde a vista alcança, se alguém cometeu desvios foi o doutor Ricardo Berzoini com seu dispositivo de mídia.
Uma das boas coisas da vida para colunistas e redatores é a construção de vinhetas históricas comparando alhos com bugalhos. (A nota aí de baixo é um exemplo disso.) Quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral entra nesse tipo de exercício, a Justiça perde. Os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein achavam que o caso Watergate era "muito pior" do que se pensava, mas eram repórteres, não eram magistrados.
Enquanto a ministra Ellen Gracie estiver na presidência do Supremo, bem que se poderia criar um sistema de cotas verbais: todos os ministros podem falar quanto quiserem fora da Corte, desde que não ultrapassem em dez vezes o tamanho das falas da presidente. Como ela raramente excede duas frases por semana, ficaria tudo mais simples.



Escrito por martabellini às 11h29
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