O texto que o Fabiano enviou.
Ética e Autoria Intelectual
O autor não é um mercador ou proprietário, mas um criador, um ser humano que produz as suas obras para realizar as suas potencialidades. O problema da autoria intelectual é abordado geralmente sob a ótica dos direitos autorais. Poucas vezes a questão da autoria intelectual é abordada sob o ponto de vista muito mais geral e importante que é o da ética. Entenda-se por ética não a moral e sim os valores fundamentais que devem acompanhar qualquer concepção humanista ou libertária, ou seja, estamos nos referindo a determinada ética, pois não consideramos que exista apenas uma ética. Assim, a questão reside em como a ética libertária aborda a questão da autoria intelectual. Os chamados "direitos autorais" são oriundos da visão da produção intelectual como propriedade e mercadoria. O autor, neste caso, se coloca como um proprietário ou mercador. O produto é uma mercadoria, ou propriedade, que só pode ser utilizada por outros se for comprada ou autorizada. Os direitos autorais são a forma mais explícita desta concepção burguesa de autoria intelectual. O respeito aos direitos autorais significa ou o pagamento por uma mercadoria ou então a autorização para o uso de uma propriedade. Do ponto de vista de uma ética libertária ou humanista, a questão se coloca de forma diferente. O autor não é um mercador ou proprietário, mas um criador, um ser humano que produz suas obras para realizar suas potencialidades. O autor é aquele que cria, produz, uma determinada obra. A sua obra é uma objetivação do autor. O criador se manifesta através de sua criatura, e, por conseguinte, todos devem reconhecer quem é o criador da criatura. Não se trata, neste caso, de direito comercial ou de propriedade, mas de identificação entre autor e obra. Neste sentido, "desde que citada a fonte", isto é, desde que se reconheça o autor da obra (esta é a "fonte principal", e o local da "publicação" é uma fonte secundária, cuja revelação é útil, mas não faz parte da questão da autoria intelectual), está garantida a ética do ponto de vista humanista. Por isso, não há o menor sentido em certas revistas acadêmicas requerer do autor autorização para publicar sua obra em outro veículo de comunicação ao reservar para si os famigerados "direitos autorais". Os direitos autorais então devem ser abolidos? A resposta seria positiva, desde que se pense em uma transformação social global. No entanto, nos marcos da atual sociedade, no qual as produções intelectuais e artísticas são "mercadorias", então os direitos autorais ainda possuem uma função de proteção do autor, pois, caso contrário, alguns poderiam publicar e vender como mercadoria a obra de outros sem nem sequer necessitar sua autorização. A autoria intelectual gera, na sociedade capitalista, os direitos autorais. O problema ocorre quando se inverte esta lógica, quando os direitos autorais se sobrepõem à autoria intelectual, tal como no caso de alguém "comprar os direitos autorais" da obra de outro e este "perder" os seus "direitos", o que revela, simultaneamente, alienação e mercantilização. Da mesma, forma, o ponto de vista ético, o autor deveria seguir os preceitos apontados por Marx: "o escritor deve ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas, em nenhum caso, deve viver e escrever para ganhar dinheiro". Existe a ética do não-escritor diante do escritor, o que deve levar ao reconhecimento da autoria intelectual, e a ética do autor em relação ao leitor, que reconhece este último como ser humano e não como consumidor. Nildo Viana, Professor da Universidade Estadual de Goiás e Doutor em Sociologia pela UnB
Escrito por martabellini às 08h21
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Escrever, autoria e ética
Meu amigo Fabiano, do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá enviou-me o texto Ética e Autoria Intelectual. Publico-o. Mas, ALÔ, Fabiano! Não sei se concordo com o Nildo, autor do texto. Pense comigo: nossos alunos vão fazer uma monografia. Escrevem, escrevem....escrevem o que os autores dizem “com as palavras deles (alunos)” e fazem uma grande e má cópia de sua leitura. Eu odeio isso. Para mim, os alunos plagiam os autores. Não citar quem eles leram dá um ar desajeitado ao texto dos novos escrevinhadores e cria a cultura do escrever é fácil demais; Acontece que é fácil escrever, sim, mas somente se o novo autor ler, reler sua obra, “massageá-la”, criar paixão. Não tem jeito. Esta semana sentei-me com um orientando para ler sua “obra” de doutorado. Putz, que coisa chata ver alguém que escreve bem (pelo menos o português) descrever longamente os autores que leu sem citá-los e sem compromisso com a beleza, com a compreensão do leitor (sim, pois escrevemos para alguém ler, não é?).
Sei que o Fabiano fala de uma dimensão da escrita diferente. Mas fica aqui meu lamento raivoso dos escritores copistas sem paixão, sem dó do leitor e dos autores que leram. Deixo de discutir a tese do Nildo de que o autor é um criador e não proprietário intelectual, com a qual também não concordo. Fica para outro dia..
Escrito por martabellini às 08h11
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Glória, amiga, escreve sobre as notícias de Maringá que apresentei no Blog:
Marta, olha eu aqui estranhando essas notícias...Tenho uma sobrinha que foi a Maringá algumas vezes e chegou falando maravilhas daí,, inclusive da arborização. É inacreditável que estejam derrubando árvores a bel prazer... Não há como vc averiguar isso? Entrar em contato com os responsáveis na prefeitura e saber o que se passa? Aqui, houve uma situação de algumas árvores serem cortadas no jardim, mas na verdade, eram castanheiras precisando trocar porque elas já foram plantadas erradamente porque não são próprias para espaço público. Então, cortaram para plantar outra espécie mais apropriada. Se não houver alguma justificativa aí, tem que internar quem está cortando árvores: isso é insanidade
Glória,
Morei em várias cidades do interior de São Paulo. Aliás, nasci em uma delas, Porto Ferreira. A tradição dessas cidades é não manter árvores nas calçadas. Se tiver, cortam-nas. Estou aqui em Maringá, há 20 anos; destes 20 anos fiquei 3 anos fora. Retornei e senti aquele prazer em rever a cidade e suas árvores. Mas a cidade cresce em ritmo acelerado. A política da gestão anterior, do PT, foi boa neste quesito e aceitava sugestões de plantio. Embora lenta, a gestão passada caminhou um pouco na defesa ambiental. A gestão atual, para mim, nesta área ambiental (saúde, escola também) está parecendo gestão ATA. Ata é o gênero da formiga cortadeira, a saúva. No centro da cidade as árvores que vi e fotografei cortadas estavam localizadas em frente às lojas. Parece que a mesquinharia de alguns comerciantes locais vence a estética verde da cidade. No bairro ao lado do meu, Vila Esperança, o corte é deslavado, descarado mesmo.
A gente averigua e denuncia ao Ministério Público, sim. Este ano ainda não fiz denúncias. Mas há denúncias de ONGs sobre isso. Há um mês auxiliei com dados que tenho sobre estes crimes uma pessoa a fazer um laudo sobre um problema ambiental aqui. Imagine você: temos que ir ao local, registrar com fotografias, fazer um laudo, entrar com um pedido no Ministério para averiguação, esperar o trâmite do processo. Enquanto isso, um amigo pede para cortar a “sua” árvore e é atendido....
Escrito por martabellini às 07h36
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Dias no vazio
Não, não estou falando do Osmar Dias, senador do PDT paranaense, que ora diz que será candidato a governador, ora não. Estou falando de mim. Faz dias que não escrevo para meu Blog. É um daqueles períodos de muito trabalho com os alunos (provas, correção de teses, dissertações etc) e minha clássica enxaqueca vem e reprime toda a vontade de escrever, pensar, viver. A profissão professora tem disso. Às vezes, nos sentimos autômatos. Fico imaginando se sou muito exigente, se estou errada. Mas me aborrece o desleixo com a escrita dos orientandos. (Se eu pudesse dispensaria todo mundo de minha orientação). Por outro lado, ver e ouvir notícias políticas do país é horrível. Melhor ouvir músicas: ou clássicas ou o deboche e o escracho. Não estou para meio termo. Ontem fui para a aula com um “broche” de minha filha escrito: “Olá, eu sou ninguém”. Meus alunos disseram que estou carente. Mas, eu estou mesmo cheia, ou melhor, vazia. Em 2003, logo após a Reforma da Previdência do governo Lula, preguei em minha agenda uma fotografia de uma senhora de 53 anos dizendo a um repórter da Folha de São Paulo: “O que espero? Nada. Agora só estou esperando o ônibus”, referindo-se ao governo. Estarei de novo esperando o ônibus?
Escrito por martabellini às 07h18
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Sexo na internet: um caso ilustra o outro
Inseri trechos da matéria de Zuenir Ventura do BLOG NOMINIMO de 16/5/2006 para o leitor e lembrar o que ocorreu aqui em Maringá, PR.
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=21&textCode=22319&date=currentDate&contentType=html
Escreveu Zuenir no BLOG:
Prefiro falar de um caso que não tem a dimensão da tragédia social paulista, mas contém elementos de um drama, uma quase tragédia moral, sem mortes mas com a perda violenta de valores particulares tão caros como reputação, harmonia doméstica, liberdade de ir e vir. A pequena notícia não chegou a despertar minha atenção quando saiu publicada: no Orkut, circulavam fotos de uma garota nua fazendo sexo com dois homens. Não vi, e sem saber que a garota nega a autenticidade das fotos, atribuindo-as a uma montagem, não achei nada demais.
Neste último fim de semana tomei conhecimento do que realmente ocorreu lendo na revista “Época” a reportagem de Eliane Brum. Há muito tempo não via uma história tão bem contada – com tanta elegância, respeito humano, delicadeza de olhar e, além de tudo, competência profissional. Para quem não acredita nas possibilidades estéticas da narrativa jornalística, na sua excelência, recomendo a leitura da matéria, exemplar.
Depois de uma semana ouvindo os principais envolvidos no episódio, inclusive a garota Francine, de 20 anos, a repórter construiu um relato em que o pano de fundo são a intolerância da sociedade, o preconceito no meio dos jovens, o falso moralismo, a invasão de privacidade e a demonstração do poder que tem a internet de, ao lado do bem, fazer o mal numa escala impensável há alguns poucos anos. Em suma, como uma fofoca numa cidade de 18 mil habitantes do interior paulista pode ganhar dimensão planetária.
“Segundo a polícia”, escreveu Eliane, “houve pelo menos 20 milhões de acessos em diversos países. Mais de mil vezes a população de Pompéia.” A mãe, desesperada, disse que sempre pediu que a filha tomasse cuidado para não “cair na boca do povo”, ou seja, para não ser mal falada na cidade. “Minha filha não caiu na boca do povo. Caiu na boca do mundo.” O estarrecimento do pai não foi menor: “Foi terrível olhar. Eu nunca tinha visto fotos desse tipo. Quem estava nas fotos era minha filha”.
Mais impressionante, porém, foi a cena em que 300 universitários, muitos de Direito – futuros advogados, imagina! – urrando como turba, cercaram a sala onde estava Francine ameaçando-a. A polícia teve que usar gás para garantir sua saída. Diante dessas manifestações de obscurantismo, no entanto, vale ressaltar a enérgica atitude do diretório acadêmico, cuja direção reagiu com indignação ao que chamou de “linchamento moral” da estudante – não ré, mas vítima. O que menos importa é saber se as fotos são ou não verdadeiras, mas sim que houve um crime no ato de torná-las públicas à revelia.
O melhor resumo desse autêntico drama pós-moderno que ela tão bem descreveu foi feito pela própria Eliane Brun, ao mostrar que “uma das ferramentas tecnológicas mais fantásticas já criadas foi colocada a serviço do sentimento mais arcaico – o preconceito”.
Escrito por martabellini às 21h39
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Para passar sua raiva, sua depressão e rir da vida...
Veja o vídeo: Laert Sarramor do Lingua de Trapo cantando Conchetta
http://www.linguadetrapo.com.br/arquivos/videos/concheta56.wmv
Escrito por martabellini às 20h32
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Ouçam a música USE do Língua de Trapo.
Link abaixo.
USE (Laert Sarrumor)
Use,use Sua massa cinzenta Use mais, mais e mais
Pense,pense Não faz mal Seja menos Débil mental http://www.linguadetrapo.com.br/arquivos/discografia/17biggoldenhits/use.wma
Escrito por martabellini às 20h23
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Os serviços da prefeitura de Maringá
Meu sobrinho Lucas, 14 anos, estuda em uma escola estadual e depende da carteirinha de passe para ir à escola. Recebeu sua carteirinha de passe e uma surpresa: os dados estavam corretos, porém a fotografia é de uma mulher adulta. Ele já havia sido chamado na prefeitura porque sua fotografia não constava no pedido da carteirinha. A mãe de Lucas voltou à prefeitura e provou que deixara lá a fotografia. Entregou outra fotografia. Novamente espera outra carteirinha de estudante. Enquanto isso paga integralmente as passagens do ônibus.
Os buracos das ruas de Maringá estão aumentando. Na gestão passada a CBN local tinha um programa que atendia os moradores para que eles fizessem suas reclamações ao vivo. Sugiro o retorno do programa.
Funcionários da Prefeitura Municipal de Maringá retiram cartazes do Sindicato dos Funcionários Municipais das paredes de locais públicos. Os jornais do SISMAR não podem ser lidos em escola sem que os leitores sejam molestados. A coisa está indo longe de mais.
As erosões do Parque do Ingá e do Bosque 2 estão sendo estudadas por alunos da biologia da UEM do Cesumar e da Uninga. Essas áreas de preservação são, hoje, chamadas de área de votação.
O número de árvores de rua que estão sendo cortadas aumenta dia a dia. Até o final desta gestão, Maringá terá um número recorde de árvores decepadas.
Desculpem-me os leitores destas notícias. Elas são repetitivas. Mas a repetição das notícias é proporcional à repetição destes fatos: todo dia a prefeitura faz sempre igual.
Escrito por martabellini às 20h05
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