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Blog de Martabellini
 


E, por falar em escolas públicas...

 

De 1500 a 1800 - durante 300 anos – a Metrópole proibiu tudo aos brasileiros, inclusive a montagem de um sistema escolar popular: nestes 300 anos nada aconteceu na feitoria da Companhia de Comércio e Navegação que monopolizou as relações com a Colônia com o mundo. Até o ano de 1808, ocasião em que chegou a Colônia a Família Real, escorraçada da Europa por Napoleão, herdeiro da Revolução Francesa, eram proibidos no Brasil, escolas, jornais, circulação de livros, associações, discussão de idéias, bibliotecas, fábricas, agremiações políticas e qualquer outra forma de movimento cultural ou de produção livre de bens, sendo as opiniões controladas pela moribunda, mas eficiente, Inquisição Peninsular que veio atuar também no Brasil e daqui jamais se mudou (o primeiro jornal “brasileiro” circulou em Londres).

 

Este trecho é do livro de Lauro Oliveira Lima, Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho, Editora Brasília, 1975.

Vale a pena ler, sobretudo, nesta cidade dirigida pelo PP em que professores e funcionários são filmados para o acervo da ditadura do governo local.  Aliás, quem paga à Jacques Vídeo para filmar os funcionários do sindicato e aqueles que discordam do SBII? Nas escolas das crianças os jornais do SISMMAR são tirados das mãos dos professores... e eles deixam. Estamos em 1800? Ou estamos na ditadura? Ou estamos em uma democracia com professores medrosos?  (este é o funcionário da Jacques Vídeo que filma os dissidentes do governo PP em Maringá).

 



Escrito por martabellini às 09h57
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Privataria e privatização das escolas municipais de Maringá

 

 

Professores municipais na expectativa: quando e como acabará a escola municipal pública de Maringá? Há dois meses a maioria das crianças está sem aula de inglês (a elite de Maringá pouco se importa se crianças pobres precisam aprender inglês). A saída da gestão Barros é enfiar professores de outras áreas para dar as aulas. Faltam professores e a prefeitura não pode contratar (sic) professores, pois está sem recursos. Em dois anos esta gestão já chegou à metade do caminho de seu plano: irá privatizar – OUTRA VEZ – as escolas municipais de Maringá. Outra vez porque na gestão de Ricardo Barros, irmão do atual prefeito Silvio Barros, as escolas municipais foram tornadas cooperativas, o professor tinha o DIREITO de comprar sua cota na escola e se tornar um dos donos. Agora, na nova gestão, a história se repete: os irmãos Barros com “know how” na área já deixam ventilar entre os professores que ou eles aderem à nova idéia de escola ou a escola municipal irá morrer aos poucos; no fim dela, todos aderirão à escola cooperativa (privada). A boa notícia é que os professores e pais estão começando a sentir este desconforto barrista na pele e já sentem a primeira das reações que dão vida ao ser humano nestes casos: ódio do SBII. Ouvi ontem, 11/05, alguns professores do município que, mesmo sem tradição de militância, estão se programando para reagir. Os professores que votaram no SBII estão arrependidos e insinuam uma revolta. Que ela venha agora ou nas urnas, MAS, com certeza, virá.

 

Escrevemos, após a saída do Ricardo Barros da prefeitura (ufa!) um livro sobre a desastrosa experiência das escolas cooperativas em Maringá. A organização é do Professor Reginaldo Dias, do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá. O título é O público e o privado na educação: a experiência da privatização do ensino em Maringá e temas afins e foi publicado em 1995. Precisamos deixá-lo disponível na internet, pois a onda barros varrerá as escolas e não deixará nada além de lama.



Escrito por martabellini às 09h38
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Manifestação e fantasia

 

Hoje de manhã tivemos o desfile em comemoração ao aniversário de Maringá. Houve uma manifestação dos funcionários públicos municipais, orientada pelo Sismmar, sindicato da categoria. Embora a manifestação fosse pequena (e bem vinda, em minha opinião) resultou em críticas interessantes. Os funcionários querem o pagamento do que está atrasado; lutam também por reajuste salarial. Schiavone, assessor do prefeito de Maringá, disse que os funcionários fantasiam: não há recursos a serem pagos. O prefeito diz que o sindicato mente.

É interessante a elite desta cidade: a gente pergunta uma coisa, eles respondem outra. Não é boa uma qualidade comunicativa. Fantasia por fantasia, eu acredito que os recursos não foram pagos.



Escrito por martabellini às 13h02
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Silvio Land Rover fala à CPI

 

Neste momento, 10/5/06, o Silvio Land Rover fala à CPI ao senador Garibaldi. É muito constrangedor ouvi-lo: pronuncia mal as palavras, emite frases erradas, sem concordância verbal ou outras falhas como “não quero faltar ao desrespeito”, “oS meuS inimigo”, não tive pobrema com ele (o Okamoto). Além disso, cambaleia nas mãos do senador Garibaldi como um rato nas mãos de um grande e esperto gato. Muita coisa passa por minha cabeça: a esquerda (ou pelo menos a maioria dela) odeia estudar, não está nem aí para falar com correção, odeia quem estuda (para eles os intelectuais). Outro aspecto dessa esquerda é o grau de ingenuidade ou de potencial suicida. Tratar de finanças do modo como parece que tratou, dá para pensar que estas pessoas são suicidas, principalmente porque o outro lado político (a chamada direita) segue passo a passo os militantes de “esquerda”.

Um grande erro do PT, em minha opinião, foi dar as mãos aos partidos de direita que, agora, depois dos mensalões, do Land Rover, do dinheiro na cueca, quer esfaquear e picar o PT em pedacinhos para que nada da esquerda fique para semente. É uma lição que os grupos do PT não querem aprender. Dá pena, mas a experiência é parte da vida de todos nós.



Escrito por martabellini às 12h48
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Amanhã, dia 10 de maio é Aniversário de Maringá.

Feriadão na cidade. Caribé para Maringá:a mulher negra,

mãe de todos aqui (mesmo para os que se acham brancos).



Escrito por martabellini às 23h49
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Diário de motocicleta de Valter Salles

 

Assisti a este filme faz dois dias. Eu sempre demoro a assistir filmes. Meus amigos nem me convidam mais para ir ao cinema.  Amei o Diário de Motocicleta: simples, com imagens belíssimas. Recordei-me do ano de 1995 quando fui para Costa Rica convidada pela Universidade de lá. Nesta época eu estava me preparando para ir à Itália visitar minha irmã. Recebi o convite e troquei de viagem. Não me arrependi. “Vi” o Equador e Panamá. O céu do Panamá é azul, um azul maravilhoso. Fiquei em Costa Rica e de lá fui para a Guatemala. Neste país eu conheci paisagens e pessoas encantadoras, os maias. Um lago como o Chichicastenango, azul rodeado por sete vulcões apanha nossa “alma” para sempre.

Na Guatemala de 1995 a ditadura militar ainda atuava. Conheci advogados, estudantes, poetas que se aninhavam na universidade, nas festas e em todos os lugares para conversar, “poetizar” e manter a luta deles. As pessoas destes lugares me passaram um ar daqueles que o Valter Salles quis nos mostrar no filme. É um filme terno assim como as pessoas que conheci. Dá saudade!

 



Escrito por martabellini às 23h42
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De perplexidade se morre?

 

Ouvi hoje, 9/5/06, na CBN local, o deputado Valdir Rossoni, do PSDB (deve ter sido de outro partido antes) falando que o Gustavo Fruet foi bem cotado em uma pesquisa do PSDB. Ele poderia ser o candidato a governador do Paraná, mas existe a aliança com o PDT para alavancar o nome do Osmar Dias para concorrer às eleições. Esta lógica dos partidos acaba com os candidatos como o Fruet que, de fato, se destacou na CPI do mensalão (ainda que tenha ficado quieto quanto ao mensalão do colega do PSDB mineiro). Este utilitarismo do Valdir Rossoni e do seu partido mata um provável político de cara mais limpa, creio. Eu não votaria nele, mas ele é páreo para o Requião, sim. Porém, quando nos lembramos quem é o PSDB em Brasília (e aqui no Paraná) a gente desiste deles na hora. Ainda mais que o Rossoni é aquele velho deputado que ataca professores grevistas. Em 2002 (e eu tenho uma fita FHS gravada comigo) este deputado jogou uma cadeira sobre um professor da Universidade Estadual de Maringá. Não preciso dizer mais nada.

 

De qualquer forma, estes políticos me deixam sempre perplexa. São tão claros nas estratégias políticas de eleição que esta sinceridade é admirável. Ninguém se envergonha do que faz e os políticos têm motivos de sobra para isso.

 

Eu que votei muito tempo no PT, fui filiada ao PT, ainda estou perplexa com o comportamento do pessoal: a “votança” deles na Reforma da PREVIDÊNCIA me fez primeiro ficar furiosa, depois perplexa (tenho certeza que os deputados votaram nesta reforma com a ajuda nada pequena do mensalão).

 

Outro comportamento de tirar o fôlego é o do Garotinho. A não ser que o nome dele seja o problema, ele agiu como um idiota jogando-se na greve de fome. O maior problema para nós é que nunca mais a greve de fome terá o mesmo respeito. Deixou-me perplexa este garotinho. Talvez ele tenha em mente arrasar mais ainda as estratégias de luta dos militantes.



Escrito por martabellini às 23h27
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Domingo de manhã em Maringá

 

Uma casa, um prédio ou uma loja são inserções de nossa história na história da cidade. Vista deste modo uma cidade é a representação de sua população, das pessoas que nela habitam. Como não estamos em outro lugar senão em uma sociedade capitalista, as representações são diversas. Foi assim que ontem de manhã, dia 7/5/06, domingo, vi, no chamado centro novo, o uso das calçadas públicas no cruzamento da Avenida São Paulo com a Tamandaré pelas empresas que constroem ali lindos e caros prédios. Engraçado que faz parte da paisagem um outdoor do empresário dizendo: Pai, empresário.... Faltou dizer cidadão. Por que faltou? Porque as calçadas estão tomadas pela fachada dos prédios com a construção daquelas “casinhas” chiques que vão receber os compradores. Enquanto isso nestas duas avenidas, as mais freqüentadas pela população que trabalha no centro, fica com um pequeno espaço para se mover. Isso para não dizer que ali tem um ponto de ônibus. A inserção destes prédios na história de Maringá é, porque não dizer, a história do tratamento que muitos empresários dão à população mais pobre: a nós a calçada, afinal geramos empregos, geramos renda à cidade. A vocês um espaço que dá para caminhar. Se alguém for atropelado o que fazer, não é?

 

Veja o local:

 

 



Escrito por martabellini às 13h23
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