Mais uma do Luiz Ryff do Blog Nominimo:
Aproveitando a campanha, Nonsense resolveu fuçar o site do TSE e selecionar alguns candidatos para exame dos leitores. O distinto senhor (foto ao lado) que inaugura esse espaço eleitoral é o aposentado Pedro Luciano da Silva. Candidato a deputado estadual em Sergipe pelo Partido Republicano Progressista (PRP), ele escolheu o nome de Fofinha para aparecer na urna junto com o retrato acima. De sua declaração de bens, registrada na Justiça Eleitoral, consta apenas um imóvel avaliado em R$ 3 mil. Mesmo assim, sua previsão de gastos é de R$ 300 mil. Então, você votaria no Fofinha?

Escrito por martabellini às 09h13
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Estamira, o filme e a mulher
O documentário, certamente, não chegará a Maringá, mas vale a pena conferir e assistir quando a oportunidade permitir. Vi, na TV, algumas cenas e o comentário do diretor. Já trabalhei em uma favela em São Paulo. Chegava em casa sofrendo de uma solidão do cão. Trabalhei com meninos de rua. Idem. Ouvindo o diretor do documentário Estamira, nome da mulher pobre e esquizofrênica, lembrei-me de meus antigos trabalhos. Como os candidatos a políticos sentem a miséria dos outros quando vão às favelas, aos bairros sem infra-estrutura? É uma indagação permanente. Como esses senhores e senhoras, com suas bocas em permanente sorriso botox enfrentam o fedor, a falta de água, de asfalto dos bairros pobres? Em todo o caso, o diretor nem passa por aí. Há uma dimensão incrível no filme: Estamira trabalhando em um lixão do RJ, lá encontra sua fortaleza: amigos e proteção. Quem quer mais?
Veja o comentário de Ricardo Calil, do Blog Nominimo
O fascinante, exasperante mundo de “Estamira”
O documentário “Estamira”, que estréia hoje depois de acumular 23 prêmios internacionais, nasceu de uma série de ensaios fotográficos realizada pelo diretor Marcos Prado (produtor de “Ônibus 174″) no aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ). Em 2000, ele conheceu a catadora de lixo que dá nome ao filme, percebeu estar diante de um personagem fascinante e registrou seus passos ao longo de quatro anos para realizar o filme.
Esquizofrênica, a mulher de 63 anos fala em um complexo idioleto (um sistema lingüístico individual) e tem uma visão de mundo ao mesmo tempo messiânica e paranóica. “A minha missão, além de ser a Estamira, é mostrar a verdade e capturar a mentira”, afirma. Para realizá-la, porém, ela terá que lutar contra os “trocadilos” e os “espertos ao contrário”, entidades indefiníveis que ocupam a sua cabeça. Mas, como ela mesmo explica, “tudo que é imaginário tem, existe, é”.
O documentário tenta encontrar uma tradução visual e sonora para o universo bipolar de Estamira, alternando-se entre um preto-e-branco granulado, sujo, e um colorido estourado, vibrante. Esses dois tratamentos tentam dar conta do lado obscuro e do luminoso, do profano e do sagrado da personagem. O resultado é um filme à imagem e semelhança de Estamira e seu discurso: inspirado em alguns momentos, exasperante em outros; fascinante e monocórdio em iguais medidas.
“Estamira” tem o grande mérito de evitar alguns grandes chavões de filmes sobre personagens com distúrbios mentais: o elogio fácil da loucura, o psicologismo barato, a denúncia do sistema de saúde. O documentário passa por todos esses temas, mas não se detém em nenhum deles. Prado revela o sublime de Estamira, mas não esconde seu ridículo. Aponta possíveis causas para sua condição, mas recusa um diagnóstico psiquiátrico. Mostra as terríveis condições de trabalho no lixão, mas demonstra que ela encontrou ali equilíbrio e amizades. Em seu primeiro filme, o cineasta deixa de lado as fórmulas prontas para realizar um filme tão singular quanto o universo de sua protagonista.
Escrito por martabellini às 08h40
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Escolinha do Dr Raimundo?
No Blog Nominimo (http://nonsense.nominimo.com.br) Luiz Antonio Ryff traz este texto descrevendo o que faz a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Lembrei-me (e, como esquecer?) da Câmara de Vereadores de Maringá, suas leis e suas compras (a mais famosa, dos laptops). Os vereadores deveriam ler (direitinho) a Constituição Federal, Código Civil....
Os vereadores costumam fazer leis para ganhar votos. Serão crianças brincando de assembléias ou adultos que tratam os eleitores como crianças?
Mobral jurídico
A manchete de hoje de “O Globo” (conteúdo para cadastrados) aborda um fato grave e, infelizmente, bastante comum. Um levantamento feito pelo jornal mostra que, desde janeiro de 2000, a Câmara de Vereadores do Rio aprovou 215 leis consideradas inconstitucionais, integralmente ou em parte, pelo Tribunal de Justiça do Rio.
Essas leis são consideradas inconstitucionais por gerarem aumento de despesa sem indicar a origem da receita ou por tratarem de assuntos de exclusiva competência estadual ou federal.
Melhoraria muito se os políticos fossem submetidos a um teste de conhecimentos jurídicos e passassem por um intensivão para aprender o básico antes de se candidatarem.
Escrito por martabellini às 08h05
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Segurança, melancolia e inércia por CONTARDO CALLIGARIS
Folha de São Paulo 27/7/06
A visão melancólica do país e de nós mesmos nos torna inertes e um pouco covardes
NA FOLHA de 16 de julho, Marcelo Beraba, ombudsman do jornal, observou que a imprensa não soube se servir da crise paulista das últimas semanas para comparar e questionar as propostas de segurança pública dos candidatos ao governo do Estado e à Presidência. Talvez, segundo ele, a imprensa não dispusesse de "quadros com bons conhecimentos" na área.
Nestes dias, o "Observatório da Imprensa", de Alberto Dines, propôs uma pergunta aos internautas: "O combate à violência pode entrar na disputa eleitoral? Sim ou não?". A grande maioria (80%) optou pelo sim. Faz sentido: afinal, a segurança pública é uma preocupação crucial dos cidadãos.
Ora, no domingo passado, a Folha publicou uma comparação das opiniões sobre segurança pública de Serra, Mercadante e Quércia. A reportagem, de Lilian Christofoletti, tentava diferenciar as propostas, mas, à vista das respostas dos candidatos, a conclusão era que, em matéria de segurança pública, os três pensam de maneira parecida. É lógico que seja assim. Há 15 anos, participo de encontros e congressos sobre segurança urbana. Escutei enfoques diferentes e discordâncias quanto à ordem das prioridades. Mas, no conjunto, chega-se, de qualquer modo, a uma lista com a qual todos concordam e que é mais que conhecida. Ao ponto que talvez o silêncio dos "experts" (do qual se queixa Beraba) seja, sobretudo, sinal de cansaço. Hoje, em matéria de segurança pública, o problema não é inventar o que fazer. O problema é fazer o que sabemos que deve ser feito. A segurança pública não é (ou não é mais) um problema político. Os secretários de Segurança, estaduais e federais, não precisam mudar segundo as fortunas dos partidos; eles poderiam ser escolhidos por sua competência e mantidos no cargo como "técnicos", encarregados de implementar as medidas com as quais todos concordam. Por isso, aliás, na pesquisa do "Observatório", optei pelo "não".
Pergunta: se sabemos o que fazer, por que não acontece quase nada? Proponho mais uma explicação. A lista das ações necessárias para melhorar a segurança pública no país é sempre encabeçada por uma declaração geral do tipo: "A sociedade brasileira deveria se tornar menos desigual e, com isso, não produzir nem reproduzir exclusão social". Não há quem discorde. Mas essa recomendação inaugural, fundamental e justa, regularmente lembrada quando é proposta uma ação concreta qualquer, acarreta consigo a sensação de um destino nefasto: injustiça e desigualdade são a herança que nos constitui, o nosso DNA. De repente, as outras recomendações da lista parecem esparadrapos cosméticos sobre uma ferida que não sara. É um tipo de armadilha freqüente na nossa vida cotidiana: "Tenho 40 anos, não completei o colégio e não tenho futuro", "Tenho 60, e meu casamento de 30 anos está sem graça, agora é tarde", "Nasci no lugar e no momento errados", "Com os pais que eu tive, não adianta". Qualquer terapeuta sabe que, diante desses autodiagnósticos radicais, "totais", a primeira tarefa é a de decompor a massa amorfa do desespero até encontrar seus elementos e organizá-los no tempo e no espaço. Na vida política não é diferente: uma visão global negativa desqualifica os esforços para mudar, que parecem fúteis esparadrapos. Somos fascinados pelas autodefinições (sobretudo pejorativas: "O Brasil é assim mesmo") e, com isso, preguiçosos na análise dos detalhes e na ação para alterá-los. Essa atitude melancólica exerce um forte charme, pois ela dá sentido aos nossos males e nos dispensa de pensar e agir: nossa dificuldade é inevitável, ela é nossa essência. A autodepreciação nos revela quem somos; ela nos resume e nos define. Com isso, ela também nos apazigua: por que lutar contra nosso "ser"? Melhor fazer de nossa vida um longo lamento. À primeira vista, a queixa radical contra a história e o "espírito do povo" parece mais séria do que o trabalho de formiga de quem tenta alterar o que pode ser alterado. Mas a eterna reclamação de que "o buraco é muito mais em baixo" acaba nos tornando inertes e um pouco covardes.
PS. Boa notícia: vários leitores da coluna da semana retrasada me comunicaram que há duas (ótimas) naturezas-mortas de Morandi no MAC da USP, doações de Francisco Matarazzo e Yolanda Penteado.
Escrito por martabellini às 21h36
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Frases do Millôr (empregadas para compreender algumas coisas em Maringá e do Brasil)
Para a Empresa Imobiliária Pedro Granado que está construindo um prédio de 16 andares em frente ao Parque do Ingá (detalhe: burlando a lei)
Tantos anos o país se descuidou do meio ambiente que agora, se quiser salvar alguma coisa, vai ter que tratar do ambiente inteiro.
Para um ex-vereador que está recebendo dinheiro da prefeitura de Campo Mourão para abrir a empresa Frangobrás:
Mordomia é ter tudo que o dinheiro - do contribuinte - pode comprar
Para certo deputado de Maringá
Uma coisa que eu garanto como candidato: se vocês todos votarem em mim, dentro de um ano estarão profundamente arrependidos.
Para nós:
O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo.
Habitação popular é uma casa sem portas e em que não se pode colocar janelas por não haver paredes
Para compreender a atual gestão da cidade
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O Brasil é, sempre foi, uma empresa unifamiliar.
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Escrito por martabellini às 21h28
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Eduardo Olivo e João Mello - candidatos à Reitoria da Universidade Estadual de Maringá
inscreveram-se hoje, 27 de julho de 2006. Na foto, os professores e o grupo de apoio
entregam o programa da Chapa no ato da inscrição.Fotografia: ASC/CIM/UEM.
Escrito por martabellini às 16h45
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Mllôr para acalmar a dor
Escrito por martabellini às 22h38
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Candidato vem de cândido, de roupa limpa... Pode? Pode, sim!
Um escândalo atrás do outro: como isso afeta o eleitor? Roberto Romano comenta
(UOL News)
É corrupção para tudo quanto é lado. Só para falar das mais recentes: Sanguessugas (roubo de dinheiro público que deveria ser usado na compra de ambulâncias), Operação Cerol (policiais federais e executivos de empresas presos no Rio na sexta-feira) e Operação Mão de Obra, que é a de hoje e está "rolando" em Brasília. Foram presos empresários e funcionários públicos acusados... adivinhe do quê? Acertou: de roubar dinheiro público. A Polícia Federal diz ter descoberto fraudes em licitações com empresas que se candidatam a limpar e a fazer a segurança de prédios públicos e prendeu até um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. A polícia diz que encontrou roubalheira nos Ministérios dos Transportes e da Justiça, no Senado e no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Não sobra ninguém?
"A corrupção virou rotina no país", disse o cientista político, Roberto Romano, em entrevista a Lillian Witte Fibe, no UOL News. E para ele, esta prática rotineira pode representar perigo para a democracia brasileira, que não vai "se agüentar" com tantas fraudes dentro da própria estrutura da vida pública. "Esse é um ponto que me preocupa; eu fico cada vez mais acabrunhado com esse país, porque não há os contra exemplos, uma tentativa de apresentar outros caminhos para atenuar este fenômeno", lamentou. "O meu avô dizia que na França o ridículo mata e no Brasil, engorda".
[...] O cientista político comparou a atitude de alguns políticos brasileiros à do gambá, que quando se sente ameaçado lança aquele "perfume" em cima dos outros para escapar. "A pessoa só precisa responder que sim ou que não, no entanto ela só diz que vai processar. Isso não é modo de responder, ele deveria dizer: 'está aqui a minha gestão e eu sei de tudo o que ocorreu; o que ocorreu sem o meu conhecimento é da responsabilidade de tal e tal pessoa e dane-se quem é culpado, eu não sou". Romano citou ainda a entrevista em que o presidente Lula dizia que fazer caixa 2 era comum e que todo mundo fazia. "Se ele diz que não pode condenar ninguém e que a CPI dos Correios torturou os coitados dos depoentes, ele quer dizer que Delúbio Soares e Marcos Valério foram torturados pelos maldosos deputados da CPI; e se ele disse isso - e a gente não está inventando - o que se pode deduzir é que todos os 180 milhões de brasileiros são corruptos e o PT ainda pode receber o epíteto de grande partido da ética", indignou-se mais uma vez.
Recomendações ao eleitor
E com toda esta corrupção, como o eleitor deve vai votar em outubro? O que ainda é possível fazer neste período eleitoral? Romano questionou a eficácia do voto nulo - que para ele é como um protesto mudo - e recomendou que os eleitores comecem a participar dos comícios políticos, principalmente dos candidatos mensaleiros, "absolvidos" pela Câmara dos Deputados, "e lá, diante do povo, questionem sua atuação e peçam explicações", incentivou. O cientista político lembrou que em Roma, os comícios eram lugares para debates entre os candidatos e o povo. "A origem da palavra candidato vem de cândido, de roupa limpa, alva. O candidato precisava provar que sua roupa era limpa, e a alma também. Esta é a idéia de um sujeito que postula um cargo público, ele precisa estar alvo."
Escrito por martabellini às 21h48
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Política como empresa de negócio
(Folha de Londrina, 26 de julho de 2006)
Por José Mário Angeli (Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina)
O momento político brasileiro pode ser caracterizado pelo fim da política. As instituições chegaram à falência e em seu lugar atuam “quadrilhas”, envolvendo o Legislativo (partidos de oposição e do governo) e o Executivo, de tal forma que transformaram a política numa empresa de negócio. O exemplo mais claro é o que veio à tona com sucessivas denúncias: mensalão, ou caixa-dois, sanguessugas, bingos, etc..... De tal sorte que o Congresso passou a atuar com atribuições policiais e paralisou suas funções legislativas. O Congresso tornou-se palco de escândalos sucessivos, perdeu legitimidade e respeitabilidade. A discussão do Orçamento transformou-se numa “guerra de bilro”, as reformas importantes adormecidas à espera do príncipe encantado. É o fim da política.
Esta crise pode ser compreendida na forma de democracia, que prevalece no mundo globalizado. Isto é, as diretrizes do neoliberalismo são impostas “a fortiori” pelos países ricos aos paises de “mercados emergentes”, obrigando, no caso, o Brasil a se adaptar aos novos parâmetros globais. A autonomia do ponto de vista político-econômico passou a ser mais formal que real. Tanto o Legislativo como o Executivo deixaram de ser poderes institucionais para funcionarem como lugares onde se organizam e executam políticas que já vêm delineadas por órgãos internacionais.
Resta ação no varejo. O negócio do salve-se quem puder. As emendas no orçamento são moedas de troca para que o mandatário possa cevar sua base eleitoral.
Como mudar essa situação? Como o eleitor poderá escolher com critério o candidato nestas eleições? As coligações constituem-se numa verdadeira “torre de babel”. O voto, instrumento importante, para reorientar as práticas políticas no país e colocar em cena novos atores no Congresso, Assembléias Legislativas e no executivo, está esvaziado na sua expressão, pois os partidos políticos não são capazes de expressar a vontade de diferentes segmentos sociais: fazem o discurso que dá voto!. As coligações que se apresentam somadas aos acordos “informais”, produzem um quadro lamentável de acobertamento do verdadeiro projeto que cada agrupamento representa.
Construir um sistema hegemônico que preserve as liberdades individuais, garantam a Constituição e os poderes independentes, e por fim, a alternância no poder, é vital para a nossa sociedade. Não é tarefa fácil. A classe política que aí está representa a política como negócio. O parlamento deixou de ser espaço de luta política e passou a ser lugar de pressão e chantagens cujo único foco é a próxima eleição.
E a próxima eleição servirá para quê? Para manter ou para mudar os mesmos personagens que fazem discursos de ocasião orientados pelo “marketing”, do sorriso desenhado e da ausência de compromisso com o que se diz. Alguns reivindicarão a trajetória honesta como indivíduo, mas acobertarão o fato que o indivíduo nada pode sozinho. Mesmo sabendo que nada pode não abrirá mão de seu “lugarzinho ao sol”. Afinal, a política é uma carreira que garante alguma celebridade. Pena que estes atores sejam de tão má qualidade.
Escrito por martabellini às 21h40
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O Brasil ... é o Brasil ....
Nestes meses que antecedem as eleições somos obrigados a ouvir e ver cada coisa que “dá dor no fígado (ou no figo)”. Como doem as frases dos políticos. Doem, também, os programas das TVs. Às vezes, acho que sou muito classe média, às vezes, acho que estou por fora, mas... Que crise, hein. Assisto programas de TV locais e fico pensando que, sobre Maringá, caiu uma maldição. Não é possível! Que comentários! Um dia desses, ouvi um “renomado” apresentador local de TV dizendo: “uma matou o outro”, referindo-se a dois jovens que fizeram um tiroteio. Explico: no tiroteio um conseguiu acertar e matar o outro jovem, mas está vivo. Às vezes, leio a coluna de certo “jornalista” que adora ser “direita chucra”. E ele está há anos fazendo a coluna (neste caso, coluna mesmo). Mas, a maldição é geral. Ouvir Alkmin dói. O homem é cheio de frases vazias. O Lula continua falando: precisamos ir “pá” frente! A Heloisa gritando. Aqui em Maringá temos dois deputados, uma mulher e um homem cujas fotos parecem que em seus rostos só tem boca (e com botox)! Tudo isso dá uma percepção de que somos infantis demais, somos principiantes mesmo! Imaginem certa deputada “X” indo ao enterro do José Claudio, prefeito pelo PT à época, e dando a mão a todos que estavam no cemitério... É demais, hein. Que gafe!
Leiam o que disse Contardo Calligaris sobre o Brasil:
'O Brasil não é para principiantes'. Isso supõe que a nossa malandragem nos torna especiais e só interpretáveis por especialistas. Pelo contrário: o Brasil é para amadores e principiantes. Porque pagar e corromper é muito fácil. O difícil é construir uma coletividade em que haja leis, institucionalidade. O difícil é ser moral. Ser imoral é para principiantes. A malandragem é uma conduta moral de uma criança de 9 anos. O difícil é crescer. Governar pagando o cara para votar comigo é que é amador. O profissional é construir um discurso que convença, é falar com o outro(...)"
Escrito por martabellini às 18h49
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Conselhos politicamente incorretos (mas interessantes!)
Um leitor do Blog, Marcio, comentou o Rubem Alves. Disse que o Rubem Alves acaba fazendo apologia do batismo e que este ritual está sendo abandonado. Concordo que o batismo já não é o ritual badalado dos católicos. Creio, porém que o batismo continua sendo uma tradição. Conheço muita gente que não batizou seu filho. Eu não batizei a minha. Mas, conheço muitas pessoas que se desesperam para batizar o filho e não podem. Não podem ou porque não são casados ou coisa fora da tradicional união que somente a igreja católica pensa existir. Não posso dizer que os padres pensam em uma família medieval, porque não havia esta família, mãe, pai e filho. Idealiza-se a família e quem estiver no padrão, logo ... fica fora da coisa.
O que eu gostei no texto do Rubem Alves é o conselho: Mate o padre!
Perdoem-me os amigos padres, mas adorei o conselho!
Escrito por martabellini às 11h16
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De Rubem Alves ao Sr Bispo
Senhor bispo:
Por favor, instrua os seus padres informando-os de que todas as crianças vão para o céu, mesmo sem batismo.
DIRIJO-ME A V. Rvma. a fim de solicitar esclarecimentos sobre um problema que me foi comunicado via internet por uma mulher que desconheço. O assunto trouxe-me grande aflição por estar em jogo a salvação eterna da alma de uma criança inocente. A dita mulher me enviou um e-mail após ter lido um artigo meu sobre o batizado da minha neta Mariana do qual o celebrante não autorizado fui eu. Disse-me ela que tem um filhinho e é seu desejo batizá-lo. Mas o sacerdote lhe nega o batismo sob a alegação de que ela e o pai da criança não são casados na igreja. A criança corre o risco de passar a eternidade no inferno por causa do pecado dos seus pais. Sempre pensei que, segundo a teologia da igreja, o fato de uma mulher ficar grávida, casada ou não casada, é sinal de que Deus deseja a dita gravidez. Pois se ele não a desejasse a gravidez não aconteceria. É somente isso que explica a interdição do aborto em qualquer situação, inclusive nos casos em que o feto não tem cérebro. O senhor haverá de convir comigo que existiria uma contradição na mente divina se Deus aprovasse a gravidez e, ao mesmo tempo, ordenasse à instituição que o representa que lhe negasse o batismo. Imaginemos que uma mulher engravide como resultado de um estupro. O seu filhinho está condenado a uma eternidade no limbo? Imaginemos uma mulher e seu companheiro. Eles muito se amam. Mas não são casados sacramentalmente. Sei que o amor não importa. Aprendi isso de um padre que, numa homilia de casamento, disse aos nubentes: "Não é o seu amor que faz o seu casamento. É o contrato." Muito embora os textos sagrados digam que Deus é amor, e o apóstolo Paulo tenha dito que o amor é a maior de todas as virtudes, o fato é que, para a teologia da igreja, quem não casou na igreja está num estado de concubinato. Os companheiros estão em pecado e impedidos de receber os sacramentos. Eles têm um filhinho que não pode ser batizado. Aí o marido morre num acidente. Agora, graças à morte do marido, a mulher não mais se encontra numa relação pecaminosa. A criança pode ser batizada. E se o companheiro da mulher que me enviou a carta morrer, o seu filho poderá ser batizado? De todos os santos o de minha devoção mais forte é santo Expedito. Ele tem a palavra "hoje" escrita na sua cruz. Santo Expedido não deixa para amanhã. O milagre acontece no mesmo dia. Pois contou-me uma piedosa senhora sobre um milagre de santo Expedito. Uma amiga sua sofria muito nas mãos de um marido cruel. Ela orou ao santo Expedito e o seu pedido foi atendido no mesmo dia. O seu marido se enforcou. Trata-se, eu penso, do primeiro suicídio milagroso de que há registro. Pergunto: "Seria adequado à mulher que me escreveu apelar para os serviços rápidos de santo Expedito? Quem é que o santo mataria? O marido ou o padre? Se ele me pedisse conselho eu diria: "Mate o padre..." Por favor, senhor bispo: instrua pastoralmente os seus padres informando-os de que todas as crianças vão para o céu, mesmo sem batismo, não importando que seus pais sejam católicos, protestantes, hinduístas, espíritas, umbandistas, do candomblé, budistas, xintoístas, judeus, maometanos, ateus e quantas religiões haja. Fraternalmente, Dominus vosbiscum. Rubem Alves
(Folha de São Paulo)
Escrito por martabellini às 06h27
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Millôr
Escrito por martabellini às 10h54
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Leia trechos da entrevista de Fernando de Barros e Silva e Rafael Cariello da Folha de São Paulo
A única coisa que o PSOL pode fazer [na política nacional] é ser uma espécie de Grilo Falante, uma espécie de consciência crítica", afirma Francisco de Oliveira. Não se trata de incapacidade específica da legenda, mas da constatação, ele diz, de que a política se tornou completamente irrelevante. Entre as causas deste fato, para ele incontornável, estão a financeirização da economia -que tira a autonomia de decisões dos governos nacionais- e a quebra das identidades de classe e sua representação em partidos políticos -também decorrente das transformações recentes do capitalismo. Na entrevista a seguir, Oliveira relaciona o Bolsa-Família e a política de cotas para negros a esse fim da política e diz que o PT pós-Lula pode ter o mesmo destino do peronismo argentino -com a criação de grupos gangsterizados que disputariam o espólio da penetração política e simbólica, a partir de programas sociais, entre os mais pobres. O sociólogo relaciona ainda o crescimento da facção criminosa PCC e os recentes ataques em São Paulo ao desenvolvimento do capitalismo no país, que, de acordo com ele, funciona em parte na ilegalidade e "não respeita nenhuma institucionalidade". A seguir, trechos da conversa, realizada em seu escritório, em São Paulo.
FOLHA - Como o sr. vê a subida de Heloísa Helena no Datafolha? Como o sr. vê suas chances eleitorais?
FRANCISCO DE OLIVEIRA - Ela pode crescer mais alguns pontos, mas não para passar dos 15%. Não acredito. O eleitorado que vai votar em Heloísa é fácil de se presumir. São ex-petistas, desiludidos com o PT, e, de outro lado, gente não necessariamente partidarizada decepcionada com o governo Lula ou que acha que o Alckmin não é nada. É nessa faixa que ela navega e vai crescer no máximo até 15%.
FOLHA - O sr. fazia a avaliação, já há algum tempo, de que havia um esgotamento da política, de sua capacidade de representar possibilidade de mudança. O sr. acha que a candidatura dela e o PSOL podem representar uma saída para isso? OLIVEIRA - Seria desejável, mas eu não acredito. O fenômeno da irrelevância da política é muito profundo. A candidatura agora, ou outra do PSOL repetida no futuro, será uma espécie de desafogo, mas com muito poucas chances de ser majoritária e muito poucas chances de tornar-se hegemônica e, sobretudo, de pautar politicamente. Os partidos não têm noção das raízes dessa irrelevância da política. Nem o PSOL. Ele imagina que pode refazer um partido tal como o PT foi na sua origem. FOLHA - Não há possíveis semelhanças entre Heloísa Helena e o Lula nos anos 80? OLIVEIRA - Apesar de tudo, não há nenhuma semelhança entre os dois partidos. No sentido de bases e de poder pautar a política brasileira. O PT pautou. A única coisa que o PSOL pode fazer é ser uma espécie de Grilo Falante, uma espécie de consciência crítica, mas sem possibilidades de hegemonia, sem possibilidades sequer de pautar a política brasileira. Essa é uma conclusão muito dura, para mim mesmo e para os militantes em geral. É preciso pesquisar as razões da irrelevância da política hoje, e não só no Brasil. Aqui, isso tem um efeito devastador. Aqui, o fundo da irrelevância da política é a desigualdade. Não é mais plausível, para nenhum de nós, que você possa, por meio da política, atravessar o Rubicão. Não é mais possível. A formação do PT foi algo muito específico. É preciso não esquecer que ele se formou dentro da ditadura, com um movimento sindical em ascensão, numa espécie de eco de um Estado de Bem-Estar privatizado. Trabalhadores de certos ramos, sobretudo do metalúrgico, tinham planos de benefícios muito importantes. Era privatizado porque eram as empresas que davam. Esse movimento estava em ascensão -não como agora, que está em refluxo. E é importante não esquecer que aconteceu simultâneo a um movimento de democratização muito importante. Foi dentro desse movimento que o PT nasceu. Esse conjunto é irrepetível. As forças sindicais foram muito desgastadas. A queda de sindicalização é vertical. Os petroleiros foram arrasados pelo Fernando Henrique Cardoso. Além disso, há um movimento de reestruturação produtiva, misturado à globalização, que devastou as fileiras do operariado. Não tem a conjuntura e a estrutura de forças que fizeram o PT. O movimento sindical, tal como o conhecemos, e tal como ele formou a pauta social e política dos anos 70, não existe mais.
Escrito por martabellini às 10h47
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Chico de Oliveira
Conheci o Chico de Oliveira na década de 70. Era um dos sociólogos mais respeitados da época. Chico foi petista, rompeu com Lula em 2003. Ontem, segunda-feira, na Folha de São Paulo, lemos sua entrevista. Amarga? Realista? De qualquer forma, concordo com muitas observações que ele faz. Uma delas, é que o capitalismo se remodela e prepara anos mais duros para nós. Outro, é que a nossa resposta ainda não foi pensada. Estamos reprisando os mesmos movimentos, as mesmas estratégias de luta.
Leio com atenção a movimentação dos candidatos a presidência, vejo as propostas dos candidatos a deputados e não há nada de novo, a não ser uma profunda mesmice... Não é mesmice, porque pode ser que em algum tempo passado os candidatos tivessem vergonha na cara quando fossem pegos com a mão no dinheiro alheio, isto é, do povo.
Creio que muitas estratégias anarquistas precisam ser estudadas, como, por exemplo, a representatividade direta .... pois a representatividade como temos apenas representa sanguessugas, cuecões, lista de furnas, lista dos 94 sonegadores e estelionatários....
Escrito por martabellini às 10h47
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Millôr.
Escrito por martabellini às 22h44
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Slogans dos candidatos
Alkmin saiu na frente e seus slogans lembram a corrupção e mensaleiros denunciados pelo Bob Jefferson. Até os deputados e senadores acusados de corrupção (como ACM e o presidente do PFL) denunciam a corrupção!
O candidato do PDT prega a educação como redenção dos males do Brasil. Parece desolado, sozinho (o PDT no resto do Brasil alia - se a muitos que detestam a educação e seus avanços).
Lula está parado. Os slogans e metáforas futebolísticas fazem seu discurso desde sempre.
Um vendedor de frutas e legumes de uma feira livre sugeriu à Heloisa Helena: Nem chuchu, nem abobrinha, quero pimentinha. Parece que Alkmin, a Opus Dei, o pefelê se assustaram. Batem no PT e a Heloisa cresce.
Escrito por martabellini às 09h13
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Lixeira criativa
Sexta a noite caminhei pela Universidade. A UEM é um lindo lugar. Faltam, no entanto, espaços de criação. E, qual não foi a surpresa ao me sentar em um banco: deparei - me com uma lixeira anarquista. A lixeira havia sido decorada por frases de um estudante “anarcoarquiteto”. Frases e desenhos fizeram da lixeira um outro objeto. Uma delas: “O isopor é meu pastor. Cerveja não me faltará”. Outra: “O mundo está de ponta cabeça” (e você tem que ler com sua cabeça virada).
Um outro estudante tentou escrever no novo prédio da farmácia da UEM: “A menina dos olhos...”
Isto me fez recordar em janeiro de 1992, USP, São Paulo, Instituto de Psicologia. Era um período de intensa chuva, o Bloco provisório da psicologia estava caindo e interditado. Um daqueles estudantes criativos (que fazem falta em toda universidade) havia escrito: “ Freud não mora mais aqui”.
Escrito por martabellini às 09h01
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