ANDA O POVO 2ª parte
Não é português quem come
À custa do português pobre.
Nasceram aqui porque tinham
Que nascer em qualquer lugar.
Ninguém odiava o alemão.
Mais se odiava o francês.
Deram-nos uma espada para a mão
E uma grilheta para os pés.
Podiam vender negócios
Sem vender a nossa pele.
É inglesa a constituição,
E a república é francesa.
É d´estrangeiros a nação,
Só a miséria que é portuguesa.
Venderam a Portugal
Para terem dinheiro em notas.
Meteram-nos na guerra a mal
Só para termos derrotas.
Não nos davam de comer,
Nós que éramos a comida,
Para eles poderem viver
Que lhes estorvava a nossa vida?
Metade foi para a guerra,
Metade morreu de fome.
Quem morre cobre-o a terra.
Quem se afoga, o mar o some.
Meu coração está a estalar,
Minha alma diz lhe não,
Vejo o Encoberto chegar
No meio da cerração.
Escrito por martabellini às 00h18
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ANDA O POVO...
Fernando Pessoa
Anda o povo a passar fome
E quem o mandou para a França
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança.
Os ladrões já não andam na estrada,
Moram na pele dos ministros.
Pobre era Jesus Cristo
E ainda o puseram na cruz.
Dentro de mim avisto
O princípio de uma luz.
Escrito por martabellini às 00h17
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O pior das TVs abertas
Esta semana que acaba (hoje é sábado, 18/3) foi dura para quem, como eu, chega em casa super cansada e quer se alienar, olhando sem olhar a TV. Eis que sou acordada pela propaganda do PSDB do Paraná. Com raiva, desejei aos tucanos asas curtas para o vôo que alçam aos ninhos dos parlamentos. A cara do Luiz Nishimori parece de cera. Mais adequada para aqueles museus que eu via no interior de São Paulo, na década de 60, do século passado. Eram museus que andavam em ônibus com “raridades”: cobras com dois rabos, rostos de cera, aranhas imensas. Tudo apelava para o lado sombrio que as crianças curtem. Depois do L. Nishimori apareceram outros: um dos deputados parecia uma chinchila e não tucano. E por aí vai. Hoje, sábado, 18/3, apareceu a propaganda do PFL. Falando do quê? De ética! É demais! PSDB e PFL falam como se fossem os parceiros da moralidade.
Agora a noite recebi o jornal on line Brazilianas que vem não sei de quem falando da República de Ribeirão Preto em Brasília. Na época em que morei em R. P. repúblicas eram as casas dos estudantes. Segundo este jornal, Buratti deixou o casamento de 20 anos por causa da Carla, uma das meninas funcionárias da Jeanny Marie Córner (além da Carla, há a Naila, Renata e Juliana conhecidas da senadora Heloisa Helena). A notícia fala de Palocci. É inacreditável. Não é a república de ribeirão preto (em minúsculo mesmo) que dá a má notícia, mas as republiquetas de minas, paraná, espírito santo, são paulo etc etc. Todas as republiquetas e seus representantes que todo dia nos infernizam a vida (e gastam nosso dinheiro) falando como eles nos ajudam, como eles são generosos, como eles são diferentes do atual governo. Menosprezam a nossa inteligência e perdem para o big broder.
Escrito por martabellini às 00h07
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Ricardo Kotscho escreveu, em 17.3.2006, no Blog Nominimo, http://www.nominimo.com.br, Como vive um brasileiro. Relata a morte de Inácio Mendes da Silva, paraibano, 52 anos, porteiro de um prédio na Rua Oscar Freire, São Paulo. Ganhava $1.200,00 por mês. O calvário da família e da síndica começou quando “seo” Inácio caiu na calçada vitimado por um AVC. Daí ao enterro dele são horas de descaso. Vale a pena ler e pensar sobre o brasileiro pobre. Na TV Globo, amanhã, veremos os falcões; são os meninos que ajudam os traficantes nas principais capitais do Brasil. À pergunta: O que você quer ser quando crescer?, o guri responde: Bandido. Em São Paulo, em uma pesquisa de 2005 sobre qual profissão seguiriam, as respostas dos alunos das escolas públicas foram: pedreiro, pintor, caixa de supermercado etc. No Brasil as crianças pobres não sonham. Nem podem sonhar.
Escrito por martabellini às 12h30
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Carlos Mucelin, aguerrido pesquisador, professor do Cefet de Medianeira, trabalha sob minha orientação (e eu sob a dele) com uma comunidade de catadores de lixo. Investigando a percepção ambiental dessa comunidade que vive entre o lixo e a água de um córrego poluído, ele agora partilha as dores e a alegria da comunidade. Lá encontrou dois senhores entre 50 a 60 anos com manchas brancas na pele e debilidade física. É hanseníase. Estão se tratando. No lixão de Medianeira temos expostos todos os fragmentos do mundo: dentes, pedaços de órgãos humanos, agulhas de injeção, papel, quadros, roupas, moscas, baratas ...tudo isso convivendo com as pessoas. Carlos está lutando diariamente para retirá-los de lá. Mata um leão por dia. Acompanho-o pela internet, falamos todo dia. Nossa angústia cresce cada dia mais, pois um dia é de conquista, outros de derrota. Lembro-me da fala do Padre Júlio Lanceloti da Pastoral do mendigo em São Paulo: só existe lixo reciclável porque existem os catadores de lixo.
Escrito por martabellini às 12h18
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Este Blog tem me permitido rever virtualmente pessoas como o Antonio França, Moretti, Valter (que está no Canadá). São pessoas com as quais teci uma pequena história aqui em Maringá entre 1995 a 2003. Conheci o Moretti e o França quando era diretora do Sindicato de professores e funcionários da UEM, 2000 a 2003. Já falei do Moretti aqui neste Blog. Lembro-me da “piada” do Moretti: os membros deste sindicato são a terceira idade na adolescência. O França quase foi companheiro da gente no sindicato. Encontrava-o sempre na cidade e na casa da Patrícia Lessa. Conheci muitos jornalistas que nos deram apoio na época de nossa grande greve de 2001 a 2002. Teresa Meneghel e Marta Medeiros também fazem parte das boas horas. A Marta Medeiros me ajudou em uma tarefa importantíssima: foi a primeira a saber que o Paulo Matias não iria ser demitido da UEM. O Lerner iria demitir o Paulo Matias, pois segundo a polícia do governador, o professor Paulo tinha lesado o patrimônio público quando os grevistas lacraram a porta do prédio onde os membros da comissão do vestibular trabalhavam. O Paulo foi a um programa de TV para falar da greve. Debateriam ele e o representante da promotoria pública do Lerner, um cidadão de Maringá que já foi promotor e deputado. Então, este promotor estapeou o Paulo e a greve virou assunto nacional. Saiu na Globo. Tenho ainda a fita do tapa.
Este pessoal é dos bons. Ainda ontem li o texto do Ricardo Kotcho no Blog Nominímo. Fala dos jornalistas (e da profissão) que não só lidam com as palavras, mas estão sempre na frente de batalha das ações políticas, cotidianas, culturais.
Saudades do França, Moretti, Teresa, Marta Medeiros e outros que se dispuseram a ouvir a nossa história também.
Escrito por martabellini às 19h42
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Leia Hoje o texto de Contardo calligaris FSP 16/3/06 Mentiras sinceras
Pequeno trecho do artigo dele...
Espero que "Mentiras Sinceras", de Julian Fellowes, continue em cartaz e que os amantes e os amados (casados ou não, heterossexuais ou homossexuais, tanto faz) tenham o tempo de assistir ao filme, em massa. O título original é "Separate Lies", mentiras separadas, mas gostei da tradução brasileira. "Mentiras Sinceras" evoca o estranho balé de verdade e mentira em todo triângulo amoroso: "Minto quando escondo minha paixão por outro ou por outra? Ou, então, a verdadeira mentira é o casamento que vivo e a insatisfação que escondo?". Ser sempre sincero não é fácil. No filme, Anne (Emily Watson) tenta ser sincera com o marido, James (Tom Wilkinson), e também com seu próprio desejo. Mas a verdade não é simples: Anne, por exemplo, não sabe bem o que a joga nos braços de William (Rupert Everett), seu amante. Quando explica ao marido o que lhe acontece, ela não invoca o amor ou a paixão; apenas consegue dizer que não sabe renunciar a William porque os encontros com ele são "easy", fáceis: o amante não lhe pede nada ou quase
Escrito por martabellini às 12h31
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A NAVE DA VIDA
Elías Calixto Pompa (Venezuela, 1834 - 1887)
Cheia de flores, imponente, suspensa, inúmeros viajantes transportando, sobre um imenso mar vai resvalando, com sua carga a nave da vida. Todos viajam contentes, porque em suma sente cada qual, gozando a sós, escritas suas aventuras nas ondas, gravando seus sonhos na espuma.
Assim vão e voam, sempre vendo as linhas que seus desejos marcam, e mais ou menos conforme gira a água uns seguem cantando, outros rindo – caiu um!
As ondas já encobriram-no... – Pouco importa! Dizem todos os que continuam em pé, com voz ruidosa. – Outro na água!... – Rema, rema! Que ali vêm brincadeiras, fortunas novas, escritas na espuma e nas ondas.
E as naves se vão. Pesada bruma envolve para sempre os caídos e seguem os demais entretidos, mirando o brincar alegre da espuma.
Escrito por martabellini às 23h32
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Hoje dia 15 de março de 2006, o Franciel, amigo de minha filha Julia, 16 anos, foi para o Japão. Deixou seus pais, seus amigos, a namorada Karla. Estudou até o primeiro ano do ensino médio em uma escola pública, Tancredo Neves. Foi se juntar ao irmão e à irmã que estão no Japão há mais de dois anos. Foi buscar emprego e grana para ajudar a família a pagar o tratamento da mãe. Fran, como é chamado, é franzino, tímido, gosta de rock, msn, baladas, usava cabelos tipo punk. Minha filha ama-o. Foi à Londrina levá-lo ao aeroporto junto dos outros amigos. Voltou super triste. Todos voltaram abalados. O Waltinho, amigo do Fran, chorou muito. O Waltinho terminou o ensino médio, trabalhou em uma loja de tintas e, agora, trabalha em uma firma de segurança. Ele é gente fina demais.
Na semana passada encontrei o Rafael e sua namorada no Big. Formados em biologia estão procurando emprego. Minha querida ex-aluna Melina veio até minha casa me ver e eu soube que ainda está desempregada. Faz 2 anos ou mais que se formou na UEM. Agora deverá fazer um estágio na Amazônia. Estágio.
Hoje na feira do produtor encontrei-me com R. Deixou de trabalhar, estava pedindo dinheiro na feira. Saiu de casa e não quer voltar. Está vivendo na rua.
O rapaz que trabalhou aqui em casa como pedreiro largou tudo. Sua mãe parece que foi trabalhar na Espanha. Um dia sim, outro também ele vem me pedir dinheiro. Magro, sem dentes vejo o dia em que repetirá a tragédia dos dois rapazes aqui na Vila Esperança. Um dos rapazes que morreu estava trabalhando apenas a um mês. Sua mãe faz hemodiálise e ficou sem ajuda.
Da classe média aos mais desprotegidos nossos jovens estão sem perspectiva de vida e de existência.
Escrito por martabellini às 23h15
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Encontre-me hoje no final da tarde com nosso reitor da UEM, Professor Pavanelli. Disse-me que se decidir ser candidato a deputado estadual deverá sair de seu cargo de reitor dia 31 de março. Deve ser uma decisão difícil, pois o professor sairá da vida acadêmica e irá para a arena política. São áreas bem diferentes de atuação. Espero que o professor Pavanelli faça uma boa opção!
Escrito por martabellini às 22h50
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| Quarta-Feira, 15 de março de 2006 | |
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Escrito por martabellini às 19h13
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Aproveitando o tema (elitexvergonha), vou trazer o assunto da greve da UEM, a mais longa de nossa história das universidades públicas (tenho um colega que odeia quando falo: a mais longa da história). Não é orgulho como meu colega diz, é um fato histórico. O Lerner deixou as três universidades irem ao léu e elas foram. Começou em setembro de 2001 e o governador Lerner não nos recebeu. Deixou o pessoal sem interlocutor. Chegou dezembro, natal, papai noel....e daí todos já estavam cheios de ver e ouvir o Lerner rir na TV. Ninguém voltou para as aulas. Voltamos em março de 2002!
Mas ainda no final da greve, o Lerner enviou para a assembléia o Projeto 32 que tornava a UEM uma Organização Social, projeto do tucano Bresser de 1998, assinado pelo FHC. FHC fez a lei para implantar sua privataria nas universidades federais. O governador do Paraná queria implantar aqui antes das federais. Mais realista do que o rei, estava Lerner tentando realizar uma organização universitária muito próxima ao projeto que querem implantar no Hospital Municipal. Por esse projeto a UEM poderia alugar seus laboratórios para as universidades privadas. Quem de Maringá participou ativamente das reuniões em Curitiba com o governador para aprovar o projeto 32? Dois deputados estaduais (hoje sem mandato) e um federal, todos de Maringá. Membros do Codem e outros que viram na UEM um bom espaço público para lucrar. Todo mobiliado, 30 anos de estrutura etc e tal, era um bom capital.
Quando íamos às reuniões com algumas pessoas da elite maringaense (que erradamente alguns chamam de sociedade civil) sentíamos o desprezo, o horror, o ódio contra os professores. Elite? Sim, elite! A elite brasileira odeia tudo que não é ela mesma!
Escrito por martabellini às 13h33
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Li hoje, 15/3/06, no Factorama, o texto do Elvio. Inspirador! Elite e pobres no Brasil. O Walter Salles e o Contardo Calligaris escreveram na Folha de São Paulo, mês passado, belos textos sobre elite x vergonha. Salles descreve um episódio em uma praia na Bahia onde desceu um helicóptero jogando areia em todo mundo. O povo se enfureceu e não deixou as pessoas do helicóptero descer. Helicópteros não podem descer em praias, ruas...lugares públicos. Mas a elite desce. Salles disse que não faz filmes sobre a burguesia brasileira, pois não gosta de seu (dela) patrimonialismo grotesco e idiota. Não preciso dizer que muitos leitores execraram o cineasta. Faz parte do jogo. Contardo Calligaris retomou o tema do Walter Salles falando sobre a vergonha. Para que serve a vergonha? Temos vergonha? Temos que ter vergonha? Bom, não vou estender às considerações filosóficas e psicológicas deste tema. Leiam o Contardo na FSP. O que é incrível no Contardo é localizar a vergonha nas pessoas pobres. Estas pessoas têm vergonha de não se vestir bem, de não escrever bem, de não falar bem (notem o bem aqui). Têm vergonha de suas origens. Houve uma inversão de valores: a elite de helicóptero não tem vergonha de burlar as leis de trânsito, não têm vergonha de, como a dona da Daslu, traficar vestido para não pagar imposto. O Alckmin não tem vergonha de aparecer na coluna social da FSP na Daslu, mesmo a mega loja estando na mira da PF. Vergonha é uma coisa para pobre sentir e ter e “aprender” que tem seu lugar social e dele não sair. Nós da classe média também temos vergonha. Tanto que quando vamos falar puxamos um parente na Holanda, um nos EUA, um amigo médico, um político influente, um clube da hora, um celular bacana, um carro novo...
Há vinte anos atrás quando cheguei a Maringá, fiquei perplexa em ver este jeito de ser da cidade. Não sei se ela mudou, espero que sim.
Escrito por martabellini às 12h45
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POESIA DO FERNANDO PESSOA dedicada ao ditador Salazar: Coitadinho do tiraninho (podemos dedicar a outros próximos a nós)
Coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade
E com tal agrado
Que já começam
A faltar no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Esta na Guiné
E o meu padrinho
No limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
Escrito por martabellini às 21h13
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Livro importante...
A editora Contexto lançou estes dias o livro de Patrick Charaudeau, Discurso Político. Vale a pena ler. Primeiro capítulo: O que é discurso político?
Escrito por martabellini às 21h01
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Alckmin e a educação em São Paulo
Acabei de ouvir na CBN que os tucanos emplumados e os sem plumas votaram no Zé Alckmin. Para quem acredita que ele é o bom, veja os blogs da Cremilda e da Giulia. O primeiro, http://Cremilda.blig.com.br , é de uma mãe que luta com outras mães de alunos contra o Chalita e os desmandos nas escolas estaduais de São Paulo. O segundo, http://Educaforum.blogspot.com.br traz também os problemas das crianças e jovens das escolas públicas municipais e estaduais de São Paulo. Em São Paulo e no estado, a educação sofre de todos os males possíveis. Como sabemos a educação é a mais política das instituições; deputados, vereadores e outros sempre se referem às escolas quando estão em campanha, mas cada dia mais as escolas entram em um limbo sem fim.
Aqui em Maringá um certo vereador "ajuda" uma escola do Jardim Alvorada. Ajuda tanto que apóia candidata para a eleição de diretora.E, mais: ela ganha. Ajuda a pintar a escola e nas eleições o nome dele circula como moeda de troca no local. E olha que a escola é estadual. cada vereador tem um nicho ou ninho e de lá não sai. Autonomia dos professores, debate? São coisas que não existem.
Escrito por martabellini às 18h50
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C@ros,
Blog é como criança: a gente fica de olho toda hora; deixa de dormir e estudar. É uma fissura. Será que aguento? Creio que sim!
Recebi um alô de meu amigo Moretti. Trabalhou no Sindicato dos professores e funcionários da UEM, Sinteemar, na época da greve mais longa que fizemos. Eu era diretora de imprensa. Sou fã do Moretti. A gente se divertiu escrevendo boletins diários durante quase seis meses. Provocamos os deputados, em especial um deputado maringaense que queria se reeleger a qualquer custo e pegou a onda da greve. O cara era uma piada, Nos processou depois por causa de um out door que fizemos e espalhamos por toda cidade. A figura parecia alguém que era deputado, com olhos verdes, com olheiras etc e tal, pendurado como um fantoche sendo chacoalhado pelo grande Lerner, mas não era ele! Era apenas um desenho...
Saímos todos os dias a meia-noite, uma ou duas horas da manhã. O Moretti nos tolerou, pois sabem como é duro aguentar professores em greve. Um dia alguém ligou e disse que ia dar um tiro na cabeça do professor que atendeu e na nossa. Deu manchete! A PM ia fechar o sindicato todo dia após a ameaça.
Então, meu caro amigo Moretti, como tudo mudou, hein! Você tem razão! Quem diria que eu iria lutar contra o PT por causa da Reforma da Previdência? Quem diria!
Para me vingar de órgãos que queriam comprar a UEM (projeto 32) e do modo como o Nogarolli tratou a Dalva em uma reunião, de vários incidentes com a elite de Maringá, escrevi um texto sobre os detalhes todos da greve. Deverá ser publicado em uma revista. Vou deixá-lo na rede.
Um grande e saudoso abraço!
Escrito por martabellini às 14h33
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O Fabiano, meu amigo, enviou-me muitas coisas bacanas. Deixo esta da Maria Rita Khel, psicanalista de São Paulo, que tem muitos textos instigantes.
Como eu não tenho celular, mas minha filha tem...segue o texto...
Por Maria Rita Kehl 04/05/2004
De todas as datas comerciais que homenageiam crianças, pais, secretárias, avós, professores, o Dia das Mães é o único indiscutível, assim como é (deveria ser) indiscutível o amor de mãe. Só as mães desnaturadas não amam abusivamente suas crias - e as mães, por natureza, não costumam ser desnaturadas. Portanto, a coisa mais natural do mundo é acreditar que sua mãe pensa em você, vinte e quatro horas por dia. É o amor das mães dos pilotos que mantém os aviões suspensos no ar, me disse um dia um rapaz que não tem muito medo de avião. O amor das mães desvia balas perdidas e mantém a polícia distante dos adolescentes bagunceiros. Faz andar as filas nos hospitais públicos. Mantém as escolas funcionando, ainda: os professores dando aulas, os alunos nas salas, num simulacro de aprendizado: o amor das mães rema contra a maré de ignorância e descaso que inunda o sistema de ensino no Brasil. O amor das mães acredita no futuro. O amor das mães, sabemos, mantém a sociedade em ordem, na medida do possível.
Mas as mães precisam ser alimentadas com provas de amor. Precisam da confirmação de que não é vão todo esse esforço para segurar as pontas do mundo, de modo a que haja mundo ainda, quando seus filhos crescerem.
Por isso, já que o Dia das Mães está chegando, telefone para a sua. Não importa se vocês vivem na mesma casa: como você já deve estar sabendo, telefonema é amor. Maior ainda será seu amor, se você ligar para sua mãe de um celular. Ou se lhe der de presente um celular para que ela possa encontrar você a qualquer hora da noite ou do dia, em qualquer lugar do planeta. Mesmo que seja no quarto ao lado. Telefonema é amor.
O amor das mães mantém a ordem do mundo, e a ordem do mundo, hoje, depende da telefonia. Para que a ordem do mundo se mantenha, é imprescindível que haja uma relação de dependência absoluta entre as pessoas e seus celulares. É preciso acreditar que se as pessoas não conseguirem te localizar por mais de meia hora, você desaparecerá. Quase todos os adolescentes sabem disso, até os que não têm dinheiro para comprar celulares, mas esses não contam. Os outros, os que importam, os que realmente existem, sabem que sem celular não serão convidados para festas, não terão namorados(as), nem assunto, nem prestígio, nada. Já vi grupos de adolescentes em mesas de bar que não conversam entre eles, mas dedicam-se animadamente a falar pelo celular com um ausente. O grupo inteiro vibra ante a perspectiva de pegar nas mãos a maquininha e gritar para a voz do outro lado: "você precisa vir pra cá!!!" Você precisa vir pra cá, brincar conosco de telefonar para outro amigo ausente.
(A cada quatro horas um jovem é assassinado na capital paulista. Um jovem negro ou pardo, entre 15 e 24 anos, morador da periferia. Se você não se enquadra nessa faixa da população, telefone para sua mãe de quatro em quatro horas, diga que você está vivo. Vivo, aliás, pode ser a marca de seu celular. Quem é Vivo sempre aparece.)
A necessidade de um celular tornou-se unânime. Como o amor de mãe, o acesso telefônico nunca vai abandonar você. Você vai se sentir prestigiado quando ele tocar no meio de uma festa. Vai esnobar a(o) namorada(o) abandonando a pista de dança para atender alguém que precisa falar com você naquela hora. Precisa porque pode. No mundo das mercadorias tudo o que é possível vira obrigatório. Se você pode estar comunicável todo o tempo, você deve. Já que existe um produto capaz de te assegurar isso, sua obrigação é adquiri-lo; do contrário, estará fazendo pouco caso das preocupações de sua mãe, estará perdendo oportunidades incríveis e lesando os amigos que precisam lhe telefonar porque não têm nada melhor para fazer.
O celular vai vibrar no seu bolso, junto ao seu quadril (há quem adore isso; é compreensível) dentro do cinema, do teatro, da sala de concertos. Talvez você saia da sala para ver quem é; talvez não. De um jeito ou de outro, a banalidade do cotidiano já se apresentou, confortadora, interrompendo um dos raros momentos em que você poderia não estar pensando em você. Poderia suspender temporariamente a atenção que a vida ordinária te exige e mergulhar no universo da finalidade sem fim que é a arte. Mas o celular tocou, ou vibrou: que alegria. Nada é mais importante do que dizer "alô, estou aqui, sim, no cinema, pois é. Te ligo depois". Quem quer saber do estranhamento que a presença ambígua da obra de arte produz, se é possível estar o tempo todo conectado, plugado na reles realidade através do celular?
O Dia das Mães está chegando e ela quer falar com você. Não pessoalmente, seu bobo, qual a graça de te ver em carne e osso? Ligue pra ela, fale com ela do seu celular. Se não tiver nada a dizer - quem tem tanta notícia? - mande uma foto, tente imitar as caretas charmosas da Luana Piovani. Ainda não inventaram um celular que fale por você - que pena. Mas se você não tem assunto pode mandar torpedinhos prêt-à-porter; é suficiente para deixar o amor em dia. Do seu para o dela, o amor celular vai recobrir toda a superfície do planeta e deixar de fora só aqueles tais, que insistem em morrer de quatro em quatro horas. Mas aqueles não se comunicam, não contam. A não ser quando roubam os nossos celulares. Aí sim, eles contam.
Escrito por martabellini às 00h34
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Se tem uma coisa que me atiçou o cérebro foi o comentário do Fábio Linjardi no Blog FACTORAMA sobre a ausência de publicações nossas, da UEM, para a cidade em geral. Eu que adoro um "cutucão" pensei em terminar meu site MAKARIOS ou algo assim para disponibilizar os estudos que meus orientandos já fizeram sobre Maringá, Porto Rico (no Rio Paraná) e outros trabalhos bacanas. Eu penso que nós não estamos muito próximos da cidade (em suas várias dimensões). De 2000 a 2004 fiquei no Parque do Ingá com muitos alunos da biologia. Trabalhamos muito lá, mas não publicamos nada ainda para dar a cara dos estudos e é claro dos problemas de uma unidade de conservação sem conservação. Temos estudos sobre os jovens em situação de risco e por aí vai.
Prometo que até junho o site sai. Comecei a Revista TEIA on line, mas ainda estou em 2001. Vou atualizá-la até abril. Sério!
Mas o que gosto mais são dos alunos como a Denise que têm "faro" e não têm medo de dizer como são as casas desta cidade. Uma polêmica faz bem e faz virar uma escola um pouco parada. 
Escrito por martabellini às 20h15
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Hoje a tarde, 13/3/06, após uma reunião encontrei no caminho de meu departamento um colega, professor do dep. de história. Aí nós dois encontramos uma aluna dele da arquitetura que fez um trabalho não muito convencional sobre algumas coisas de Maringá: tipo de casas, prédios, praças etc.
Parece-me que muitos não gostaram do trabalho dela, o book. Mas eu adorei! Sabem aquela casinha do papai Noel que fica na Praça todo final de ano, feita de garrafas de plástico? Enfim, alguém mostrou essa coisa Kitch de Maringá! Aquela casinha é brega, dói na alma ver a arte da cidade! Quem inventou o plástico deveria fazer uma recomendação para usa-lo só em garrafas. Bolsas de plásticos, anéis, cintos, óculos e casinhas de papais noéis são a porcaria do mundo!
Outra "coisa" horrível da arquitetura de Maringá são os arcos dos prédios, das casas e das quitinetes de alunos. Estes arcos são cópia de Paris? Alguém sabe? Copiamos os arcos enormes para nossas casas minúsculas?
Mais um detalhe da estética das casas: aqueles telhados em forma de V invertido. para a Denise, a aluna de arquitetura, são das pessoas que esperam a neve em Maringá.
Bom, já temos a casinha, os arcos e os telhados: só falta o velhinho Noel aparecer em Maringá.
Êta, arquitetura e engenharia bestas, Meu Deus!
Escrito por martabellini às 19h15
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A semana passada morreu uma jovem em uma clínica de lipoaspiração daqui de Maringá. Tudo bem? Tudo bem não foi ninguém da minha família, foi uma fatalidade etc e tal. Mas, ontem, domingo, dia 12/3/06, fiquei sabendo que a moça era sobrinha de minha amiga Dalva. Dalva, ex-professora da UEM, atualmente morando em Ilhéus, Bahia, veio para cá. Conversei com ela e soube do submundo que ronda a morte da sobrinha. Como não posso dar nome do médico e de pessoas ligadas a ele que o defendem nada ficará claro para vocês. Porém, as justificativas da parte médica pela morte da jovem são dignas de Rubem Fonseca. Há em torno dessa morte muitas mãos e cérebros.
Escrito por martabellini às 18h33
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