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Ler Sagan (continuando...) 

Da terceira parte destaco o capítulo 15, sobre o aborto, e o capítulo 16, sobre os resultados de Axelrod. Em Portugal assistimos recentemente à triste "discussão" relativa à despenalização do aborto. As razões de um lado e do outro denotavam em geral um perfil de tal modo provinciano que fiquei assustado com o atraso cultural português. Em primeiro lugar, ninguém tem aparentemente dados precisos sobre o que quer que seja, nem conhecimento dos argumentos correntes da literatura filosófica sobre a matéria; em segundo lugar — mais grave — as pessoas não sabem o que é argumentar, não sabem o que é defender uma idéia com razões. Em terceiro lugar, toda a gente se acha intitulada a ter uma opinião que vale a pena ser ouvida, só porque é dela. Sugiro por isso fortemente que leiam, para começar, este capítulo do Carl Sagan. Ele defende uma posição moderada, com bons argumentos e ampla informação científica. Não quer dizer que a ideia de Carl Sagan tenha de ser aceita — com certeza que não! —, mas vale a pena tê-la em consideração.

Quando escolhi o livro de Peter Singer, "How Are We to Live?", referi o excelente capítulo sobre o dilema do prisioneiro e a solução de Axelrod — o mesmo acontece no capítulo 16 de "Biliões e Biliões", intitulado "As Regras do Jogo". Sagan consegue mostrar de modo muito simples a importância da solução da estratégia de Axelrod para lidar com as situações que dão origem ao dilema do prisioneiro. Axelrod chamou "pagar na mesma moeda" ("tit for tat") a esta estratégia. A importância moral dos resultados de Axelrod é imensa. Na verdade, constituem nada mais nada menos do que a refutação empírica do preceito cristão de oferecer a outra face. A estratégia de pagar na mesma moeda consiste em começar por cooperar, fazendo de seguida ao outro o que ele nos fez a nós. A estratégia é boa porque não dá origem a círculos de não cooperação, nem permite que sejamos explorados. Esta estratégia tem ainda a vantagem de apresentar um padrão simples que a outra pessoa compreende rapidamente, o que lhe permite cooperar com segurança, dissuadindo-a ao mesmo tempo de não cooperar.

No último capítulo, "No vale das sombras", Carl Sagan faz a narrativa da sua infeliz doença. É um capítulo doloroso de ler — e ao mesmo tempo maravilhoso, pois Carl Sagan revela a sua imensa lucidez e inteligência numa situação onde é fácil perder toda a compostura. Carl Sagan foi um daqueles grandes espíritos acerca dos quais subsiste a dúvida de saber se a humanidade o mereceu. O meu cepticismo leva-me a pensar que não, mas esta é uma matéria que só o futuro poderá resolver. Só tenho uma maneira de prestar homenagem a um dos maiores seres humanos que alguma vez pisaram o nosso planeta: cultivar diariamente a tolerância e a bondade, o amor pelo conhecimento e pela justiça e estimular os outros a fazer o mesmo. Não posso fazer mais do que isto. Ninguém pode fazer mais do que isto.

 

Dedico esta página ao amigo Sidnei Munhoz, aos meus queridos alunos da biologia, zootecnia, enfermagem e educação para as ciências.

 Marta Bellini

 

 

 



Escrito por martabellini às 16h39
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Leitura recomendada (para superarmos a ignorância)

 

Gosto muito de Carl Sagan. Pesquisador da Nasa, estudioso competente, ele escreveu acerca das ciências (ou da ausência dela) em nossas vidas. Encontrei um site http://www.criticarede.com/index.html, Crítica - Revista de Filosofia e Ensino uma linda resenha do livro de Carl Sagan feita pelo filósofo e professor português, Desidério Murcho. Segue a resenha.

 

 

 

Biliões e Biliões: Pensamentos sobre a vida e a morte no limiar do milénio, de Carl Sagan (no Brasil Bilhões e bilhões, editora Cia das Letras). Foi finalmente publicada a tradução portuguesa do último livro do malogrado Carl Sagan, falecido em Dezembro de 1996. A obra está dividida em três partes, cada uma das quais está subdividida em 6-7 capítulos. No final podemos ler um epílogo da autoria da sua mulher, Anne Druyan, redigido já depois da morte de Carl Sagan. A tradução de Francisco Agarez e Rita Silva Lopes é não só correcta e elegante — o que só por si é um feito neste país — mas extremamente cuidada e muito inteligente. É caso para dizer que Francisco Agarez e Rita Silva Lopes estiveram à altura do grande autor que traduziram.

A primeira parte trata da quantificação, da inteligência do mundo que os números nos dão. A segunda parte trata dos problemas ambientais do nosso planeta, dos factos relevantes e do que podemos fazer. A terceira parte trata da incansável capacidade humana para a guerra, do aborto, das descobertas de Axelrod e termina com um capítulo redigido por Carl Sagan já depois de ter sido submetido a várias transfusões de medula óssea.

A primeira parte constitui um excelente antídoto para os que encaram com horror os números, a matemática, a precisão. Sagan mostra como a quantificação nos permite um conhecimento muito mais profundo do mundo que nos rodeia. Recomendaria vivamente este capítulo aos estudantes de letras portugueses — mas infelizmente, a divulgação científica não faz geralmente parte das preferências literárias destes estudantes, que se deixam subjugar por preconceitos irracionalistas anti-rigor e anti-matemática.

A segunda e a terceira partes são as mais brilhantes do livro. Aconselho vivamente a leitura da segunda parte a todos os "ecologistas" do mundo, para que percebam o que está realmente em causa. Uma das desgraças do mundo contemporâneo consiste no facto de toda a gente querer usar as mesmas estratégias que os publicitários usam para vender detergentes e pensos higiénicos. O resultado último deste deplorável estado de coisas é o facto de alguns dos temas de discussão mais importantes — como os temas que dizem respeito ao meio ambiente — se tornarem patéticos: manifestações de rua de duvidosa racionalidade nas quais não se apresentam razões nem dados, manifestando-se apenas uma veemente negação (quando a negação, sem explicação, não basta). Suspeito, aliás, que muitas pessoas terão aderido a tais manifestações sem conhecerem muito bem a realidade — que, a propósito, tem de ser quantificada de forma rigorosa.

A leitura deste grupo de capítulos é por isso imprescindível. Neles se dá conta do verdadeiro estado ecológico de alguns dos aspectos do nosso planeta, como o efeito de estufa provocado pela combustão intensiva de produtos derivados do petróleo e o problema do ozono provocado pelos CFC. Sagan oferece ao leitor dados mais que suficientes para que se perceba realmente o que se passa. E oferece soluções. A inteligência, a precisão e a moderação com que Sagan lida com os problemas é notável. Por exemplo, um dos aspectos mais atraentes dos combustíveis fósseis é o facto de ser barato (cerca de 20 dólares o barril), quando comparado com fontes de energia alternativa, como a solar e a eólica. Mas não estaremos enganados nas contas? Afinal, não devíamos acrescentar ao preço do petróleo as despesas militares de países como os Estados Unidos se vêm forçados a fazer para proteger as suas fontes de fornecimento? E o preço dos derrames (como o do Valdez)? Se contabilizarmos estas despesas adicionais, o preço estimado sobre para qualquer coisa como 80 dólares o barril. Se agora somarmos a isto os custos ambientais provocados pelo consumo desse petróleo no ambiente local e global, o preço real é capaz de chegar às centenas de dólares o barril. E quando por causa da protecção do petróleo se desencadeia uma guerra, como foi o caso no golfo Pérsico, o custo sobe muito mais, e não apenas em dólares. (pág. 145).

 

 (continua ...)



Escrito por martabellini às 16h36
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SAÚDE EM DESMANCHE EM MARINGÁ

Alguns dizem que lugar de pobre é na cadeia, já outros mandam para o cemitério mesmo!

Carta Aberta entregue na III Conferência Municipal da Mulher em Maringá pelo Setorial das Mulheres do PT, Maringá, Paraná. Março de 2006 (Carta divulgada no BLOG FACTORAMA em 25/3)

 

A administração do Prefeito Silvio Barros II, prestou contas na última reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizado no dia 21 de março deste ano, informando que 06 mulheres morreram em Maringá no ano passado (2005), a maioria logo após dar a luz. Dessas mulheres, 05 foram atendidas na Saúde Pública. Ocorre que na administração petista, implantou-se o parto humanizado, melhorando as condições de atendimento e dando total acompanhamento desde o início da gravidez, sendo que, em 2003 e 2004, foi registrada 01 morte materna por ano. Se compararmos este ano com os anos anteriores, de 2003 e 2004, percebemos que houve um aumento de 600%.Isso mostra a falta de respeito que a administração Barros II tem para com a cidadã e cidadão maringaenses, usuários da saúde pública. O resultado é que a família ficou sem sua mãe e esposa, e sofre pela falta dessa pessoa querida, essencial à vida, ao afeto, à educação e formação do indivíduo. Imagine o que será desses filhos sem a mãe? De quem é a responsabilidade? Nada justifica esse espantoso aumento, de 01 para 06 mortes maternas ao ano em nossa cidade.Algumas entidades, presentes nessa reunião do Conselho Municipal de Saúde, atribuíram esse fato gravíssimo ao desmonte da saúde pública em Maringá nessa gestão Barros II, especialmente ao descaso com o Programa Saúde da Família (PSF), que foi sendo desmantelado aos poucos por essa administração. Isso contribuiu para o aumento dos problemas de saúde da mulher, pois, na maioria das vezes, é para esta equipe de profissionais que elas confidenciam coisas que escondem até da família.É preciso que a população fique atenta e se organize para que as coisas não piorem ainda mais. Acompanhe e faça valer os seus direitos.Não deixe que privatizem, terceirizem ou façam qualquer coisa parecida com a saúde pública de Maringá.Pensemos... Se hoje falta remédio, médicos, seringas e até papel higiênico, não será entregando o que é nosso através de parceria com a iniciativa privada que as coisas ficarão melhores.Cuidado com a propaganda enganosa do prefeito Silvio Barros II, informando que resolveu ou resolverá os problemas da saúde pública de Maringá, que ele mesmo criou.



Escrito por martabellini às 15h31
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Recebi de Antonio França em 25/2/06:


Marta, começo fazendo uma pergunta: a quem interessa enxovalhar o Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá? Posso divergir, mas não questionar a legitimidade do SISMMAR. Estamos assistindo os servidores sendo sitiados permanentemente por decisões antidemocráticas e politiqueiras. Porém, há um outro lado. Os que têm dignidade na vida pública têm o dever de protestar e falar em favor dos servidores perseguidos, dos corretos, contrariando aqueles que querem enxovalhar para confundir a opinião pública. E onde estão esses que ocupam funções públicas? É importante observar que na história, dirigentes fracos tornaram fracas as instituições. Não é possível que em uma democracia estejamos sujeitos aos dissabores muitas vezes piores do que as cassações impostas pelo regime militar, quando era notória a injustiça e a repulsa popular contra a arbitrariedade. Assim, neste meu modesto comentário, gostaria de tornar minhas as palavras de Marta Belini.



Antonio,

 

Veja que situação! Há funcionários públicos fazendo de tudo. Uns, com os quais o prefeito nunca vai brigar; podem ser até de sindicatos, mas como lambem os pés do patrão, eles se mantêm anos a fio. Outros são mandados pelo chefe para limpar terrenos privados e, é claro, têm que obedecer. Outros funcionários são emprestados para órgãos de setores diferentes. É lamentável, mas é assim que estes funcionários ficam longos anos na posição de poder menor. É aquela parte da sociedade que não tem escrúpulos algum. Para entendê-los temos que ler ESCUTA, ZÉ NINGUÉM do Reich. São mesquinhos, feios, corrompem-se por poucas moedas, gostam de ser fotografados com os mais importantes da cidade e sair na coluna social. A alma desses funcionários é menor que uma molécula de gás: pequena, volátil, efêmera.

 

Então, por que a satanização do SISMMAR? Como você bem disse, podemos até discordar da estratégia dos seus dirigentes, MAS eles têm direitos e estes devem ser garantidos. O atual governo quer o consenso; quer aplicar o ditado: Para os inimigos a dissolução! Não trata a discordância com diálogo, com argumentos, trata com perseguição, com descaso e, ainda por cima, põe a Câmara de vereadores para legitimar sua autoridade.  Confesso que a atual gestão me põe medo, não por mim, mas pelo coletivo de Maringá que sempre ficou nas mãos das “otoridades” e não consegue se emancipar.

 

 



Escrito por martabellini às 14h55
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Acreditem: o Brasil nasceu com uma elite estúpida!

 

 

Para quem gosta de ler e conhecer a história não oficial do Brasil. Para quem quer saber de onde vieram os militares, os donos das cidades (e dos lotes) que fazem e fizeram bairros como o Tarumã em Maringá (que alaga a vida dos moradores de lá), para quem quer saber por que os vereadores compram note book sem licitação, gastam fortunas de dinheiro público em contas telefônicas...Para quem está perdido e embasbacado em ver tanta perseguição aos trabalhadores, mulheres morrendo por falta de médicos e saúde no país todo e na cidade canção... Os livros abaixo conseguem desnudar a elite e nos fazem entender por que a Câmara de Vereadores de Maringá tem tanta pressa em MATAR o sindicato que ousa refrear o apetite privatista e autoritário do prefeito local. São eles:

 

Os donos do poder (volumes 1 e 2), de Raimundo Faoro. É o clássico mais respeitável do Brasil. Vocês vão se “deliciar” com a leitura. A corrupção, a destruição do patrimônio público nasceu com a descoberta do Brasil. Retrato dos governantes. Os vereadores, deputados etc e tal são os mesmos desde que surgiram no país; lambem os pés dos governos para obterem o símbolo da elite e pequenos agrados.

A ferro e fogo, de Warren Dean (editora Companhia das Letras). Relata com apoio em sérios dados estatísticos a roubalheira de pau-brasil de 1500 a 1600, a destruição de todo patrimônio natural e ecológico da Mata Atlântica em menos de 3 séculos. Alguns nomes das famílias predadoras estão no livro.

O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, editora Companhia das Letras. A primeira pergunta que Darcy faz no livro é: Por que o Brasil ainda não deu certo?

Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro.  Romance irônico sobre a formação da elite armada, o exército brasileiro. Vale a pena rir! É tanta desgraça desta elite que só o humor atenua a infelicidade. Aí a gente entende a falta de finesse da elite do Brasil.

 

Indico, também, para sabermos da situação caótica dos Fundos de Vale em Maringá a dissertação do Valter Dubiela, de 2003. Temos volumes na Universidade Estadual de Maringá. Em sua dissertação no Mestrado em Geografia, Dubiela mostra todos os famosos jeitinhos da elite maringaense para dar cabo nos Fundos de Vale, inclusive a mão de certo vereador nestes locais. O Valter não mora mais no Brasil. Não há como processá-lo por injúria, difamação ou calúnia. Digo isso, pois soube que o vereador John, João Alves, disse que irá processar a presidente do SISMMAR. No Brasil as ameaças contra os trabalhadores nasceram em 1500. O vereador repete um ato histórico da elite brasileira. É ameaçando que se impõe a VERDADE (sic) da elite.

 

Há muito mais livros. Para começar estes são imprescindíveis!



Escrito por martabellini às 12h42
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Vamos celebrar a estupidez?

 

 

Darcy Ribeiro no clássico livro O povo brasileiro explica o porquê da ferocidade de prefeitos, vereadores, deputados etc, contra sindicatos combativos. A elite brasileira tem pavor, tem pânico do vôo das classes trabalhadoras. “O povo-nação, diz Darcy, não surge no Brasil de formas anteriores de sociabilidade, em que grupos humanos se estruturam em classes opostas, mas se conjugam para atender às suas necessidades de sobrevivência e progresso. Surge, isto sim, da concentração de uma força de trabalho escrava, recrutada a propósitos mercantis alheios a ela, através de processos tão violentos de ordenação e repressão que constituíram, de fato, um continuado genocídio e um etnocídio implacável”. Essa violência se perpetua até os dias de hoje. A segregação de classes no Brasil é profunda, isto mantém a elite de asas abertas comendo carne humana e as riquezas do país. A elite despreza os pobres e ao mesmo tempo tem medo que estes se rebelem. Alguns, ou melhor, muitos, passam para o lado da elite; muitos vereadores, deputados etc vieram das camadas pobres, mas se aliam aos mandantes. Estão aí câmaras de vereadores e o parlamento de Brasília que não deixam o Darcy Ribeiro mentir. Esses políticos fazem parte da festa da elite e recebem as migalhas do banquete. São os lambe botas. Já os trabalhadores que se rebelam via sindicato ou não, ah, esses têm que ser destruídos, ameaçados, se possível trucidados. Assim vejo a situação dos diretores do SISMMAR da cidade de Maringá. São servidores não servis. Não querem abaixar a cabeça aos desmandos e à violência. A eles minha solidariedade!



Escrito por martabellini às 12h00
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O velho método dos militares II

 

Na eleição para prefeito em 2004, no segundo turno, João Ivo e SBII, fui votar a tarde no Colégio Estadual Maria Goretti. Na saída interpelei um fiscal do PT para saber como estava a votação. De repente veio em minha direção uma furiosa jovem senhora, fiscal do PP e me disse: Circulando! Pensei que fosse o fantasma do Golberi me abatendo. Esta senhora deu de dedo na minha cara, e queria chamar a polícia. Disse-lhe que se fizesse isso, nós duas iríamos juntas; que eu não admitia a atitude dela. Pouco adiantou; a mulher defendia seu PP com garras e dentes. No fim desta história estão presentes ações do SBII contra o SISMMAR, contra a saúde, contra a educação. Aquela senhora, vigorosa defensora do SBII, passa hoje pela catraca do ônibus da TCCC e não vê mais o cobrador. Está sem hospital público para atendê-la; deve morar em uma rua bem esburacada....



Escrito por martabellini às 20h27
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O velho método dos militares

 

Quem está assistindo a série JK, nos seus últimos dias, viu uma demonstração pasteurizada da ação dos militares contra o ex-presidente. Vi as cenas em que os coronéis pressionam JK; foi o bastante para dar conta de que estamos esquecendo os anos de ferro dos militares. Na Argentina hoje, 24/3, milhares de pessoas saíram às ruas para lembrar das atrocidades dos milicos. Vi e ouvi a Eva Bonfini, mãe da Praça de Maio, Buenos Aires, bradar aos argentinos: Não nos esqueçamos dos assassinos!

No Brasil não fazemos estas manifestações. É uma pena! Mas aqui os métodos ditatoriais continuam: tirar dos servidores municipais de Maringá o direito de ter funcionários no sindicato é uma estratégia Médici, o militar mais furioso do governo milico brasileiro. Outra estratégia é dizer em todos os jornais que a diretora do SISMMAR será processada por calúnia, injúria e difamação. É um tipo de assassinato das instituições dos trabalhadores; é uma maneira covarde de fazer política; é uma matança da democracia, frágil nesta cidade desde que o prefeito do PP chegou aqui de volta de Manaus.



Escrito por martabellini às 20h11
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MOÇÃO DE APOIO AOS DIRETORES DO SISMMAR

 

Eu, Marta Bellini, Professora Doutora Universidade Estadual de Maringá, vice-secretária da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência do Paraná, manifesto por meio deste BLOG meu apoio aos diretores do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá – SISMMAR. Em minha opinião os diretores e a presidente do SISMMAR estão sendo satanizados pelo prefeito Silvio Barros, do PP, e por alguns vereadores. Está claro que o prefeito e os vereadores usam a mesma estratégia do governo Médici, um governo militar que NÃO deixou uma fagulha de democracia no Brasil. O prefeito e seu apoio na Câmara de Vereadores transformam os trabalhadores em vilões; enquanto isso os serviços públicos de Maringá se degradam cada dia mais na gestão PP.

Esta moção será encaminhada à SBPC, Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência; ao Sindicato Nacional dos Docentes, ANDES, à Adusp, Docentes da USP e à Adunesp, docentes da Unesp e à Adunicamp (docentes da Unicamp).

 



Escrito por martabellini às 19h39
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O que vocês lêem?

 

Todo início de ano converso com os meus alunos. O que vocês já leram? Que filmes gostam? Jornais? Músicas? Meus alunos são ótimos, já o mesmo não posso dizer de algumas de suas leituras... Paulo Coelho, por exemplo. Preconceito? Pode ser. Viajando pelo Google encontrei o site www.portrasdasletras.com.br e o texto As pérolas de Paulo Coelho. Lá vão algumas das pérolas coletadas pelo Professor Milton Gonçalves no livro O alquimista.

  "Haviam certas ovelhas, porém, que demoravam um pouco para levantar . " (p. 22)

Não há registro, em nossa literatura, de nenhum outro escritor que tenha empregado haver no plural, com o sentido de existir. Não se pode atribuir a culpa ao revisor, uma vez que esse modelo de concordância aparece mais de dez vezes em todo o livro.

Demorar, no sentido de tardar, custar, usa-se com a, e não com para: Demorou a retornar à casa dos pais.

Levantar é sinônimo de erguer; levantar-se é que significa pôr-se de pé.

 

" dois dias atrás você disse que eu nunca tive sonhos de viajar." (p. 86)

A impressão que fica é que PC adora brincar de escrever português. Qualquer pessoa com dois dedinhos de leitura descontraída sabe que e atrás não combinam.

"Há dois dias atrás" é expressão redundante, pois a idéia de passado já está contida no verbo haver, sendo desnecessário o uso do advérbio atrás. A excrescência também ocorre nas páginas 103, 133, 161, 210, 242...

 

"O teto tinha despencadomuito tempo, e um enorme sicômoro havia crescido no local que antes abrigava a sacristia." (Pág. 21)

"Fazia aquilo anos, e já sabia o horário de cada pessoa." (p. 76)

Definitivamente o verbo haver é uma enorme pedra no sapato do nosso alquimista. Quando o verbo haver é usado com outro no tempo imperfeito (ou mais-que-perfeito), emprega-se havia , e não : "Quando você chegou, eu já estava na sala havia cinco minutos" (Arnaldo Niskier)

O mesmo erro encontra-se ainda nas páginas 22, 83, 133, e 157...



Escrito por martabellini às 23h35
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 Saudade do Blog Factorama

 

Estamos à espera!



Escrito por martabellini às 22h50
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                                                                                     Perguntar não dói

 

Meu amigo Marcos Danhone, professor da UEM, me perguntou:

 

Quanto custou a vinda do filho do Jacques Cousteau?

 

 

Em que mar ele trabalhou?

 

 

Fez biologia ou administração e marketing?

 

 

Quantas palestras ele já vendeu no Brasil?



Escrito por martabellini às 22h30
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As Máscaras

                              

Pablo Neruda

 

 

Piedade para todos estes séculos e seus sobreviventes

Alegres ou maltratados, o que não fizemos

Foi por culpa de ninguém, faltou aço:

Nós o gastamos em tanta inútil destruição,

Os anos padeceram de pústulas e guerras,

Anos desfalecentes quando tremeu a esperança

no fundo  das garrafas inimigas.

Muito bem, falaremos alguma vez, algumas vezes,

Com andorinha para que ninguém escute:

tenho vergonha, temos o pudor dos viúvos:

morreu a verdade e apodreceu em tantas fossas:

é melhor recordar o que vai acontecer:

neste ano nupcial não há derrotados:

coloquemo-nos, cada um, máscaras vitoriosas.



Escrito por martabellini às 22h13
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Maringá nas noites de quarta-feira

 

Uma das boas atrações de Maringá é a Feira do Produtor ao lado do Estádio Willie Davis nas quartas à noite. Lá encontramos muitas pessoas. Gosto deste tipo de humanidade. Fico observando as pessoas que compram e os vendedores. Já conheço muitos produtores. Hoje, 22/3/06, vi um ex-vereador na barraca do pastel. As eleições estão chegando e os cabos eleitorais dos deputados já se agitam. Na saída da feira deparo-me com seu Valdecir. Fica me olhando e eu no carro pego as moedas. Dou-lhe o dinheiro; ele é guardador de carros. A senhora é professora? Pergunta-me. Conta-me um pouco de sua vida. Está morando na rua com sua companheira, Angélica. Mostrou-me sua mão defeituosa; teve hanseníase. Aguarda sua aposentadoria por doença que, segundo ele, sai em maio. No HSBC, ele enfatiza. Pergunta-me se eu acredito nos governos. Fico sem jeito para responder e insinuo que votei no Lula, mas... Ele diz que o Lula foi pobre e deveria cuidar mais dos mendigos e pobres. Diz que não acredita mais nos governos. Gostou do PT em Maringá. A cidade ficava mais cuidada, sem bicho na rua. Perguntei-lhe se não era atendido no albergue. Três vezes por semana ele toma banho lá e lava sua roupa. Sem acreditar nos governos ele vai à catedral agradecer a Deus por sua aposentadoria que receberá em maio, no HSBC! Posso dizer uma coisa pra senhora? Eu estou feliz!



Escrito por martabellini às 22h08
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Palestra na Universidade Estadual de Maringá

Transformações Contemporâneas, Reformas Políticas e Gestão da Educação.

 

Ministrante: Prof. Dr. João Ferreira de Oliveira - Faculdade de Educação - Universidade Federal de Goiás

 

Dia: 03/04/2006

Horário: 19h30min

Local: Anfiteatro do CCE - Bloco F67 - Térreo 

Inscrição: Secretaria do Programa de Pós Graduação em Educação para a Ciência e Ensino de Matemática.

R$ 10,00 (para emissão de certificado)

Isento para ouvintes (sem emissão de certificado)

 

Escrito por martabellini às 23h19
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 Do Millôr Fernandes por ele mesmo. www.millor.com.br

 

Especialista em causas perdidas, fé sem Deus, campanhas impopulares e profecias de coisas acontecidas.

 

 Candidate-se! Por mais idiota que você seja sempre haverá um número suficiente de idiotas maiores do que você para acreditar que você não o é.

 

 

VOCÊ E EU, TODOS NÓS, ESTAMOS ATRAPALHADOS COM ESSAS TRAPALHADAS TODAS. Que nome damos a isso?

 

À beira do princípio?                                       Enrolados e resolvidas

Devora-me ou eu te dechifro                           Perplexos & desconexos

O exército de Pretoleone                                 Me explica pior

Vendidos e mal pegos                         KKK (gargalhada do FHC..)

E agora, Luiz?                                                 Como se fosse verdade

Onde é que o FHC botou a chave?                 Al gemas às claras



Escrito por martabellini às 23h06
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ABOBORAL II

                                            Filho de PFL, PSDB é!

 

 Mais uma vez: o PFL volta na TV com sua propaganda sobre “ética”. Digam-me, por acaso o Jorge Bornhausen do PFL também renunciou para não ser cassado em outro desgoverno? Não foi ele que disse que a elite precisa acabar com esta raça? Não é ele que está processando Emir Sader, professor de sociologia? E o ACMão e o ACMzinho? O avô, ACM, já não foi escancarado por um jornalista que publicou todos os seus crimes?

 

 

 E o Aécio Neves? Ouvi o mocinho falando ontem a noite na CBN e a cada duas palavras ele solta um AH..., mais duas palavras e um AH... Seu discurso parece que só pega no tranco.

 

 

  Enquanto o PFL e o PSDB já farreiam, o PP, o PMDB, o PC do B e outros partidos estão à espreita: se o PT afundar, eles se jogam do navio. Trocam Lula por Al-K-Mim.

 

 

 

 

 

 



Escrito por martabellini às 22h30
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Ainda inspirada no Blog ABOBORAL:

 

A Cigarra chegou para a dona Formiga e disse: Viu, sua besta! Você trabalhou o ano inteiro, pagou seu IPTU direitinho, se desfiliou do Sismar ... e quem tem um “lap top” sou eu!

 

 

Errar é umano, digitou um vereador da Câmara de Maringá, com todas as letras em seu “lap top”.

 

 

Com toda a esbórnia na Câmara dos Vereadores de Maringá, pelo menos um vereador se mostra zen em todas as fotografias e falas. É o Mario Hossokawa. Ele está ZEN assinar a CPI, ZEN compromisso com seus eleitores, ZEN...

 

 

CPI na Câmara dos Vereadores de Maringá: Comissão Para Impedir ...que qualquer coisa seja feita.



Escrito por martabellini às 13h15
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Há um Blog intitulado Aboboral. O endereço é http://aboboral.zip.net/index/htmal. Vejam lá as ironias:

 

Este caseiro está deixando o governo em estado de sítio.

 

Duda. Nada a declarar. Inclusive ao Imposto de Renda.

 

Cenário dos próximos meses: oPTei X Opus Dei.

 

Em outro Blog http://www.nominimo.com.br, vejam o Tutty Vasques. É dele:

 

 

Sai que é sua,

 Garotinho!
Depois da bagunça nas prévias do partido, PMDB pode desistir de concorrer à presidência da República para disputar o Campeonato Carioca. Tem boas chances de superar Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo em desorganização.

 

 



Escrito por martabellini às 19h37
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 Meninos pobres em Maringá? Existem?

Até a década de 80 se um menino não brincasse na rua, era um nerd,um esquisito etc. Hoje menino de rua é traficante, sem família, ladrão e por aí vai. De 1996 a 1999 trabalhei sob a coordenação do Professor Adriano Ruiz, da UEM, em um projeto com meninos em situação de risco. Conheci diversos grupos. Um destes grupos era do Santa Felicidade, bairro de Maringá onde nenhuma felicidade existe. Estes jovens fizeram um conjunto de rock. Estavam felizes, mas o “empresário” nunca os pagava. Este empresário, um senhor do “bem”, na verdade tirava a grana deles. Muitos garotos morreram no Santa.  Um deles morreu dentro de uma casinha de coelhos pela polícia em 2003 ou 2004. Em 2004 ocorreram várias mortes. Até este ano eu tinha contato com o pessoal que trabalhava com eles. Acredito que muitos garotos ainda são assassinados na cidade, mas uma névoa encobre a Maringá dos pobres.



Escrito por martabellini às 14h26
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O documentário Falcão, que foi ao ar na TV Globo domingo, chocou a classe média. Não tem saída, o problema é social mesmo! Um dos entrevistados disse: se o tráfico desaparecer a polícia fica sem emprego. Entenda-se aí, sem décimo quarto salário, décimo quinto ... Outro falou que se a sociedade melhorar diminuirá a bandidagem; ele tem claro que isso nunca desaparecerá. Quando iniciei minha vida de professora em 1978, trabalhei em uma escola estadual no bairro Butantã, cidade de São Paulo. A diretora saia de táxi que a pagava no pátio. Um professor de matemática passeou com um grupo de alunos em um fusca até as 3 horas da manhã e foi deixado em uma favela sozinho. Nu