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Blog de Martabellini
 


 

Alô, Brasólia,

Terça-feira tem Janene na Comissão de Ética.

Será que a maldição da pizza também deixará

o Janene impune como os outros?

Resta-nos cantar: os mensaleiros também amam?



Escrito por martabellini às 08h46
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São Paulo, polícia e crimes

 

Minha amiga Glória chama minha atenção sobre o que escrevi do Secretário de Segurança de São Paulo ter conversado com o Marcola, chefe de um grupo de tráfico, na prisão. O problema não é a conversa que eles tiveram. Seguramente a polícia conversa com grupos de traficantes todos os dias e mantém com eles uma relação ambígua, na falta de outra palavra para descrever uma prática corrente no Brasil: a da utilização destas pessoas que estão na vida do tráfico e roubo para obter informações ou mesmo dinheiro.

Já disse aqui no Blog que li Autópsia do medo de Percival de Souza sobre o delegado Sérgio Paranhos Fleury e a guerra suja do Esquadrão da Morte. Neste livro vamos reconhecendo a relação polícia com os “bandidos” (notem as aspas). Para mim, o problema é que a polícia, o judiciário “cuida” destes problemas sem levar em consideração as organizações que há anos trabalham com direitos dos presos. Não há transparência no que o Secretário de Segurança faz. Conversar com o Marcola, um rapaz fino, que lê e que manda em seus subordinados fora da prisão, não garantiu que a polícia não matasse 115 pessoas; destas 115 temos 107 corpos sem identificação que a polícia recusa divulgar seus nomes. Meu reclamo é que a negociação se dá de chefe para chefe. As crianças e jovens pobres recrutados pelo exército do tráfico do Marcola e de tantos outros são mortas em ato de vingança da polícia.

 

A relação de contrato entre Secretário, governador e chefes do tráfico ignora aqueles que são diariamente as vítimas de ambos os lados: dos chefes do tráfico (que financiam, inclusive, deputados e empresários do bem) e da polícia, que parece foi formada neste país para liquidar os pobres.

Escrito por martabellini às 08h39
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Prisão de ambientalista e a não prisão dos deputados mensalões (notícia do BLOG da Glória).

 

 

 

Presa há três semanas, a ambientalista e engenheira agrônoma Telma Pereira Lobão, 47, está algemada há seis dias em uma enfermaria do Hospital Santo Antônio, em Salvador, por decisão da Justiça. Além da algema presa à cama, Telma está sob custódia policial 24 horas por dia, segundo informações do hospital.

Motivo da prisão: organizar uma passeata porque não concordava com algumas medidas da Justiça de soltarem acusados de crimes ambientais.


"Acho que ela está sendo mais vigiada do que o traficante Fernandinho Beira-Mar, que só é algemado quando é transferido de presídio", disse Romário Gomes, coordenador da comissão de direitos humanos da OAB, que ingressou na Justiça com um pedido de habeas corpus para libertar a engenheira.

(Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 9/5/06)

 

Comentário da Glória:

A República é composta de três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Sobre os dois primeiros, podemos deitar e rolar, a imprensa publica qualquer indício, ou mera suspeita, que paire contra seus representantes. Bem ou mal, é a democracia. Quanto ao Judiciário, temos de engolir todas as decisões e irregularidades. A imprensa, na verdade, é conivente com este poder. Isso é ditadura! A ambientalista presa acima é mais uma vítima desse poder despótico



Escrito por martabellini às 22h40
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CARTA AOS FILHOS ( 1964) de W.  Bion  (In: The Other Side Of Genius – Family Letters, p. 179-180).

 

A única coisa que deveria nos interessar, e que sempre me interessou, é que possam ter um conhecimento de nós mesmos e dos outros, que nos torne capazes de tirar o máximo proveito daquilo que a vida nos reserva. Eu sempre me dei conta que para conseguir isto é preciso experimentar e aprender por si mesmo. Sei que a vida pode ser muito dura e sufocar o crescimento; tudo o que desejo é que isto não ocorra de modo desnecessário. Muito da felicidade presente é fruto de uma labuta passada, do mesmo modo que a felicidade futura pode estar na dependência da labuta do presente. Não há virtude na labuta, mas se vocês encará-la com equanimidade, caso seja necessário, ela passa a ser um esteio incalculável, que nenhum montante de habilidade ou sorte, pode substituir.

 

A imaginação é de grande valia, sem ela você não pode vislumbrar seu caminho, mas ela não deve transformar-se num substituto para a vida real. Podemos ficar tão estropiados com a mera rotina de cavar o pão de cada dia, e com a dor da competição pelas necessidades singelas da vida, que se torna impossíve1 a alguém encontrar o próprio talento. É igualmente verdadeiro que podemos ser sufocados por excesso de facilidades. Não vejo como poderia me contrariar por qualquer escolha que vocês façam, a não ser um caso: se for uma escolha que os leve a retrairem-se em imaginar uma vida boa lugar de encontrar seu próprio caminho até ela. Milton, ao referir-se à sua jornada disse que foi “Ensinado pela musa celestial tanto a aventurar-se no descenso sombrio, quanto a elevar-se de novo, mesmo que duro e raro”: e isto, que já é uma tarefa árdua para qualquer consciência, o era ainda mais em função de seu reconhecimento da própria grandeza, e da carga que representava para ele. Mas isto se aplica igualmente às coisas comuns, se é que se pode chamar um conhecimento tão extraordinário quanto o conhecimento do comum para cada individuo, de algo “ordinário”. O indivíduo sempre ansia por um sol, chuva, nuvens, ar, comida e felicidade que sejam “ordinários”. Se a imaginação os ajudar a encontrá-los, muito que bem; mas, é uma maldição, se uma crença alguma vida “extra-ordinária”, coloca uma barreira entre aquilo que são vocês. Vocês podem acreditar, eu odiaria mais do que me fosse possível expressar, se sentisse que algo dito ou feito por mim os induzissem a um “bom resultado” que se interpusesse entre vocês e estas simples grandes coisas. Lendo cuidadosamente a abertura do Livro III Paraíso Perdido, vocês perceberão que Milton não estava falando somente sobre sua cegueira, se bem que a maior parte das pessoas (mesmo aquelas supostamente mais esclarecidas) pense assim, mas acerca da luz interior; este e o seu jeito de formulá-la. Ele se vale das crenças e da linguagem de seu tempo para expressar-se, mas aquilo que ele expressa é conhecimento que só é possuído por um grande homem e que transcende os acidentes e circunstância de seu tempo. Com o passar do tempo sua experiência ensinará mais a mais respeito da grande profundidade da compreensão por ele conseguida. Só quem sabe, poderia dizer o que ele diz a respeito do amor no Livro IV: “amor emprega aqui seus áureos feixes luminosos”. Eu não desejo nada para vocês, a não ser que vocês encontrem a si mesmo e à sua própria vida”.

 

{...}

Depressão e insucesso são uma parte de toda vida, mesmo da mais feliz e bem sucedida.

Eu diria até, especialmente da mais feliz e bem sucedida: é o preço que se paga pela alegria e pelo sucesso, se eles cruzam seus caminhos. Mas o preço que se paga ao tentar evitar insucesso e depressão, e dez vezes pior. Para inicio de conversa, felicidade e sucesso são coisas muito boas por si mesmas. O assunto é bem diferente, se vocês se

sentem obrigados a ser “felizes” e “bem sucedidos”, por temerem o insucesso e a depressão. Isto compromete o sucesso, pois aí sentimos que ele está acobertando alguma coisa. O insucesso e a depressão tornam-se artifícios que já não podem ser encarados como alguma coisa que as pessoas comuns contornam com facilidade todos os dias. Eu gostaria que vocês elaborassem seus próprios julgamentos e tomassem suas próprias decisões. Mas eu pretendo que vocês o façam por razões verdadeiras. É fácil para eu escrever tudo isto, mas para ninguém é fácil praticá-la. (Tradução: Luiz Carlos Uchôa Junqueira Filho).

 



Escrito por martabellini às 20h23
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Manifestação dos agricultores em Maringá empata a vida dos trabalhadores

Hoje às 13h30, 16/5, tentando atravessar a cidade para chegar à Universidade onde trabalho ficou difícil: grandes caminhões atrapalhavam todos que iam trabalhar. As ruas e avenidas estavam entupidas de mega caminhões. Era a manifestação dos agricultores querendo a liberação de verbas para mais plantios etc e tal. Fiquei enraivecida. Apóio os pequenos agricultores. Mas tenho que perguntar: estes senhores que estavam fazendo a manifestação com seus mega caminhões são aqueles plantadores de soja transgênica? São aqueles que com dinheiro do Banco do Brasil deixam de pagar seus empréstimos para comprar as terras dos pequenos agricultores que não conseguem pagar os bancos?

Creio que os pequenos agricultores têm que separar o joio do trigo. Precisam escolher bem seus parceiros. Estes senhores mega plantadores do estado do Paraná, obstruíram as estradas e cidades do Paraná e se esquecem que outros precisam trabalhar. A Associação Comercial de Maringá e o prefeito apoiaram a manifestação? E por que não iriam apoiar, não é?



Escrito por martabellini às 17h57
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Policiais e bandidos: qual é o lance das batalhas nas ruas?

 

É evidente que todos tememos a agressão, o roubo, a depredação de nossas coisas e vidas. Mas é preciso esfriar a cabeça quando vamos falar do que ocorreu na cidade de São Paulo, Presidente Prudente, Campinas, Hortolândia e Campo Mourão, no Paraná, entre outras. Esfriar porque esta história de batalha entre bandidos e policiais é de longa data no Brasil. Estou lendo o livro do Percival de Souza, Autópsia do Medo. Vida e Morte do Delegado Sérgio Paranhos Fleury, Editora Globo, 2000. Um aluno me emprestou e ainda estou no capitulo 4 de 21 outros. Neste livro, excepcional, diga-se de passagem, nos recordamos de muita coisa. Eu não sabia mas o juiz Nicolau, o Lalau, era freqüentador do DOI-Codi na Rua Tutóia na cidade de São Paulo. Ia jogar baralho com os policiais do Esquadrão da Morte. Os bandidos eram baleados a qualquer hora e em qualquer lugar da cidade de São Paulo. Faz tempo essa pendenga entre policiais e bandidos dura no Brasil. No livro do Percival há uma anatomia da convivência dos policiais corruptos e do Esquadrão da Morte com o secretário de Segurança, com o governador (como Ademar de Barros, Abreu Sodré...) etc. O que ocorreu e vai ocorrer ainda nas cidades é uma seqüência de ataques. A OAB enquanto preparava o impedimento do Lula se “esqueceu” da segurança. Os delegados e militares reclamam de mais medidas duras, inclusive contra os advogados. A OAB defende os advogados. O governador de São Paulo, com medo de perder votos para seu tucano favorito, não aceita a ajuda do governo federal. O Secretário de Segurança Pública (sic) de São Paulo é acusado de fazer acordos com as facções de bandidos nas prisões e não responde às perguntas dos jornalistas sobre a estranha calmaria em todas as prisões do estado de São Paulo. Estranho? Nem tanto.



Escrito por martabellini às 17h45
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Recebi de minha amiga Ana Cristina Teodoro da Silva.. Fala do texto e filme Diários de Motocicleta.

 

Marta,

 

Disse a você que li no seu blog o comentário sobre “Diários de Motocicleta”, dirigido por Walter Salles. O filme nos mostra uma face mais terna de Ernesto “Che” Guevara, cabe comparar com outro filme, “Fidel” (ops! não lembro o nome do diretor), que mostra um “Che” favorável à morte pela causa.

Mas o que quero ressaltar é o sentimento de latinidade que exala de “Diários de Motocicleta”! Quando passou aqui em Maringá, eu havia recém visitado Peru e Bolívia, por terra mesmo, de “Trem da Morte”, ônibus, caminhando, triciclo, pulando ponte, navegando no Titicaca (certo, também pela água). À medida que prosseguia, pensava como nós, brasileiros, não compreendemos os vizinhos!

Em La Paz, logo chamou minha atenção os grafites que diziam “o gás é nosso” e “natureza não se vende”. Rápido tive que entender alguns pontos que os noticiários não explicam: a maior parte da população boliviana é indígena, de idiomas Quéchua e Aymara. Como o máximo que fazemos por aqui é aludir a uma “América-espanhola”, não sabemos o que é isso. Imaginem minha cara em um domingo de páscoa vendo uma passeata de indígenas com suas roupas e cores tradicionais saudando a ressurreição de Cristo. Mais tarde, na Catedral católica de Cuzco (Peru), vejo uma “Nossa Senhora” com rosto de “Pachamama” (deusa que representa o planeta Terra para os índios de lá. A Edilene lembra que ela aparece sempre “redondinha”). Igrejas, museus, prédios importantes foram sempre construídos sobre prédios incas, em mais uma demonstração de força dos colonizadores. Porém, a face segue de Pachamama.

Para uma parcela expressiva da população boliviana, natureza não se vende. E gás é natureza! Há algo mais distante da “lógica neo-liberal”?

Aproveito a lembrança do filme de Walter Salles para relacioná-lo aos noticiários que tenho visto sobre o gás boliviano. O que querem os que pregaram “medidas firmes” contra os bolivianos? Com quem nos identificamos mais, com Bush, com o colonizador espanhol, com os Incas - eles mesmos colonizadores? Será que entendemos as cores da vestimenta de Evo Morales? Basta chamá-lo, e ao Lula por aqui, de populista? A quem interessa a desunião latino-americana?

Para mim, as respostas precisam ser pensadas com paralelos entre as paisagens andinas e as trilhas da Mata Atlântica. O gás é para o peruano o que o Amazonas é para nós. Peru e Equador também têm regiões amazônicas. Sebastião Salgado fez fotografias que não sabemos dizer, sem olhar a legenda, se são de sertanejos nordestinos ou de índios peruanos. Jose de la Cuadra (equatoriano) tem algo em comum com Garcia Márquez (colombiano) e Isabel Allende (chilena). Allende, parente do Salvador, derrubado por Pinochet, general acolhido pelos ingleses que colonizaram os estadunidenses…

Misturei tudo? É assim que somos…

 



Escrito por martabellini às 19h24
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